domingo, 11 de dezembro de 2011

A JMJ RIO 2013: NO RIO PATROCINADA COM DINHEIRO PÚBLICO

A relação Igreja-Estado sempre, historicamente, foi promíscua
Para o Bil Gates a internet aproximaria as pessoas, as redes sociais são produtos dessa concepção. Pessoalmente não acredito nisso, porque sei de muitas pessoas que abrem mão de uma vida social de verdade para ficar noites a fio "teclando" com amigos imaginários, sem nunca se dar ao luxo de uma relação verdadeira, direta, com perfume e com suor. Mas, em que pese minha opinião, mantenho um perfil no facebock. Foi lá que li uma postagem de Dom Messias Reis Silveira, bispo da Diocese de Uruaçu. O bispo manifestava-se indignado com o que classificou de "campanha da Record contra a Jornada Mundial da Juventude", fazendo referência à reportagem da referida TV sobre uma emenda de autoria da deputada Myrian Rios, PSD do Rio, em que o Estado do Rio de Janeiro vai destinar cinco milhões de reais para a Jornada Mundial da Juventude Católica a realizar-se no Rio de Janeiro. O dinheiro, como diz o projeto já aprovado na ALERJ, destina-se a gasto com divulgação. E é bom que tenham esclarecido isso, porque os gastos públicos com o evento serão bem maiores.

Então vejam, o facebock possibilitou um debate, muitos internautas demonstraram, sendo católicos, terem mais juízo que o próprio bispo ao manifestarem-se envergonhados com essa relação de promiscuidade que a igreja insiste em manter com o Estado. De fato, a relação não é moralmente saudável. Senão, vejamos. O Rio de Janeiro tem uma sistema de saúde caótico.

Apesar do caos na saúde, o dinheiro público no Rio vai pra RCC.
O Rio de Janeiro não consegue enfrentar o problema do crak. O Rio de Janeiro não conseguiu ainda enfrentar o problema do tráfico. O Rio de Janeiro ainda não conseguiu superar o problema dos menores de rua. O Rio de Janeiro ainda não é um Estado com condições de assumir o seu papel enquanto Estado. E, sabendo que toda essa problemática tem relação com a disponibilidade, ou não, de recursos, o governo do Rio deixa-se seduzir pelas igrejas, destinando a elas, aquilo que deveria ser usado para sanar os problemas da sociedade carioca e fluminense.

O dicionário aurélio define promiscuidade como "convivência chocante entre pessoas [...] de condições sociais diversas". É uma definição conservadora. Mas serve para definir as relações históricas entre a Igreja e o Estado. O primeiro grande feito histórico da igreja, e sei porque sou professor de história, foi institucioanlizar Jesus Cristo. O homem sagrado que pregou o bem, o despreendimento material e a humildade passou, principalmente na idade média, a ser vendido pelo maior preço, ou maiores vantagens. A igreja se prostituiu e prostituiu o seu maior produto, Cristo. A promiscuidade foi a regra nas relações entre o Estado que oprimia e explorava sob a proteção da Igreja que o legitimava.

E o que estamos assistindo hoje? Existem bancadas evangélicas e católicas no nosso legislativo. As legislaturas não são mais mandatos em nome da sociedade, mas em nome de determinada religião. A cruzada religiosa está mais viva que nunca. O diferencial dessa cruzada é que ela não se faz com a espada, se faz com dinheiro e favorecimento ilícito às custas de um povo que cada vez mais fica à míngua. Isso é uma pouca vergonha. E é mais vergonhoso ainda que um bispo, na tranguilidade de seus milhares de reais ganhos às custas da peregrinação anual dos fiéis de Nossa Senhora da Abadia do Muquém, ainda se preste a tamanha ignorância quanto ao direito que o povo do Rio de Janeiro tem, e de ver os recursos públicos daquela cidade investidos onde devem ser investidos, na saúde, educação, segurança e infra-estrutura, não em eventos religiosos, que, de qualquer modo, correspondem a manifestações de foro íntimo.

Mas, a verdade é que a briga da Record não é apenas pela destinação do recurso, se com a sociedade, ou com a igreja. Mas por espaço político. A Recor, assim como toda a estrutura da Igreja Universal, e de outras igrejas que formam a bancada evangélica, não luta pela sociedade quando faz esses discursos, mas por suas próprias migalhas à mesa do Sérgio Cabral. O povo brasileiro tem que acordar. Quanta porcaria. 


A deputada Myrian Rios, que já posou nua, agora quer ser referência moral
 Quanta à deputada Myriam Rios, é uma pessoa que recentemente mostrou como vê o mundo. Ela aparece em um vídeo  declarando que não daria emprego a um homossexual, (http://www.youtube.com/watch?v=1J_m0DLIEMc) ou seja, a deputada acredita que aos homossexuais não pode ser garantida a dignidade do acesso ao trabalho. A ignorância da deputada é tamanha que ela declara que pedofilia é uma orientação sexual, a qual ela atribui aos homossexuais. Ela faz parte do seleto grupo que é encabeçado por Jair Bolsonaro, aquele deputado que, com concepções próprias do nazismo e do facismo, condena negros e homossexuais. Respeito todas as religiões. Mas acredito que é muito necessário uma reflexão sobre o poder que se atribui a esse tipo de gente, que prega a intolerância, o preconceito e, de um modo geral, a violência contra pessoas que já são estigmatizadas em nossa sociedade.

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