terça-feira, 29 de maio de 2012

COMO NÃO PAGAR A INSCRIÇÃO DO ENEM

Primeiro é preciso que o candidato entenda que a isenção é privilégio de pessoas de baixa renda. O Governo Federal tem feito um grande esforço de inclusão das pessoas mais carentes. É fato que existem pessoas em nosso país que deixam de fazer a inscrição simplesmente porque lhes falta dinheiro para pagar a taxa. Foi pensando nisso que o governo torna isento um grande número de pessoas.

Mas para conseguir o benefício é preciso ser sincero nas declarações. Algumas pessoas acreditam que sendo sinceros nas respostas e, assim parecendo ser, de fato, pobre, pode lhes atrapalhar no ingresso em uma possível faculdade particular. Isso é uma bobagem porque o INEP, que é instituto que organiza as informações e inscrições, não fornece tais informações para estas instituições.

Quando o aluno se declara estudante de escola pública, no ensino fundamental e médio, e declara as reais condições de vida da sua família, a opção de carência aparece no final da página, ao lado da frase GERAR BOLETO. O aluno da rede pública não precisa gerar boleto, BASTA DECLARAR CARÊNCIA.  

INSCRIÇÕES ENEM 2012: JÁ ESTÃO ABERTAS

Já se encontram abertas as inscrições para o ENEM 2012. É importante que o aluno entenda que, como já disse aqui, hoje a nota do ENEM é imprescindível para quem deseja entrar na Universidade. Para se increver o aluno deve acessar o portal http://www.enem.inep.gov.br/ e seguir o passo-a-passo como orienta a página do Inep. As inscrições, a se iniciaram ontem, vão até o dia 15 de junho.

Todas as pessoas podem se inscrever no ENEM. Quase todas as grandes universidades do país aceitam a nota do ENEM como critério de ingresso em seus cursos. Não são apenas concluintes do ensino médio que podem fazer a prova. Alunos do primeiro ano, que alcançarem bom desempenho na avaliação, podem solicitar, a partir desse desempenho, seu certificado de conclusão do ensino médio e, ao mesmo tempo, já ingressar numa universidade pública ou privada.

Não importa a idade. Se me minha tia-avó desejar fazer o ENEM, também pode. E, alcançando média, ela também poderá ingressar numa universidade com a nota do ENEM.

Além disso, o PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS utiliza o número de inscrição do ENEM como chave de acesso aos seus benefícios. É claro que não basta ter  um número de inscrição, o número de inscrição é a senha de acesso para o seu desempenho, o que o classifica na disputa com outras pessoas que também se inscrevem para ganhar tais benefícios.     
  

sábado, 26 de maio de 2012

AMOR, ESTRANHO AMOR: A XUXA EM PROMOÇÃO

Faça sua leitura do que essa feição está dizendo...
Vi no último dia 20/05, domingo, a entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, concedida pela apresentadora Xuxa em que ela, num esforço de semblante angelical, dizia ao Brasil que ainda era o modelo a ser seguido. Ela, como princesa que sempre pretendeu ser, posou de anjinho e, talvez porque anda desaparecida, inovou seu repertório incluindo desde convite de casamento feito pelo rei do pop, até abuso sexual sofrido na infância.

Tenho impressão que cada vez mais somos empurrados para o abismo. A TV, maior entretenimento em nosso país valoriza o lixo e o lixo se torna a jóia do momento, em todos os momentos.

Sem Chico Anysio, com o Jô apenas nas madrugadas, com programas de quinta, como a Zorra e os Caras de Pau [verdadeiras porcarias], a globo busca no passado, resgatar o seu presente. O problema é que, nesse caso, o passado também era um lixo. 

Seria essa uma influência do rei do pop??
É até lastimavel que uma geração inteira tenha tido essa senhora, [senhora apenas na idade] como referência. E porque, agora, a Rede Globo tá fazendo esse esforço todo de promoção da imagem da Xuxa? Sim, promoção da imagem. Ou será que alguém, por mais ingênuo que seja, pode pensar que tudo dito na entrevista foi espontâneo? Será que alguém ignore os propósitos da entrevista? Será que alguém ignore de onde partiu a iniciativa de se fazer tal entrevista?

