domingo, 4 de novembro de 2012

PROFESSORA DEMITIDA EM IMPERATRIZ POR MOSTRAR A REALIDADE DA ESCOLA: O PESA DA REPRESSÃO


Imagem da Escola Municipalizada Guilherme Dourado, em Imperatriz

Ficou público, recentemente, o caso da demissão de uma professora em função d exposição que ela fez das mazelas da escola em que trabalhava. O Brasil inteiro pareceu indignado, e por isso muita gente quis comentar o episódio. Já vi opiniões de todas as naturezas, inclusive a opinião do secretário de educação de Imperatriz, Zeziel Ribeiro da Silva, e da professora, Uiliene Araújo Santa Rosa. Maquiavelismo, inocência e alienação é o que parece permear boa parte dos discursos, principalmente o discurso de populares.

A professora Uiliene parece ser muito inocente acreditando que não haveria represálias à sua atitude. Todos nós sabemos que o ambiente educacional é o mais retrógado que se possa imaginar. Ela é de uma inocência tal que chega a questionar a nossa “democracia” pois, no ponto de vista dela, se estamos numa democracia é lícito que exponha seu ponto de vista. Quanta inocência!

Ficou noticiado que a professora Uiliene Araújo Santa Rosa, de 24 anos, foi afastada e teve seu contrato com a prefeitura de Imperatriz rescindido em função das suas postagens.

Usuários do facebook continuam "indignados".
Pois bem, para começar, uma das desgraças da educação é exatamente a politicagem. Foi a politicagem que a contratou, foi a politicagem que a demitiu e foi a politicagem que a readmitiu. Tudo politicagem. Acredito que para haver uma educação autônoma, deveriam haver professores autônomos, e isso pressupõe professores habilitados à aprovação em concurso público. Sou terminantemente contra o excesso de contratos temporários na educação. Essa a peste que grassa na educação de todos os municípios do país.

A professora Uiliene se ressente da indiferença que lhe foi dispensada pelos colegas após a publicação das fotos. Essa é outra miséria. Professora, uma situação leva à outra. Quantos dos seus pares, professora, como você, não são contratos temporários? Isso é simples, são bate-paus do prefeito porque se sentem nessa obrigação em função de contratos com a prefeitura. Se assim não o for, existe outro sentimento que pode justificar esse tratamento, a concepção popularizada no Brasil de que “roupa suja se lava em casa”, o que na prática significa não dizer nem fazer nada para que as coisas mudem.

Por fim, a senhora não foi punida pela publicação das fotos. A senhora foi punida porque não leu na cartilha do coronelzinho da sua cidade, Imperatriz. Professora, professora, o que é um contrato temporário senão uma velha forma coronelista de manter muita gente na linha pelo método do “toma lá da cá”? Quantas pessoas, professora, na sua cidadezinha, não já lhe consideraram uma pessoa “má agradecida”?

Enfim, sou solidário com sua causa. Acho que todos devemos fazer alguma coisa. Mas também sou contra a sua condição de trabalho, contrato temporário. Professora, estude. Professora leia. Professora faça jús a esse título tão nobre que estou lhe adjetivando, professora. Sim, professor/professora, na minha opinião é um adjetivo, não termo identificativo de uma profissão. Professora, estude e seja uma professora da forma como prevê a lei, a partir de concurso público de provas e títulos.