terça-feira, 4 de outubro de 2011

SINDICATO E CONSCIÊNCIA DE CLASSE

Discutir o atual papel dos sindicatos nas lutas de classe é uma questão que requer um tempo que, no momento, não disponho. Todavia, o contexto atual requer essa reflexão, mesmo que seja apressada, o que impossibilita conclusões finais.


É fato que cada vez mais os trabalhadores têm ido à luta. É verdade, todavia, que essa ida à luta tem acontecido em forma de bloco. Cada grupo de trabalhador luta por aquilo que acredita ser interesse apenas do seu grupo, na maioria dos casos, a luta pela melhoria de salário camuflada num discurso mais amplo que inclui melhorias das condições de trabalho subentendida como condição para a excelência dos serviço prestado pelo grupo. Isso significa que não há uma consciência coletiva da parte do trabalhador, e aqui estou considerando o caso do servidor público, onde essa consciência de conjunto teria melhor chance de florescer.


No Brasil a CUT parece tornar singular anseios que são plurais. Assim, todo sindicato arroga para a sua causa o apoio desse órgão, como se esse apoio certificasse uma validade supra-local, ou supra-grupo. Mas, embora nas faixas apareça quase sempre esse apoio manifesto, isso não é suficiente para unir grupos diferentes em torno de uma causa comum. O exemplo mais esclarecedor dessa afirmativa são as greves dos profissionais da Educação. A CNTE, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, é o verdadeiro elefante branco da história política desse segmento.  Não fosse assim, a greve dos professores de Minas Gerais teria recebido o apoio dos professores de outros estados. E pior, em Minas encerrou uma greve, logo começou a greve dos professores no Pará. Concomitante, os educadores no Ceará também encaminham as suas reivindicações através da greve, como o fazem os professores dos Institutos Federais de Educação e como têm deliberado, no mesmo sentido, os professores no Estado de Mato Grosso. Então, vê-se que a educação pública brasileira encontra-se em convulsão, mas o problema é que cada região luta em bloco, não há nenhuma articulação para fortalecer a luta através de alguma prática solidária ou de conjunto.

Recentemente participei de uma Assembléia da categoria em que se discutia a situação dos profissionais do Magistério do Município de Marabá. Fiquei pasmo, um professor retirou-se do recinto porque deliberou-se cortar a oferta de guias para consultas médicas com que eram beneficiados alguns sindicalizados e que, conforme a diretoria, estava dificultando a existência do Sindicato enquanto representante da classe porque o onerava e dificultava, por isso, outras práticas que carecem de recursos. 

Percebe-se, portanto, que há uma dificuldade relativa a tomada de consciência. Não somos apenas bancários, funcionários dos correios ou professores, somos trabalhadores. E nessa ausência de consciência de classe, o sindicato também termina por instrumentalizar-se; da parte do sindicalizado, o assistencialismo; da parte de algumas diretorias - acredito, sinceramente, não ser o caso da diretoria regional do Sintepp Marabá - a luta por espaço político dentro do governo e por promoções pessoais, mesmo que seja a publicidade pessoal que dê margem a uma futura candidatura a algum cargo no legislativo.

São imensos desafios que precisamos transpor. E é preciso fazê-lo. O sindicato é o canal legal para a luta, sobretudo quando se trata de greve. Mas a existência do sindicato não deixa de ser uma armadilha, porque encaminha a luta ao canal próprio do Estado, a burocracia. Ruim com ele, ao que parece, pior sem ele. Então, dito tudo isso, ainda concluo por não concluir, mas se é necessário fazer apreciações, conclamo à luta, com o sindicato e revestido da consciência de classe, aprendizado ainda necessário à categoria dos profissionais da educação, mas não apenas a esse grupo que luta sozinho. É preciso que, na singularidade de cada um, e de cada luta, exista um interesse universalizado que pluralize o que parece singular.