quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

LÚCIO FLÁVIO PINTO: MEU RESPEITO E ADMIRAÇÃO

Lúcio Flávio Pinto, jornalismo independente.
Tive a oportunidade de conhecer Lúcio Flávio Pinto, esse grande intelectual que tem falado muito pela Amazônia, em 1997, quando estudava filosofia no IPAR, vizinho do Ver-o-Peso em Belém, e que hoje é apenas um instituto da igreja dedicado à formação de agentes pastorais católicos.

Na ocasião se falou sobre a Amazônia, é disse que tratam os textos de Flávio Pinto -porque alguém tem que falar da Amazônia, assim como alguém tem que cantar a Amazônia - e os seus problemas. Naquele período eu era aluno de filosofia, mas tive uma verdadeira aula de história e sociologia da Amazônia.


A partir daí passei a admirar e ler o Jornal Pessoal, naquele tempo lia o texto que circulava impresso e que o São Gaspar, casa de formação presbiteral onde eu morava, assinava; depois, já em Goiás, passei a ler o que circulava pela internet no endereço eletrônico www.lucioflaviopinto.com.br. Esse é o bem que a rede nos faz, oportunizar leituras e discussões nobres e engradecedoras do nosso intelecto, caráter e compromisso social. É isso que os textos de Lúcio Flávio Pinto me inspiram.


Para falar do seu jornal pessoal, e do próprio Lúcio, quero reproduzir aqui o texto publicado no Blog do Lucas Figueiredo (lfigueiredo.wordpress.com), também um admirador de Lúcio Flávio Pinto. Figueiredo, mais próximo de Lúcio que eu, que sou apenas um leitor e um ruminador de suas idéias, apresenta Lúcio Flávio como um herói. Compartilho dessa idéia, não só pela força de caráter que o faz manter, por mais de 25 anos o seu Jornal Pessoal, mas pelo tipo de escrita que produz, uma escrita ácida, que não se deixa intimidar, nem se dispõe a preço no mercado da informação, onde é, hoje, muito difícil saber o preço de cada “informação”.


Para Figueiredo, os 25 anos do Jornal Pessoal foram marcantes por várias razôes:


·        Nenhum outro veículo brasileiro é tão rigoroso com os preceitos joralísticos;
·        Para garantir a independência de seu conteúdo, o jornal não aceita publicidade. Vive exclusivamente da venda avulsa (por R$ 3,00 a edição)
·        Do PT ao DEM, de Lula a Serra, o jornal disseca as entranhas e retira as tripas –e mostra tudo a seu público, sem medo de chocar;
·        Fiscaliza com lupa o executivo, o legislativo e o judiciário. Denuncia com vigor relações promíscuas entre capital e poder. Vigia a mídia e denúncia os corruptos.
·         Se uma autoridade, um empresário ou um jornalista mentiu, o jornal, quando tem provas, publica: “mentiu”. Se roubou, diz “roubou”. Simples assim;
·        Sua coragem não é exercida sob proteção de multidões ou instituições do Sul Maravilha. Sua base fica na distante Belém; sua praça é a Amazônia dominada por feras que, com liberdade, agem acima da Lei;
·        Como bate muito, o jornal apanha. Advogados de notório saber e jagunços de soco inglês já foram acionados para tentar calá-lo. Na justiça, contam-se mais de 30 processos e quatro condenações contra seu editor – o próprio Flávio –nada, porém, deteve o jornal. Em 2011, teve início o seu 25º ano de publicação.  

Ele prossegue o seu texto afirmando que o Jornal Pessoal é fruto da teimosia de Lúcio Flávio Pinto. O responsável pelo jornal, com admiradores (muitos) e colaboradores (alguns) espalhados pelo mundo, faz do JP uma experiência solitária que, no entanto, acrescento, é necessária. O mundo precisa saber da Amazônia para além do que o Grupo Rômulo Maiorama diz. A Liberal não pode ser a voz da Amazônia porque é comprometida com aqueles que fazem os problemas da Amazônia.


O histórico de Lúcio Flávio indica um escritor experimentado no universo da notícia, e um apaixonado pela Amazônia, e pelo Pará, em particular. De 1966 a 1988, Lúcio Flávio passou por algumas das maiores e melhores redações do país, sempre com foco na Amazônia. Ganhou, entre outros, quatro prêmios Esso, o mais cobiçado do jornalismo nacional. Em busca de um jornalismo extremado, em 1988, Lúcio Flávio abandonou a grande imprensa para se dedicar exclusivamente ao seu Jornal Pessoal. Desde então, a agenda amazônica do jornalista é acompanhada, no Brasil e no exterior, com vivo interesse – e aplausos.


Por seu trabalho em defesa da verdade e contra as injustiças sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio Colombe d’oro per La Pace. Em 2005 recebeu o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection), de Nova York, pelas denúncias que faz em seu jornal e pela defesa da Amazônia e dos direitos humanos. Entre uma edição e outra, Lúcio Flávio escreveu quinze livros, todos sobre a Amazônia.

Fora do Brasil, Lúcio Flávio é tratado com reverência. Um exemplo: o jornalista norte-americano Larry Rohter, ex-correspondente do New York Times no Brasil, registrou no seu livro (Deu no New York Times) que o JP foi o primeiro a detectar a importância da penetração chinesa na Amazônia, em 2001. No Brasil, contudo, as coisas não são fáceis para Lúcio Flávio e seu JP.


Além da imensa pressão que enfrenta por parte daqueles que querem calá-lo, Lúcio Flávio banca o jornal sozinho. Como não abre mão da independência, não aceita anúncios. Em 2008, abrindo uma nova frente para o JP, o jornalista começou a colocar ao alcance público, na internet, todo o arquivo do jornal (www.lucioflaviopinto.com.br). Como, nesse caso, além de não contar com receita de anúncios, ele não iria faturar com a venda direta aos leitores, Lúcio Flávio abriu uma conta bancária para receber doações. O dinheiro, no entanto, mal pingou, e Lúcio Flávio mais uma vez teve de assumir os gastos (sem reclamar, diga-se de passagem – Lúcio Flávio não faz o estilo vítima). Assim, contrariando as tendências do mercado, o Jornal Pessoal caminha para completar um quarto de século. Que venham outros! Quando o JP bate, a gente gosta. 


O que dizer ainda? Apenas, Lúcio, o meu respeito e a minha admiração.