domingo, 27 de maio de 2018

PARA ENTENDER A GREVE DOS CAMINHONEIROS

A primeira questão a ser entendida sobre a greve dos caminhoneiros é que não é uma greve e também não é de caminhoneiros. O que está em curso é um movimento que pretende criar o caos para dificultar as eleições que se aproximam, ou seja, um grupo que realmente pretende criar as condições para uma efetiva intervenção não democrática no Estado Brasileiro.

A situação é complexa. Primeiro porque não vivemos mais num Estado democrático porque  desde 2016, quando o poder foi usurpado pelas elites capitalistas que puseram um fantoche no Planalto, a vontade do povo deixou de ser soberana. E, pior, não estamos mais num Estado de Direito, uma vez que a Constituição perdeu sua validade e estabeleceu-se a insegurança jurídica, como demonstra muito bem a vaidade dos Moros, dos Gilmar e dos Bretas - diferentes entre si, mas iguais nas atitudes.

Voltando ao caso da suposta greve, sabe-se que cerca de 70% a 80% dos caminhoneiros trabalham para grandes empresas transportadoras. Se a greve teria iniciado como movimento contra o preço abusivo do diesel seria uma demanda do patrão, que é quem paga o diesel, não do motorista, que apenas conduz o caminhão em troca de um salário.

Não temos uma greve. O saldo do que acontece agora, pode ser lido, com perspicácia, desde já. Vamos ver no que dá enquanto saldo político. 


sexta-feira, 27 de abril de 2018

OBEDIÊNCIA E SERVILISMO, OU SOBRE OS DELÍRIOS DA VAIDADE

A propósito da militarização de uma escola pública em Uruaçu, muita gente - que nunca acompanhou os próprios filhos na escola, e portanto, nunca apoiou o trabalho dos professores - glorificaram o feito como se essa política autoritária, fundada na ideia de obediência e servilismo fosse, de fato, a receita para os problemas da educação no município.

Essas pessoas, idiotizadas, sequer podem entender a engrenagem política desse projeto e suas consequências.

Entre tantas reflexões necessárias e urgentes, quero nesse espaço, relacionar a expansão das escolas militares com a vilania do governador de Goiás, que as usa para perseguir a organização dos professores que ousam reivindicar direitos.

A vaidade do Governador do Estado de Goiás, Marconi Perillo, parece não encontrar qualquer limite. De fato, num Estado em que o judiciário é subserviente e o legislativo cliente fiel, o executivo, sem qualquer embaraço, na expressão do seu totalitarismo, poderá dar vasão a qualquer pretensão, inclusive as que emanarem da vaidade de quem detém o poder.

Essa é uma das chaves de leitura para a política educacional do governador de Goiás, o homem que trucida suas oposições.

Jogando milhos aos pombos a cada período eleitoral, Marconi tem se mantido no poder a partir de duas estratégias, a compra de votos através das bolsas da OVG, dos cheques reforma, moradia e outros instrumentos muito comuns na política do toma lá, dá-cá e pelo sufocamento das vozes dissidentes.

É enquanto instrumento de repressão que a militarização das escolas públicas estaduais precisam ser pensadas. Obviamente, essa militarização das escolas não se limita a esse fim, os objetivos são mais amplos. Todavia, a disciplinarização dos corpos e das mentes como estratégia de controle do tecido social é o ponto fundamental para o qual convergem todas as variáveis.

Marconi nunca escondeu tratar-se de uma vingança punitiva ao grupo, da educação, que ousa lhe fazer oposição. Esse grupo ousou manifestar-se em evento no qual o governador participou (veja em: https://www.youtube.com/watch?v=RwY2QUmc8V8) e lá mesmo o governador deu seu recado.

Depois, participando de um evento na Bahia, Marconi declarou os objetivos imediatos da criação das OSs e das escolas militares. Segundo ele, 

"Fui num evento e tinha um grupo de prfoessores radicais da extrema esquerda me xingando. Eu disse: tenho um remedinho pra vocês, colégio militar e organização social. Identifiquei as 8 escolas desses professores. Preparei um projeto de Lei e em seguida militarizei essas 8 escolas. O Brasil está precisando de nego que tenha coragem de enfrentar". (A TARDE, 17/11/2015).