Essa é a Xuxa, pedófila, que serviu de modelo para nossas crianças.
Mas quero lembrar, pelo menos a despeito do abuso sexual, que foi a mesma Xuxa que gravou um filme "amor, estranho amor" em que a mesma aparece em cenas eróticas com um garotinho de apenas 12 anos. E aí? A Xuxa sempre viveu do desvirtuamento das nossas crianças. A Xuxa sempre foi um grande mal para uma geração inteira.

Quanto à proposta de casamento, é complicado. Um pedófilo, o rei do pop, que sempre gostou de menininhos, e a rainha dos baixinhos... termino por achar que era a união perfeita.De qualquer modo, o coitado não está mais entre os vivos para poder dizer alguma coisa; então, por essa razão, fica o dito pelo não dito.

terça-feira, 22 de maio de 2012

AS FOTOS DA CAROLINA DIECKMANN NUA


A beleza ou a imagem pública que chamam a atenção?
O alarde da imprensa não foi também uma invasão de privacidade?

Certo dia, ainda no amanhecer da minha vida, vi escrito numa caixa velha que servira para o transporte de livros, um trecho de “O livro e a América” de Castro Alves e, encantado li: “oh! Bendito o que semeia livros.... livros à mão cheia... e manda o povo pensar! Me percebi, como num estalo, pensando sobre a importância do livro para o desenvolvimento do pensamento, que a minha pouca idade e estudo não permitiam entender como senso crítico. E o mais poderoso era a sequência seguinte: “o livro caindo n’alma é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar”. O segundo encanto com a leitura, depois deste primeiro, foi quando em Goiânia, folheando um jornal velho me deparei com um artigo cuja temática pornográfica conduziu-me a um texto sobre o câncer. O autor do texto, portador da doença, se explicava dizendo que para chamar a atenção dos goianos para a situação do hospital do câncer de Goiânia, era preciso falar de sexo. É o mesmo recurso de linguagem que estou utilizando, aqui, para falar do professor.

Poucas linhas me parece bastarem. Sou professor, como já é do conhecimento dos meus leitores, e quero mais uma vez, ante a proximidade das eleições municipais, rebelar-me com o uso político do tema educação. Todos utilizarão essa pobre meretriz como argumento sensual para seus discursos mal intencionados. O sofismo destes canalhas públicos chega mesmo a me deixar em choque. Não sei se me deixo fascinar, ante analfabetos que não sabem escrever ou interpretar leis, mas que produzem discursos dignos dos melhores sofistas gregos, ou se me rebelo ante a falsidade intrínseca a estes discursos.

Trocar o tempo do Big Brother por um livro, isso sim seria fantástico.
E qual o resultado disso? E como se porta o professor? O resultado é, de um lado, a bela audiência dos circos de horrores como os realitys shows e seus similares, cito o alarde sobre as fotos da Carolina Dieckmann, e uma nação que ainda não descobriu o caminha da leitura, da percepção de si, do seu contexto e do senso crítico sobre si e o seu contexto. De outro lado, profissionais da educação que constituem um modelo dessa sociedade na qual estão integrados, também estes sem percepção de si; sem a devida noção do seu poder e das suas possibilidades.

É preciso que livros sejam mais interessantes que big-brothers. É preciso que livros sejam interessantes.

Mas não estou falando de qualquer livro. É preciso, também no caso do livro, não bestalizar ainda mais a nossa sociedade. Nesse sentido, a primeira dica é fugir dos best-sellers tipo Augusto Cury e outras porcarias que tentam dar receitas de soluções fáceis e de uma vida que desintegra o indivíduo do seu contexto sócio-histórico.

Precisamos sim desejar a nudez. Precisamos do nu. Mas, a nudez não pode ser apenas da Carolina Diechmann; mais importante é desnudar a nossa realidade para compreendê-la e compreendê-la para transformá-la. Essa é missão do professor. O professor, e as professoras, devem ser agentes da desnudação.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO BRASILEIRA - TEXTO PARA ALUNOS DA 6a SÉRIE

Mapa das rotas das navegações espanholas e portuguesas.

