sábado, 27 de abril de 2013

A UEG EM GREVE

Sempre cuidei para não alienar-me. Na UEG, contudo, esse risco é sempre recorrente em função das circunstâncias em que se dá o trabalho docente. E terminou que fui pego de surpresa na noite do último dia 26 de abril com a notícia de que a UEG estava em greve.

Esse fato impõe a necessidade de reflexão. Para estruturar meu colóquio, preciso remontar alguns fatos:

Quando fui aluno da UEG, entre 2004 e 2008, os problemas já eram os problemas de hoje, e as reclamações naquele momento, constavam de uma lista antiga para a qual o tempo não apresentou nenhuma solução.

Naquele tempo já dizia, em alto e bom tom, sobre a minha convicção de que a UEG ainda não era uma Instituição de Ensino Superior. E continua, de acordo com a regulação do Ministério da Educaçao, não sendo uma IES. Senão vejamos:

A UEG, em algumas unidades/campus, a exemplo de Niquelândia, não tem sequer um único servidor efetivo do seu próprio quadro. Na maioria dos cursos falta a formação mínima exigida pelo MEC ao quadro docente. As bibliotecas e o acesso à internet são verdadeiras piadas. Falta espaços físicos importantes como auditório, que funcionam em salas de aula com plaquetas nos umbrais em que se inscrevem "mini-auditório" cujo espaço não comporta quarenta pessoas.  

Em setembro de 2012, passando pela Unidade Universitária de Uruaçu, por ocasião da sua campanha à reitoria da UEG, único momento em que os reitores visistam as unidades, o atual Reitor Haroldo Heimer me impressionou com a lucidez do seu discurso. Interpelado sobre os problemas estruturais da universidade, ele disse que determinadas conquistas cabiam aos professores num processo de luta coletiva. Tudo bem que a fala não se fez nestas palavras, mas o sentido era exatamente esse.

A UEG não tem sindicato, e é, penso, até melhor que não tenha porque o modelo de sindicato da educação aqui em Goiás, cito o SINTEGO, é uma desgraça completa. 

Mas, não existindo o Sindicato, até que ponto um movimento autônomo consegue articular a participação engajada, tão necessária ao movimento reivindicatório? Concordo com o professor Edmilson, colega da Unidade de Uruaçu por cujas idéias e vida tenho apreço, que defende essa autonomia. De fato, os Sindicatos representam sempre uma negociação excusa com o patrão e não raras vezes, como é o caso do SINTEGO, constitui um tranpolim para algum cargo político às custas da alienação dos filiados. 

Todavia, foi por não existir a articulação que a liderança possibilita que fiquei sabendo da existêncai da greve somente dois dias depois de deflagrada.

Peça publicitária da atual reitoria. A que custo?
Como o governo quer tratar isso? Quer tratar ao modus operandis perillo, ou seja, com cachorro e com polícia. Aliás, o presidente da AGANP, Joevalter Correia declarou, representando o governo, que irá cortar o ponto dos grevistas, prática comum do modus operandis perillo. Da parte do Reitor Haroldo Reimer, que a bem da verdade tem seguido a mesma linha dos seus predecessores, a saber, a criação de uma imagem pública em vistas às próximas eleições ao legislativo estadual ou ao executivo de Goiânia ou Anápolis, disse que não foi comunicado das reinvindicações dos grevistas, como se ele não recebesse, cotidianamente, tais reivindicações.

A luta não está iniciada porque ela sempre houve. Apenas um pequeno grupo luta, mas numa sociedade heterogênea, em relação a interesses, isso é inteligível. Muitos preferem o comodismo escandaloso, como o que há em Goianésia onde, onde a UEG é tratada como patrimônio pessoal ao ponto de recusarem disponibilizar vagas para concurso público. 

Há muito do feio na UEG. Mas a esperança, corporificada pela luta, como o monstro que deve emergir da lagoa, é o que existe de mais bonito. E issa é a antítese da conformidade e dos ninchos de poder e comodismo dentro da instituição.

Os que dizem que defendem a UEG também podem ser seus inimigos. Me causa estranheza que a reitoria atual cuide tanto da sua imagem pública. Me revolta a instrumentalização da UEG com vistas a fins eleitoreiros. Me enoja a política do Marconi, como tenho náusea do conformismo da ala paritária da UEG.