terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A UEG E O CORONELISMO EM GOIÁS




Até a imprensa é cerceada.

Caudilhismo, caciquismo e coronelismo são palavras sinônimas que se referem a um conceito-chave definidor da política em curso no Estado de Goiás. Alguns já teorizaram como ditadura, mas quem observar melhor, mantendo os pés no chão, perceberá tratar-se de uma forma aprimorada do velho coronelismo que o Brasil da década de 1920 viu nascer e nas décadas seguintes prosperar.



Aquela velha estrutura tem outra dinâmica agora, talvez até mais eficiente, posto que seu funcionamento é mais localizado. A engrenagem é regional. Mas cada coronel continua com o seu curral.



No Estado de Goiás, coração do Brasil, o governador Marconi Perillo representa a forma mais acabada desse novo coronelismo. Para o governador não há lei, nem ética ou moral. Aqui não se respeita nada. Há apenas a vontade soberana do executivo que compra, e corrompe, ou subjuga de outro modo todos os outros poderes que, à sua sombra, se apequenam, se agacham e se fazem nada.



O exemplo mais acabado dessa força aterradora é o lócus de produção da antítese disso tudo, a Universidade. Onde se deveria produzir a derrocada do sistema é onde o sistema tem mostrado sua força.



A legislação não se aplica à UEG, evidência da inaptidão do judiciário em Goiás. Curral eleitoral maior, especialmente em Anápolis, sede da instituição, a UEG tem se mostrado cada vez  mais um antro de politicagem e desmandos, sendo antes essa habilidade condição para o ingresso em cargos da burocracia que a qualidade técnica que o serviço público requer. E assim, às custas desse desserviço a parca verba que deveria melhorar sua estrutura paira na gangorra. E assim, processos de servidores também pairam na gangorra. E assim, tudo é gangorra. 

E a progressão funcional também é gangorra. Mas, se sobressaem os que fazem acordos espúrios. Onde não se faz acordo, se faz intervenção [a professora Divina de Santa Helena sabe disso]. Sem esses acordos não haveria um Estado coronelista em Goiás, haveria uma ditadura. E um dia, a quase 10 anos fiz essa crítica em Niquelândia, lócus privilegiado de expressão das ações coronelistas na UEG, e me disseram, se é assim, porque você está aqui? Era o ame ou deixe-o. E hoje, professor, penso, são muitos doutores na UEG. São outros tantos mestres e especialistas na UEG. Professores, somos todos senhores da reflexão e da ação. Mas somos, na UEG, todos gado.