Caríssimos, estamos falando sobre a colonização do Brasil. Sobre esse assunto, todos precisam entender o sentido da palavra colonização; o que os historiadores, e o professor, querem dizer quando dizem que o Brasil foi colonizado. Além disso, para entender esse assunto é preciso compreender a relação das cruzadas com a descoberta e comércio das especiarias e da busca das especiarias com a navegação, e da navegação com a chegada dos europeus aqui no Brasil.

Pois bem, a expressão colonização tem a ver com os verbos civilizar, exterminar, explorar, povoar, conquistar, dominar e destruir. Sabemos que os termos civilizar, explorar, exterminar, conquistar, dominar e destruir estão diretamente ligados às relações de poder de uma determinada civilização sobre outra. No caso do Brasil esse conjunto de palavras ganhou sentido na forma como os europeus portugueses iniciaram o massacre dos povos indígenas brasileiros. É por isso que tenho lhes dito sempre que a expressão descobrimento não tem sentido, posto que não houve descobrimento, mas o início da exploração, massacre e destruição de povos, culturas e natureza na América.


Entendido o sentido da expressão colonização, passemos a entender como o início da colonização se relaciona com as cruzadas. Pois bem, foi durante as cruzadas (guerra santa entre cristãos e muçulmanos) que os europeus conheceram o lucrativo comércio de especiarias. As especiarias eram negociadas pelos turcos com os genoveses e venezianos e estes negociavam com outros povos europeus. O desejo de maximizar os lucros com esse comércio motivou algumas nações a se aventurarem no mar num movimento que ficou conhecido como “as grandes navegações”.


Mas é importante dizer que não era apenas as especiarias que interessavam. Os europeus queriam o domínio sobre novas terras para poder obter matérias-primas, metais preciosos e produtos não encontrados na Europa.


Quanto à chegada dos europeus na América, primeiro chegaram os espanhóis, em 1492, depois chegaram os portugueses, em 1500. Foi o desejo de apoderarem-se de novas terras que levaram os portugueses a procurá-las. E acabaram chegando em nossas terras. No entanto, a história tradicional costuma dizer que foi um erro de navegação que trouxe os europeus até aqui. Mas, isso é improvável uma vez que já em 1494, portanto 6 anos antes de os portugueses chegarem ao Brasil, Portugal e Espanha já haviam assinado um acordo, conhecido como Tratado de Tordesilhas, através do qual dividiam as terras da América entre si, o que incluía as terras do que viria a ser o Brasil.
Como já disse, as viagens era uma aventura que
muitas vezes terminava em tragédia.
Chegados em 1500, logo se iniciou a exploração do território. As terras começaram a serem devastadas. A mata atlântica, rica numa madeira nomeada como pau-brasil, foi a primeira vegetação a ser destruída. Esse foi o primeiro problema ambiental relacionado com a colonização, muitos outros viriam depois.


A mão-de-obra utilizada na destruição da mata foi o trabalho indígena. Os índios, a troco de objetos sem valor trabalharam para o enriquecimento dos portugueses. As famílias indígenas foram convidados a descerem de suas aldeias para as missões (uma espécie de vila) dos padres. Nas missões aprendiam português e se tornavam cristãos. E como bons cristãos, se deixaram embriagar, prostituir, escravizar... e quando nada mais suportavam, muitos entregavam-se à morte tendo no suicídio a única forma de fugir de tamanha exploração.

terça-feira, 8 de maio de 2012

PAULO FREIRE - PROFESSORA SIM, TIA NÃO: UMA LEITURA ATUAL.


