quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MARABÁ-PA: MINÉRIO-RIQUEZA x EXCLUSÃO-VIOLÊNCIA

Conheço já há muito tempo a cidade de Marabá, no Pará. A cidade foi engatinhando, arranhando, e até machucando, as curvas dos rios até fincar pé firme em suas beiradas e, rapidamente formou-se a maior povoação do Sul do Pará. Pior para os rios. Foram as missões religiosas, como em quase todos os cantos da Amazônia, depois as atividades extrativas, depois a pecuária e, novamente, a extração, dessa vez de minério. E o povo foi se achegando. Todos os cantos vinham homens, mulheres e crianças. Mas a maioria vinham do lado mais miserável do Brasil, o Nordeste.
A década de 1970 marcou o processo mais acelerado desse povoamento. As pesquisas auríferas em andamento desde a década de 1950 resultou em grandes projetos de mineração. E o capital internacionalizado passou a disputar com garimpeiros pobres da região. A violência instalou-se de forma mais definitiva tendo esse fato como precedente. 

Marabá cresceu. Existem lindas praias. O povo é hospitaleiro. Corre muito dinheiro na cidade. Há até bons empregos que atraem técnicos dos lugares mais distantes do país, e de fora do país. O sol brilha em Marabá. Mas brilha apenas para uma pequena parte.


Em Marabá o sol brilha primeiramente para o capital internacional ligado à Vale do Rio Doce que, com garras assassinas, retira da região de Marabá quase tudo que quer sem retribuir em troca quase nada do que pode. A péssima qualidade do ensino público e o descaso generalizado com educação resulta numa grande massa de jovens que sequer concluem o ensino médio, resultando disso que não se qualificam sequer para as atividades mais insignificantes das grandes empresas que operam na região.

Má educação, corrupção política, fome, desemprego, violência, essa é a realidade do lugar que para alguns -especificamente aqueles que encontram seu lugar ao sol -é um paraíso.

Marabá mistura a triste realidade típica do Rio de Janeiro: pessoas endinheiradas cercadas de famintos que, a todo instante, mostram-se uma ameaça em potencial. A violência que atinge o pobre, preferencialmente, é banal na cidade. A média de homicídios é alarmante e só não alarma mais porque geralmente morrem pobres e para as elites locais, um pobre a mais ou a menos, é irrelevante.


Ante esse quadro fico meio sem saber como concluir esse texto. Se alguém estiver de passagem e desejar conhecer Marabá, bastante é que saia à noite por regiões como as áreas da rodoviária, não importa se nova ou velha ou outras áreas onde haja concentração de pessoas vulneráveis à ação dos marginalizados. E enfatizo, MARGINALIZADOS. Porque cada criminoso em Marabá resulta desse processo criminoso de saque das nossas riquezas e geração de pobreza levado a cabo pela ação do capital multinacional em nossas terras. O resultado é esse, o IML sempre lotado.