Marconi é vaidoso. Marconi não aceita críticas. Marconi quer a hegemonia.

O pior disso tem sido o silêncio daqueles que deveria dizer alguma coisa. Me refiro primeiro aos intelectuais da Universidade Estadual de Goiás, minha casa. A Universidade não pode naturalizar esse fato. A Universidade, que produz conhecimento e forma professores, precisa tomar posição.

Fonte:

https://www.youtube.com/watch?v=RwY2QUmc8V8

A tarde: http://atarde.uol.com.br/politica/noticias/1727346-goias-vai-terceirizar-a-educacao-apos-experiencia-na-saude

segunda-feira, 9 de abril de 2018

MANDA ESSE LIXO JANELA ABAIXO: A DIREITA E O LULISMO COMO IDEAL POLÍTICO.

O discurso de Lula, um pouco antes de entregar-se aos seus facínoras, pareceu muito atravessado pela angústia de quem vê tudo como num gesto de despedida. Todavia, a violência da direita tem dado razão à declaração do ex-presidente de que deixava de ser um homem para tornar-se uma ideia.

E tudo o que tem a  acontecido agora, faz perceber que, em relação ao Lula, o massacre apenas reforça o sentimento quase mítico de quando conheci as ideias de um homem que pretendia melhorar o mundo. 

Foi em 1994 quando havia acabado de chegar ao Seminário Diocesano Leão XIII, em Tocantinópolis. Eu era um garoto com sonhos pueris. 

Quem foi seminarista, até o final da década de 1990 quando os meios eletrônicos ainda não haviam eliminado o encanto da leitura de cartas, sabe o quanto é encantador o anúncio de uma correspondência em seu nome. 

Pois foi numa ocasião assim, em 1994, que recebi um cartão da campanha presidencial de Luis Inácio Lula da Silva, primeira eleição presidencial na qual votei. O cartão era simples, na frente o homem barbudo, no verso um trecho de cachorro urubu do Raul Seixas:

Todo jornal que eu leio 
Me diz que a gente já era
Que já não é mais primavera
Oh baby... oh baby...
A gente ainda nem começou.

A minha vida, naquele momento inicial, prometia ser toda ela de entrega e de promoção de outras vidas e, a poesia musical parecia falar de mim e de todos os que sonhavam com um Brasil melhor.

Conheci, também naquele tempo, o ódio egoísta dos que amam a ordem apenas pelo seu caráter desigual.

Hoje com a elite da segurança nacional, que ganham rios de dinheiro sem fazer absolutamente nada que justifique o que ganham, vociferando ódio contra um ex-presidente com mais de 70 anos de idade, reforço a consciência de que a ideia de construção de uma sociedade com menos privilegiados e mais Brasil para todos é um dever herdado do lulismo. 

E nisso, o ódio da direita ajuda porque reforça nosso ânimo.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

OI VELOX: INTERNET PARA QUEM QUER PROBLEMA


No início de 2017 contratei os serviços de internet e TV da empresa OI, que na ocasião empurrou juntamente um telefone fixo, que nunca utilizei, embora tenha sempre pago por ele.

O que realmente interessava era o serviço de INTERNET, e esse foi exatamente o serviço que nunca funcionou satisfatoriamente. Na verdade, o contrato funcionou como a aquisição de um problema e não de um serviço.

Na propaganda, e no atendimento eletrônico, garantiram uma velocidade de 15mb, que alguns meses depois foi reajustada para 10mb, velocidade garantida em raríssimas exceções.

O serviço é constantemente interrompido e o apoio técnico é muito ruim. Quando o técnico presta alguma assistência, o cliente é obrigado a pagar, mesmo problema sendo da empresa, e não meu.

Cheguei a ficar mais de 10 dias sem serviço. E a conta foi cobrada integralmente, simplesmente porque minha esposa não ligou para o demorado e desrespeitoso serviço da Oi (10631) para reclamar.

Por fim, com aquela sensação de extorsão, solicitei o CANCELAMENTO. Primeiro, tentaram enrolar. Depois, entre a terceira e quarta tentativa, além da absurda grosseria, fui ameaçado de que teria que pagar multa, embora meu contrato já tenha mais de 14 meses.