Tive, em alguns momentos da minha vida acadêmica, e depois docente, a oportunidade de ler escritos de Paulo Freire. Penso que o conjunto da obra intelectual desse educador constitui leitura imprescindível a qualquer educador que trabalhe num contexto sócio-econômico e político similar ao brasileiro, o que faz a obra atual para além dos limites das fronteiras do nosso país. Pedagogia da autonomia é um clássico cujo título é síntese da obra. Mas, se pedagogia da autonomia é um clássico, professora sim, tia não é um manual de conhecimento necessário a todos aqueles que trabalham em escolas e pretendem significar a sua docência ultrapassando o sentido da servilidade e da estéril reprodução das desigualdades sociais, como se por ser um fato dado, essa realidade não seja carente de transformação.
Professora sim, tia não é uma insurgência contra o papel de tia que, segundo o autor, se pretendeu à identidade da professora. O não ser tia, contudo, não é desafeto. O afeto deve existir, mas não pode emanar de uma pretensa filiação, ou de qualquer relação paternalista.  Coerência e política são expressões recorrentes no texto porque são valores distintivos entre a professora, que assume posições políticas e é coerente, e a tia, que anima e acalenta, porque pensa o seu fazer como uma extensão das relações familiares.
A formação continuidade, um compromisso, e a ousadia como valor, são fundamentos caracterizadores da professora. Nas palavras de Freire (1997: 9):

O processo de ensinar, que implica o de educar e vice-versa, envolve a “paixão de conhecer” que nos insere numa busca prazerosa, ainda que nada fácil. Por isso é que uma das razões da necessidade da ousadia de quem se quer fazer professora, educadora, é a disposição pela briga justa, lúcida, em defesa de seus direitos como no sentido da criação das conceições para a alegria na escola, um dos sonhos de Snyders[1]

Muito própria à nossa realidade a exigência de que a professora assuma uma “briga justa” e “lúcida” em defesa de seus direitos. De fato, não dá pra esperar que uma tia lute por direitos. Fazer profissional tem preço, paternalismo não. Então, somente professoras podem lutar pela defesa da educação com qualidade, o que implica valorização de si.
Nesse sentido, tias não são as professoras chamadas de tias, ou as tias efetivamente. Tias e tios são professoras e professores que tornam o fazer docente um exercício profissional inferior, porque se deixam submeter, seja por falta de qualidade intelectual para lutar, seja por covardia frente às opressões e ameaças. Existem tias e tios em excesso no interior de nossas escolas, e essa é a razão de nossa educação encontrar-se no pé em que está.
Como esperar de uma pessoa que não luta por seus próprios interesses, que lute por alguma coisa que seja digna? Como esperar de uma pessoa que não defende condições melhores de trabalho e valorização da sua prática, que possa contribuir para que nossa educação seja melhor em qualquer sentido? Como esperar alguma coisa de alguém que não espera nada de si próprio? Como transformar o nosso sistema de ensino tendo de lidar com tantas tias e tios no interior das escolas?
Tornou-se comum a definição da educação como ponte entre a miséria e condições mais dignas de vida para a imensa massa de miseráveis do nosso país. Os discursos políticos não deixam dúvida de que também eles sabem do caminho das pedras. E todos sabem que a educação, mas não essa educação que temos, é a solução. Todos sabem. Mas ninguém, no universo político-administrativo, parece disposto a fazer alguma coisa no sentido de superação dos problemas. A sociedade, que entrega seus filhos à escola como se esta devesse substituir a família, tão pouco colabora para a superação do caos em que repousa o nosso sistema educacional.
Se nenhum sujeito externo –e nesse caso considero que os administradores públicos se portam como sujeitos externos –se interessa por colaborar com a solução dos problemas, é preciso apostar na transmutação das tias e tios em professoras e professores esperando daí o advento da revolução que torne a educação meio de emancipação política do nosso povo. É por isso que não me resta nenhuma dúvida que a leitura de professora sim, tia não deveria ser obrigatória em todos os cursos de licenciatura.


Bibliografia:

FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Editora Olho D`água, 1997. 


