terça-feira, 13 de novembro de 2012

PM ASSASSINA: A VIGÊNCIA DO ESTADO MILITAR

Existe uma grande divulgação na mídia do que chamam de ataques a policiais militares em São Paulo. O que a imprensa não mostra, e o que a elite deseja que seja mantido às escuras é que por trás desses supostos ataques há uma operação de limpeza sendo feita em São Paulo. Efeitos da Copa do Mundo e das críticas que o grupo de elite da tropa paulista tem sofrido.

O primeiro ponto, e o mais importante dessa questão toda, tem relação com uma operação da ROTA em agosto de 2011 na qual assaltantes, especializados em arrombar caixas eletrônicos, foram mortos em "confronto com a ROTA". Nesse caso, silenciou-se a investigação sobre o confronto porque as evidências mostraram que, na verdade, a polícia sabia do plano dos assaltantes e preparou-lhes uma emboscada não para prendê-los em prática delituosa, mas porque queria dar um recado.

Mais recentemente houveo episódio no sítio em Várzea Paulista no qual nove "integrantes do PCC" foram executados pela ROTA. No mesmo dia das execuções o Estado, na pessoa do Coronel Roberbal Ferreira, já se pronunciava com a setença pronta: eram bandidos que integravam o PCC, e por isso a ação da PM foi legítima. Isso me lembrar "Edson: poder e corrupção", ficção que apresenta a FRAT, uma polícia de Elite de uma grande cidade norte americana, corrompida e assassina, silenciando quem se põe no seu caminho. Aos homens da FRAT tudo é possível. Outra produção a ser lembrada é "dia de treinamento", um filme com o Denzel Washington. Não importa o que de fato aconteceu, na verdade isso é o que menos importa. O que conta, de verdade, é o que se pode dizer, e o que a sociedade espera. E a elite da nossa sociedade, para ter paz, quer todos os espoliados e criminosos mortos.

Já foram qusae cem policiais mortos esse ano em São Paulo. A esse respeito a polícia não quis dizer sobre a conduta e os processos aos quais boa parte destes policiais respondiam e, ou já responderam em algum momento. Isso não conta, importa apenas que esse evento, o "ataque a policiais" requer uma resposta à altura, ou seja, execuções em massa.
Cenário montado pela PM na morte do servente Paulo Batista do Nascimento

A polícia militar, no Brasil, só comete crime se houver alguma câmara para flagrar, como foi o caso do último crime registrado em imagens, no sábado dia 10, em Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo. Prenderam, e depois mataram o ajudante de pedreiro. 

Os crimes são os mesmos e os discursos também. O governador, não importa qual seja, diz a velha frase "isso é intolerável", o comandante da PM diz "isso não reflete a conduta da PM de São Paulo". A variante desse discurso é mínima.

O que é importante considerar é que, como a história evidencia, esses foram os mesmos discursos proferidos nas ações assassinas dos militares por ocasião da ditadura. Até as justificativas, falsas, dos obtuários de inúmeras vítimas do Estado Autoritário, se comparadas com a democracia de hoje, são as mesmas: "morto em confronto com a polícia". 

Disso se conclui que ainda estamos, pelo menos no horizonte de pecepção da polícia militar, em quase todos os Estados, vivendo os tempos em que lhes era lícito matar ao sabor de suas psicopatias. Onde isso vai parar, se um dia vai parar, não sei. Sei que a sociedade remediada, que pode encobrir-se com edredon enquanto a garoa cai sobre as ruas paulistanas, pouco importa que mais um ou mais cem pobres ajudantes de pedreiro, engraxate ou desempregado morra.