terça-feira, 22 de maio de 2012

AS FOTOS DA CAROLINA DIECKMANN NUA


A beleza ou a imagem pública que chamam a atenção?
O alarde da imprensa não foi também uma invasão de privacidade?

Certo dia, ainda no amanhecer da minha vida, vi escrito numa caixa velha que servira para o transporte de livros, um trecho de “O livro e a América” de Castro Alves e, encantado li: “oh! Bendito o que semeia livros.... livros à mão cheia... e manda o povo pensar! Me percebi, como num estalo, pensando sobre a importância do livro para o desenvolvimento do pensamento, que a minha pouca idade e estudo não permitiam entender como senso crítico. E o mais poderoso era a sequência seguinte: “o livro caindo n’alma é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar”. O segundo encanto com a leitura, depois deste primeiro, foi quando em Goiânia, folheando um jornal velho me deparei com um artigo cuja temática pornográfica conduziu-me a um texto sobre o câncer. O autor do texto, portador da doença, se explicava dizendo que para chamar a atenção dos goianos para a situação do hospital do câncer de Goiânia, era preciso falar de sexo. É o mesmo recurso de linguagem que estou utilizando, aqui, para falar do professor.

Poucas linhas me parece bastarem. Sou professor, como já é do conhecimento dos meus leitores, e quero mais uma vez, ante a proximidade das eleições municipais, rebelar-me com o uso político do tema educação. Todos utilizarão essa pobre meretriz como argumento sensual para seus discursos mal intencionados. O sofismo destes canalhas públicos chega mesmo a me deixar em choque. Não sei se me deixo fascinar, ante analfabetos que não sabem escrever ou interpretar leis, mas que produzem discursos dignos dos melhores sofistas gregos, ou se me rebelo ante a falsidade intrínseca a estes discursos.

Trocar o tempo do Big Brother por um livro, isso sim seria fantástico.
E qual o resultado disso? E como se porta o professor? O resultado é, de um lado, a bela audiência dos circos de horrores como os realitys shows e seus similares, cito o alarde sobre as fotos da Carolina Dieckmann, e uma nação que ainda não descobriu o caminha da leitura, da percepção de si, do seu contexto e do senso crítico sobre si e o seu contexto. De outro lado, profissionais da educação que constituem um modelo dessa sociedade na qual estão integrados, também estes sem percepção de si; sem a devida noção do seu poder e das suas possibilidades.

É preciso que livros sejam mais interessantes que big-brothers. É preciso que livros sejam interessantes.

Mas não estou falando de qualquer livro. É preciso, também no caso do livro, não bestalizar ainda mais a nossa sociedade. Nesse sentido, a primeira dica é fugir dos best-sellers tipo Augusto Cury e outras porcarias que tentam dar receitas de soluções fáceis e de uma vida que desintegra o indivíduo do seu contexto sócio-histórico.

Precisamos sim desejar a nudez. Precisamos do nu. Mas, a nudez não pode ser apenas da Carolina Diechmann; mais importante é desnudar a nossa realidade para compreendê-la e compreendê-la para transformá-la. Essa é missão do professor. O professor, e as professoras, devem ser agentes da desnudação.