[1] GEORGES, Snyders. La Joie à L’école. Paris: Puf, 1986.

terça-feira, 1 de maio de 2012

História da África e Cultura Afro-Brasileira em Sala de Aula


Considerações no contexto de formação[1]

A valorização da cultura afro no espaço escolar também
é atribuição docente.
A aprovação da Lei 10639/2003, que instituiu os trabalhos com a história e a cultura africana no currículo escolar, suscitou uma série de debates a cerca do conteúdo, das competências e habilidades demandadas por esse dispositivo legal. Requereu-se das escolas, e dos docentes, um novo posicionamento frente à temática. No entanto, são muitos os desafios que se interpõem a uma efetiva prática docente no sentido de tornar a Lei exequível. Reconhece-se, todavia, a disposição da Lei em impor um deslocamento da visão simplista com que se tem pensado a questão negra no Brasil em favor de um posicionamento que reconheça o papel do negro na constituição do país; que torne visível o racismo, para poder combatê-lo; que reconheça toda a diversidade cultural, e a contribuição das matrizes africanas para com essa diversidade. Nesse sentido, ao se propor essa temática como foco de discussão para esse nosso encontro se pretende que aqui, no encontro de professores e professoras da área de história, possamos problematizar a nossa prática e, ao mesmo tempo, formular pressupostos de superação dos dilemas relacionais à questão negra na sala de aula.
Marc Ferro (1983) afirma com muita propriedade que “a imagem que fazemos de outros povos, e de nós mesmos, está associada à história que nos ensinaram quando éramos criança”, segundo o historiador, essa história ensinada desde cedo “nos marca para o resto da vida”. É evidente, portanto, que a forma como a sociedade brasileira pensa o negro em nosso país está relacionada com a nossa própria prática de ensino, como ensinamos nossos discentes, inclusive negros, a pensar o negro. Nesse sentido, várias são as questões que poderiam ser propostas para a problematização da nossa prática pedagógica. De início, é preciso admitir que a Lei 10.639/2003 foi criada num contexto de política afirmativa, ou seja, a sua edição visou, antes de tudo, corrigir uma falha do próprio sistema de ensino que, na visão dos seus idealizadores, tinha uma dívida histórica para com os afro-descendentes. E essa dívida, verdade seja dita, foi construída com a nossa contribuição, historiadores que, mais de uma vez, fomos envolvidos num projeto de nação pensada a partir da Europa. 
Um dos aspectos a ser debatido diz respeito aos padrões estéticos.
É preciso valorizar a beleza negra. É preciso deixar o negro aparecer.

