domingo, 29 de janeiro de 2017

A CHIKUNGUNYA DOMINOU O BRASIL

Vi hoje que os dados do Ministério da Saúde indicam que em 2015 houve mais de 149 mil casos de chikungunya no Brasil e que isso representou um aumento significativo em relação 2014, quando houve pouco mais de 13 mil casos.
A única verdade nessa mentira é que houve, de fato, um aumento dos casos entre 2014 e 2015.
Pra começo de conversa, até o brasileiro do tipo homer Simpson sabe que a maioria da população brasileira não tem qualquer assistência médica. Outro é o caso dos que simplesmente se automedicam e outros tantos procuram a farmácia do seu Joaquim por considera-lo mais entendido de medicina do que porção significativa dos médicos que estão chegando aos hospitais, ávidos apenas pelo enriquecimento rápido.
Mas, para que não se diga que falta comprovação ao que digo, vamos aos fatos. Em conversa com um profissional da saúde na cidade de Marabá, Sul do Pará, soube deste que desde novembro de 2016 a janeiro de 2017, momento em que esse texto é escrito, cerca de 7 mil pessoas já passaram no sistema público municipal de saúde com sintomas de chikungunya. 
Segundo a profissional o procedimento padrão é apenas a medicação de dipirona com indicação, ao paciente, de aquisição e ingestão do mesmo medicamento em casa. Não existe coleta de material, tão pouco qualquer exame que possa identificar a doença. Portanto, faltam registros dos casos onde eles são mais recorrentes.
Em dezembro de 2016 minha filha de 3 anos contraiu chikungunya em São Domingos do Araguaia, também no Pará. Naquela cidade procuramos atendimento médico por três dias seguidos e o mesmo procedimento, dipirona injetável e indicação de compra e medicação da criança em casa. À ocasião a enfermeira me disse que quase 2 mil pessoas já haviam procurado o hospital municipal com o sintoma mas que, segundo ela, o município não tinha condições de fazer exames para identificar a doença.
Procuramos, pela piora do quadro da minha filha, atendimento no sistema público em Marabá. Não desejaria a nenhum desafeto meu permanência naquele inferno. Ali crianças ficam amontoadas em corredores com pessoas –inclusive adultos – com todo tipo de doença, inclusive infecto-contagiosas. Inferno escuro. Lugar abominável. Desesperança. São sinônimos que melhor definem o hospital municipal de Marabá.
Foi somente em Araguaína, depois de um encaminhamento ao Hospital de Doenças Tropicais do Tocantins, HDT, que, depois de vários exames os médicos indicaram chikungunya como o princípio que desencadeou outro quadro clínico mais complicado.
Minha filha não é o objeto da minha reflexão, mas é um caso que indica o quanto o Brasil do Temer é uma desgraça – até mesmo pela redução dos investimentos num sistema que já é falido – para a população brasileira.
Não se sabe quantos, mas certamente existe mais de milhão de pessoas com essa doença atualmente. E fato mesmo é que o governo está aguardando a imunização pelo contágio. Simples assim.