terça-feira, 10 de junho de 2014

ESCRITA SOBRE O NOJO



O esquema cachoeira e as relações com Maroni, crime organizado em Goiás
Sei que não notícia isenta porque o caráter político de cada indivíduo torna todo discurso um campo de disputa. E não há notícia em nenhum meio de comunicação, há discursos. Mas, uma coisa é um discurso permeado por escolhas, por não poder ser neutro, outra coisa é a imprensa, ela própria se tornar panfletária ao pior gosto possível. Panfletos, sob o nome de jornal, é o que temos em Goiás.

Tenho folheado, ao custo de muito nojo, a grande imprensa goiana. Decididamente, “diário da manhã” e “o popular” não podem, para o cidadão consciente, manter o título de jornal. Panfletos com verborreia estruturada, mas ainda assim panfletos.

Para atestar a verdade do que digo trago à análise a edição do dia 10 de junho de 2014 do “jornal do leitor inteligente”, como se nomeia o diário da manhã. O destaque de capa era “Goiás é exemplo para o Brasil”, uma apologia ao governo Marconi. O segundo destaque de capa era “o mistério da multinacional goiana”, matéria sobre suposto crime organizado dentro do grupo JBS, de Júnior Friboi, desafeto de Marconi Perillo.

Na referida edição as primeiras cinco páginas – que são aquelas que o cidadão comum, que geralmente é um leitor preguiçoso, consegue ler com alguma atenção – dão lugar a reportagens sobre como Goiás “está no caminho certo”. Seguem a estas páginas, reportagens sobre como o PMDB, de Friboi, está pobre e sobre como o PT, a segunda oposição de Marconi, está ligado ao crime organizado do grupo Friboi/JBS. A intenção é mostrar que se o PMDB tiver algum recurso de campanha será oriundo do crime organizado do grupo Friboi/JBS, ao qual o próprio PT, através do filho do Lula, estaria ligado.

O jornal dá espaço a três testemunhos pró-Marconi, Jayme Rincón, presidente da AGETOP; Thiago Peixoto, secretário da Educação no governo do Marconi e o tenente coronel da PM Wilmar Rubens Alves Rodrigues, do BPM de Rio Verde. Estas figuras, são elas próprias, a contradição porque constituem provas incontestes de que Goiás está no caminho errado.

Jayme Rincón preside uma das piores empresas do Estado de Goiás, a AGETOP. A empresa consome milhões em obras que depois de alguns meses viram areia e lama. Fato é que em tempos de eleição vira a grande construtora de Goiás, para onde são destinados orçamentos milionários.

Thiago Peixoto, um economista, é o homem mais odiado pelos educadores em Goiás. Talvez, exatamente por isso, sem entender nada de educação, tornou-se secretário desta pasta, prova cabal do descompasso entre educação, segundo os profissionais e educação segundo o governo estadual, que a vê como uma área de onde se deve subtrair, e não acrescentar.

Coronel Wilmar Rubens, não controla o próprio batalhão
Por fim, o terceiro depoente no panfleto pró-Marconi, o tenente coronel Wilmar Rubens. O militar, em seu discurso impresso no jornal dá uma bronca nos colegas de farda que, segundo ele mesmo, ousam questionar o governo Marconi. Vou limitar-me, nesse caso, ao pouco que é noticiado sobre as tragédias envolvendo a PM goiana. Assim, pra começo de conversa, é bom lembrar que recentemente o governo de Goiás foi notificado pelo Ministério Público por uma enxurrada de promoções dentro da PM que estavam resultando na criação de patentes sem usos práticos, os coronéis sem quarteis. Então, desse ponto de vista, o governo pode ter sido muito bom para alguns oficiais, talvez não para os soldados e outros agentes de segurança de baixa patente. Além disso, é bom lembrar que o último escândalo da corporação veio de Rio Verde. Foi lá que a Operação quarteto prendeu militares envolvidos com extorsão, sequestro, tortura e assassinatos; certamente comandados do batalhão do coronel Wilmar Rubens.

Não teria o governador Marconi Perillo, na longa folha de pagamento de seus apaniguados, custeados pelo Estado de Goiás, ninguém melhor para lhe prestar um depoimento num jornal de tão ampla circulação, embora de valor noticioso duvidoso? Será que Vilmar Rocha, um dos maiores sanguessugas da política goiana –posto que nada faz, a não ser politicar –já esgotou seu blá-blá?  

Não. Goiás não está no caminho certo. O governador Marconi Perillo, chamado pelos professores da Universidade Estadual de Goiás de Marconi Periggo – com dos gs pra reforçar, talvez – é um dano ao presente de Goiás e um risco ao futuro destes Estado. Marconi Perillo é o inimigo público número um da educação, como o seu secretário, Thiago Peixoto, é o inimigo público número dois, e isso, por si só, já basta para que não seja um bom exemplo ao Brasil. 
Será que as policias goianas vão se contentar com a troca de carros novos –que beneficiam apenas a empresa que loca carros para o Estado – e a mudança de cor destes veículos – que ganharam as cores do PSDB? Será que os profissionais da educação em Goiás vão esquecer o que o governo atual fez com suas titularidades? Somos mesmo um povo sem memória e sem vergonha?