Para Ciro Flamarion Cardoso (1988), até a primeira metade da década de 80 do século XX a história fazia uma representação marginal do negro. Analisando os trabalhos de historiadores como Caio Prado e Celso Furtado, em relação aos quais há quase uma unanimidade quanto a importância dos seus trabalhos para o entendimento da história do Brasil, Cardoso avalia que o negro aparece nessas escritas da história como acessório de determinados modelos de produção econômica. O ponto de partida, quando se fala do negro, não é o negro enquanto sujeito da história, mas o negro enquanto mão-de-obra, eixo temático das narrações históricas. Para o autor, houve uma tendência de explicação da produção econômica no Brasil, que empregava mão-de-obra escrava, como se a dinâmica em todos os lugares seguisse o mesmo padrão, variando apenas o tipo de atividade desenvolvida, e não os diversos contextos. Para ele, esse modelo de narração histórica deveria considerar, primeiramente “a diferenciação das estruturas produtivas baseadas no trabalho escravo”. (CARDOSO, 1988:35).
Para Cardoso (op. cit.) haviam graves lacunas na historiografia brasileira no que diz respeito ao escravo e à escravidão. As lacunas, por si, indicam uma tendência de marginalização da história da escravidão e do escravo. Não interessa os marginais. Interessa a economia e o colonizador; depois, com a independência e com a República, interessava o progresso e uma identidade nacional, livre desse mal que antes havia sido necessário. 
Estabeleceu-se a Lei como tentativa de reparação da dívida do próprio Estado para com milhões de brasileiros. Mas, como sabemos, uma coisa é a Lei, outra as possibilidades para a sua aplicação. Desse modo, duas questões se impõem: a formação docente do profissional da área de história e o material didático disponibilizado nas escolas para se trabalhar com essa temática. 
No que diz respeito à formação docente, nesse aspecto é deficiente porque somos professores eurocentristas porque nossa formação também o foi. O modelo de história antiga, média, moderna e contemporânea segue a noção de progresso contínuo da civilização branca européia; e depois, essa forma de pensar a história no espaço acadêmico foi transposta para o espaço da sala de aula, de modo que seguimos, em nossas aulas, o mesmo modelo de ensino que, salvo poucas exceções, nos foi imposto durante a nossa própria formação. 
Especialista em estudos afro, Munanga Kabengele (2005) considera que a formação de professores que não tiveram em sua base de formação a História da África, a cultura do negro no Brasil e a própria história do negro de um modo geral se constitui no problema crucial das novas leis que implementaram o ensino da disciplina nas escolas. E isso não simplesmente por causa da falta de conhecimento teórico, mas, principalmente, porque o estudo dessa temática implica no enfrentamento e derrubada do mito da democracia racial que paira sobre o imaginário da grande maioria dos professores.
Muito reproduzida nos livros didáticos, essa imagem que inferioriza
o negro possibilita a discussão sobre sua função enquanto mediadora
de aprendizagem.
No que diz respeito aos livros didáticos e a forma como abordam a história e cultura afro, além circunscrever a temática a poucas linhas ainda a apresentam sob um viés europeu, bem próprio do que Edward Said chamou de orientalismo[2]. Esse ciclo, formação e material de apoio ao trabalho docente se fecha quando olhamos para a produção acadêmica que se põe como suporte à formação continuada. Nesse caso, existem vários artigos, livros e pesquisas que discutem a formação de professores (CATANI, 1997; BRZEZINSKI, 1996; BUENO; CATANI; SOUSA, 1998; PIMENTA, 1995; NÓVOA, 1992; PERRENOUD, 2002), mas muito pouco no que se refere à articulação desta com a Cultura e História Negra e Africana. Isto se deve ao fato de que cursos desta natureza ainda são incipientes no quadro educacional brasileiro e só passaram a ter relevância no momento em que obtiveram o status de obrigatórios, instituído pela Resolução nº 01/04 do CNE, que exige a inclusão da temática tanto na formação inicial como na formação continuada de professores. 
É preciso ponderar, no entanto, que se há uma dificuldade de acesso a informações escritas sobre a África, e sobre a própria história cotidiana, e de resistência dos negros no Brasil (CARDOSO, 1988:41), então vias alternativas fazem-se necessárias. O conhecimento da história e valorização da cultura afro só se desvela a partir de fontes e leituras alternativas. Só se acessa a história dos marginais (SCHMITT, 2001) quando há uma alteridade que desloca a oposição do seu nível hierárquico para um novo sentido em que a descoberta da diferença não implique juízo de valor. 
Toda sociedade tem, em seu interior, os seus marginalizados, aqueles aos quais se nega o direito à história. Assim, quando se tem como objeto os negros, ou uma minoria, a temática em questão é a história marginal, porque foram excluídos da história. A resignificação da nossa prática, o que também pode ser feito a partir desses momentos formativos, deve contribuir para com a visibilidade destes segmentos negados pela tradição histórica.

Bibliografia:

BRZEZINSKI, Iria. Pedagoga, pedagogos e formação de professores: busca e movimento. Campinas: Papirus, 1996. 
BUENO, Belmira Oliveira; CATANI, Denice Barbara; SOUSA, Cyntia Pereira. A vida e o ofício dos professores: formação contínua, autobiografia e pesquisa em colaboração. São Paulo: Escrituras Editora, 1998.
CARDOSO, Ciro Flamarion. A escravidão no Brasil: novas perspectivas. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1988.
CATANI, Denice Barbara. (Org.) Docência, memória e gênero: estudos sobre formação. São Paulo: Escritura, 1997.
FERRO, Marc. A manipulação da história no ensino e nos meios de comunicação. São Paulo: Ibrasa, 1983.
NÓVOA, Antônio. Formação de professores e profissão docente. In: NÓVOA, Antônio. Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992. 
PERRENOUD, Philippe. A prática reflexiva no ofício de professores: Profissionalização e Razão Pedagógica. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.
PIMENTA, Selma Garrido. O estágio na formação de professores: unidade teoria e prática? São Paulo: Cortez, 1995.
MUNANGA. K. Lei 10.639/03: depoimento. In: CASTRO, Fabio de. Entrevista. São Paulo: 2005. Disponível em: . Acesso: 29 abr. 2012.
SCHMITT, Jean-Claude. A história dos marginais. In: LE GOFF, Jacques.  A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1993.