A sensação é de que essas empresas, que vivem de negociatas com o governo, e o governo em negociatas com o judiciário, estão acima de Lei, até porque a Lei brasileira é um peso sobre os ombros de quem não pode pagar o preço que ela vale, para cada caso uma tabela.

quinta-feira, 15 de março de 2018

VEREADORA MARIELLE FRANCO (PSOL-RJ): VÍTIMA DO BATALHÃO DA MORTE?

a violência levou quem lutou contra a violência
A vereadora Marielle Franco do PSOL-RJ, quinta mais votada nas eleições municipais carioca, foi assinada nessa quarta feira, 14/03/2018. 

Era uma firme lutadora pelos direitos dos pobres, das comunidades cariocas. Era uma negra que se reconhecia negra, com todas as implicações disso. 

Era firme na luta contra a violência policial, que por fim, lhe alcançou.

Um dia antes a vereadora havia, comentando o assassinato do jovem Matheus Melo pela polícia, criticado a violência policial no Rio. Marielle chegou a nomear de "Batalhão da Morte" o 41 Batalhão da PM no Rio de Janeiro. 

Era uma lutadora e pagou o preço.

Não tenho nenhuma dúvida de que se a investigação for séria irá dar naqueles que recebem armas, coletes e salários para "servir e proteger".

Enquanto a Globo, e demais veículos de comunicação, tentam vender o projeto vampiresco de Michel Temer, de um enfrentamento da violência que estaria dando certo, a morte da vereadora Marielle demonstra, cabalmente, que o Rio de Janeiro continua o Rio de Janeiro.

Que a morte dessa guerreira não seja em vão.

terça-feira, 13 de março de 2018

ERROS DO IBOPE

A piada do mês é a publicação da pesquisa IBOPE segundo a qual o eleitor brasileiro prefere candidatos pobres. 

A pesquisa indica, segundo o jornal Folha de São Paulo/UOL, que 52% do eleitorado brasileiro prefere candidato pobre. É mesmo?

Se fosse verdade tal notícia não teríamos, em cada Estado, velhas Oligarquias que se perpetuam no poder as custas de muito dinheiro investido em compra de votos à época das eleições.

Por acaso a família Sarney é pobre? A família Siqueira Campos é pobre? A família Barbalho é pobre?

Isso leva a outra questão, a seriedade desses institutos de pesquisa. 

A contradição é a mesma pesquisa indicar que 79% destes mesmos eleitores prefiram candidatos que acreditem em Deus. Qualquer pessoa, por pouco estudo e bom senso que tenha, sabe que pobreza e Deus não habitam a mesma casa.

Desde o desenvolvimento do capitalismo, e da Reforma Protestante, ficou consagrado que a prosperidade é sinal da graça de Deus e prosperidade é sinônimo de riqueza e não de pobreza.

Se tem uma coisa que Deus, os ricos e os próprios pobres não toleram é pobre. Apenas o IBOPE não sabe disso.

sábado, 10 de março de 2018

CARAJÁS CENTRO DE CONVENÇÕES LEONILDO BORGES ROCHA DE MARABÁ-PA: UMA OBRA PÚBLICA PARA ATENDER INTERESSES PRIVADOS

A primeira experiência do inferno para quem precisa de atendimento no sistema público de saúde em Marabá-PA é o ingresso nesse sistema. Nos bairros, o cidadão é atendido por enfermeiras que se passam por médico e, no Hospital Municipal de Marabá (HMM), por médicos mal preparados, desinteressados e, quando querem realizar o trabalho com alguma qualidade, sem equipamentos para o fazê-lo. É nessa cidade, de caos absoluto - porque instalado em todas as instâncias do poder público - que o governo Estadual, que em mais de 10 anos nunca conseguiu concluir a construção do Hospital Regional, gastou mais de 31 milhões de reais para construir um moderníssimo centro de convenções cuja principal serventia tem sido constituir-se em espaço para a realizações de shows organizados por particulares.

