terça-feira, 11 de junho de 2013

A NEURA DO LATTES: QUERMESSE E DOAÇÃO DE SANGUE NO CURRÍCULO




Uma estranha psicopatologia vem tomando uma parcela dos universitários brasileiros e causando rebu entre os psiquiatras. Trata-se da Síndrome Lattes, cujo nome deriva da Plataforma Lattes: distinta entre os estudantes e professores universitários por ser a base do indispensável e burocrático Currículo Lattes.



O Lattes, assim popularmente conhecido, é uma espécie de embarcação meritocrática que facilita a navegação no oceano universitário das vaidades. Considerada uma patologia de grau intenso, a Síndrome Lattes impele o adoentado a montar uma realidade paralela que costuma identificar ao seu currículo que passará a estar repleto de atividades não-acadêmicas, invencionices e ocupações excêntricas. Tudo isso sustentado por uma linguagem privada ou mesmo esquizofrênica. “Quanto mais o infeliz atualiza o Currículo Lattes, seja participando de eventos estranhos ou escrevendo textos esquisitos, mais a contingência por atualizá-lo aumenta”, afirma o Dr. Carlos Aleiva, da USP.



Foi o que aconteceu com Plínio Caldas da Silva, estudante de Ciência Política na UNIFESP da Baixada Santista. Ao passar uma tarde na Quermesse da Gota de Leite, tradicional em Santos, Carlos voltou até sua casa com um comportamento que deixara de ser inabitual. “Carlinhos saiu dizendo que ia realizar um trabalho de campo para uma disciplina de Antropologia. Para mim, apenas uma quermesse. Chegou angustiado em casa, abriu o Currículo Lattes, atualizou, soltou um grito atemorizante e me deu um abraço forte. Semana passada, doou sangue no Hospital Beneficência Portuguesa e pôs no currículo que se tratou de uma participação em evento internacional. Não sabia mais o que fazer e acabei por interná-lo!”, afirmou Maria Neuza da Silva, mãe.