[1] Texto elaborado para o 3º encontro de 2012 dos professores em formação, 4ª ure, Marabá. Também disponível em: www.amigodahistoria.blospot.com.
[2] O Oriente como invenção do Ocidente.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

MEDIOCRIDADE E EDUCAÇÃO: UMA REFLEXÃO SOBRE PROFESSORES MEDÍOCRES

Livro, além de uma arma contra a polícia, é também o
o terror de professores medíocres, que não têm
nenhum gosto pela leitura.
Todo cidadão brasileiro sabe que a educação em nosso país se encontra num estado cuja gravidade urge por solução. O que poucos sabem é que a doença demanda cura também dos professores. Os docentes estão doentes. Alguns afetados por enfermidades físicas, mas prevalece a mediocridade como enfermidade maior entre esses profissionais.

Já que estou escrevendo, vou pôr de lado o vil sentimento que geralmente trava nossa comunicação e nos obriga a meios-termos; não quero usar meios-termos, e para ser assim tão verdadeiro, começo por dizer que um elemento fundamental na promoção da mediocridade no espaço da escola é a contratação temporária de professores. São eles, os contratados, os mais medíocres entre todos.

Ministrador de aulas medíocres, o professor medíocre
em nada contribui para mudar esse quadro.
A mediocridade é multiforme. Vai desde a qualidade intelectual e didático-metodológica à qualidade do exemplo no que diz respeito à cidadania. Mas não são apenas os “contratos”, medíocres são muitos colegas professores e professoras que em nada contribuem para a melhoria da qualidade do ensino.

Fui professor da Rede Estadual de Ensino do Estado de Goiás, como contrato e depois efetivo. Fui professor na Rede Municipal do Município de Niquelândia, Águas Lindas de Goiás; na Rede Estadual de Ensino do Estado do Pará e na Rede Municipal de Marabá. Em todos esses espaços vi mediocridade.

Não digo que não fui medíocre em muitas ocasiões. Mas sei que não deixei prevalecer a mediocridade.

Professores medíocres não se mobilizam. No intervalo, como vejo quase todos os dias em uma escola em que trabalho, falam das suas doenças e dos remédios porque professores medíocres quase sempre estão doentes. Professores medíocres passam o ano inteiro sem ler um livro, e ainda pretendem que seus alunos sejam leitores. Professores medíocres não inovam e seus alunos não aprendem, mesmo assim todos têm excelentes notas, em alguns casos, a mesma nota para todos. Professores medíocres se ressentem contra quem “é do movimento” porque justificam sua acomodação como exercício da ordem, sem saber que a ordem no Brasil é desigual, injusta e covarde. Professores medíocres atrasam o nosso país, mas agradam aos políticos, porque geralmente são apadrinhados por estes.

A essa pergunta, considerando docentes medíocres,
 dever-se-ia responder sim. Importância não é dada,
é conquista.
Professores medíocres têm tudo a ver com a decadência da educação brasileira. Professores precisam de salário melhor? Claro, precisa. Mas, a solução não está aí somente. É preciso melhoria de salário, mas também de qualificação intelectual e didático-metodológica dos professores e, mais urgente, de professores que têm competência para se comprometer, inclusive competência crítica e cidadã para o exercício da docência.

Eliminar os professores medíocres do espaço escolar, acredito, é medida fundamental para a eliminação da mediocridade na educação. A partir daí, melhoria de salário e das condições de trabalho virá como conseqüência afinal, são os medíocres que travam qualquer conquista.

Quem discordar, que se expresse!

sábado, 21 de abril de 2012

CHEGA DE BANDITISMO EM GOIÁS: FORA MARCONI!!!

IMAGENS DOS FATOS 

1. O QUADRO DO CRIME ORGANIZADO
Quadro do crime organizado em Goiás. Duro é saber que são estes que estão à frente do Estado.