Em 2014 acompanhei o drama de uma amiga-irmã que, depois de dias sobre uma maca, morreu no Hospital Municipal de Marabá à espera de uma vaga no Hospital Regional, localizado apenas a alguns metros de onde foi declarado, quase à míngua, o seu óbito. Há uma loteria da morte em Marabá. Se o caso for de urgência, vive o paciente que tem relações públicas suficientes para, por intervenção de padrinho político, ter transferência para o Hospital Regional, único local com profissionais e equipamentos especializados no região.

Pé amputado no HMM encontrado em outro bairro da cidade.
Em 2017 estive com uma de minhas filhas precisando de atendimento pediátrico no Hospital Municipal. Adultos e crianças misturam-se e compartilham doenças sem qualquer tipo de cuidado ou de reserva de espaço, a não ser uma espécie de alojamento para as crianças que já estão internadas. No espaço interno, entre os dois pavilhões, urubus alimentavam-se do lixo hospitalar que, naquele dia, por volta de 9h da manhã, ainda não tinha sido recolhido. Fedor, misturas de pessoas e doenças, barulho, e atraso dos médicos - muitos aparecem apenas no final do seu turno para, em 15, 20 minutos atender as dezenas de pessoas que se amontoam com suas dores e seus vírus a infectar a pouca saúde que possa existir nesse ambiente pavoroso - é a descrição, ainda imperfeita, do que é o sistema público de saúde em Marabá.

Foi para atenuar esse inferno que o juiz federal do trabalho Jônatas Andrade, exemplo de servidor público, sequestrou 5 milhões dos fundos da secretaria de saúde para, ele mesmo, providenciar uma reforma no hospital, aquisição de suprimentos, remédios, equipamentos e pagamentos de salários atrasados dos servidores.

Em que pese toda essa desgraça, o governo do Estado desembolsou mais de 31 milhões para poder oferecer, aos empresários de Marabá, um espaço para a realização de shows. Embora qualquer espírito pouco desenvolvido possa concluir que a função do Estado é garantir o privilégio das elites, e não o atendimento às pessoas, ainda assim, é de doer que seja essa a prioridade do poder público num lugar tão pobre e de gente tão sofrida.

Os grandes eventos do Carajás Centro de Convenções, apenas para dar exemplo do que acontecerá no mês de março, é a comédia do Rafael Cortez dia 10, com ingressos a partir de R$ 60 e o show da Marília Mendonça dia 24, com ingressos entre R$ 50 e R$ 100. Informou-me um funcionário, que não quis identificar-se, que as taxas  pagas pelos promotores desses eventos nem sempre cobrem os custos dos reparos necessários provocados pelos frequentadores desses shows. Trata-se, puro e simplesmente, de dinheiro do povo investido em favor dos empresários da cidade, e não do povo que morre, na falta de tudo.

quinta-feira, 8 de março de 2018

CHUVA DE HONESTIDADE

Por Flávio Leandro

Quando o ronco feroz do carro pipa,
Cobre a força do aboio do vaqueiro
Quando o gado berrando no terreiro,
Se despede da vida e do peão
Quando verde eu procuro pelo chão,
Não encontro mais nem mandacaru
Dá tristeza ter que viver no sul,
pra morrer de saudades do sertão.

Eu sei que a chuva é pouca
e que o chão é quente
Mas tem mão boba enganando a gente,
Secando o verde da irrigação
Não! Eu não quero enchentes de caridade
Só quero chuva de honestidade
Molhando as terras do meu sertão.

Eu pensei que tivesse resolvida
Essa forma de vida tão medonha
Mas, ainda me matam de vergonha
Os currais, coronéis e suas cercas
Eu pensei nunca mais sofrer da seca
No nordeste do século XXI
Onde até o voo troncho do anum
Fez progresso e teve evolução.

Israel é mais seco que o Nordeste
No entanto se investe e tem fartura
Dando força total à agricultura
Faz brotar folha verde no deserto
Dá pra ver que o desmando aqui é certo
Sobra voto, mas falta competência
Pra tirar das cacimbas da ciência
Agua doce que regule a plantação.

domingo, 4 de março de 2018

O MELHOR DE WILLIAM BUTLER

AEDH DESEJA OS TECIDOS DOS CÉUS


Mas eu, sendo pobre, tenho apenas os 

meus sonhos.

Eu estendi meus sonhos sob os teus pés

Caminha suavemente, pois caminhas 

sobre meus sonhos.