2. A REAÇÃO DO POVO DIANTE DO CRIME E DOS CRIMINOSOS
O povo se mobiliza. 3.000 sem controle, numa sociedade controlada já é uma Revolução

3. A REAÇÃO DO DITADOR
Essa é a linguagem do Estado Autoritário.

O PREFEITO ZÉ LEITÃO E O POVO NA RUA

SERVIDORES DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO
ACAMPADOS EM FRENTE  À PREFEITURA 
DE MARABÁ
O prefeito de Marabá, no sul do Pará, Maurino Magalhães, também conhecido como Zé Leitão, tem dado uma aula de como perder uma prefeitura milionária. Isso é contraditório, porque quem tem a faca e o queijo, e já fatia o queijo, geralmente tende a querer continuar saboreando a vida de rato.
Maurino, o engana povão. As aparências são coincidências para a  nossa reflexão.
A Alcunha de Zé Leitão é uma referência a um personagem popularizado na comédia do cinema brasileiro "ai que vida". Zé Leitão, do filme, e Maurino Magalhães, da vida real, fazem o típico papel do político mentiroso, enganador e que sempre que pode procura tirar vantagens do que é público, em prejuízo do povo.
Em Marabá, enquanto o prefeito mente, usando a mídia e as igrejas evangélicas, o povo marabaense padece tristemente. Por incrível que pareça, num município que tem a maior arrecadação do país, considerando cidades do seu porte, os funcionários foram às ruas no último dia 19/04 para protestar, dentre outras coisas, contra o não pagamento do vale-alimentação, atrasado mais de dois meses.
Mas o próprio vale-alimentação, que é conhecido por aqui como vale-cheiro-verde, já é uma piada. Vejam, Marabá, graças à Vale do Rio Doce e as empresas a ela associada, tem um dos maiores custos de vida do país e, mesmo sendo esse um fato reconhecido pelo próprio poder público, o Vale-Alimentação aqui é de R$ 150,00. E mesmo sendo um valor ínfimo, o Prefeito Zé Leitão prefere mentir para o povo à pagar o tal Vale.
O funcionário público municipal de Marabá, e o povo marabaense em geral, realmente podem dizer “ai que vida!!” similar à comédia de Cícero Filho. No hospital municipal falta tudo, até mesmo luva para os profissionais. Nas ruas, embora a “Leão” que, diz-se é do próprio Zé Leitão, diga que está comendo o lixo, come a carne, mas deixa os ossos apodrecendo nas ruas e Marabá está fétido das mentiras e malandragens engrenadas por Leitão e sua turma.
MEDÍOCRES POLÍTICOS PRODUZIDOS PELO POVO.
E quem poderá nos ajudar? Da parte dos políticos, é difícil dizer. Aparentemente estão, nossos vereadores, muito ocupados negociando cargos, linhas de ônibus escolar e outras “coizitas” com o prefeito. A Prefeitura e a Câmara de Marabá não são espaços de reivindicação do povo, mas espaço de expressão da vontade do prefeito.
O estranho, no entanto, é que, no caso de Marabá, que como já se disse tem a maior arrecadação do país, considerando municípios do seu porte, imaginar-se-ia a continuidade do desejo pelo queijo. Mas a julgar pelas práticas do prefeito ele já se sente de botija cheia. Se o contrário, como explicar, por exemplo, a nomeação para secretário, de fato, quem, mesmo sendo extremamente impopular, já mandava na Secretaria de Educação, o pequeno polegar? Não, isso não tem explicação!  
Hoje, quando se fala de atendimento ou acesso ao bem público municipal, pode-se dizer que falta tudo em Marabá. Nas escolas falta merenda de qualidade aos alunos, ventilação nas salas de aula; no hospital e postos de saúde faltam médicos, remédios, materiais, etc.. Por outro lado, sobram nomeações de parentes do prefeito em cargos que deveria ser ocupado por concursados; sobra nomeações na saúde, abarrotada de pessoas que se esbarram sem nada fazerem; sobra lixo, sobram ratos, sangue e urubus nas ruas de Marabá.