segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

MORTOS NO ARAGUAIA

Com colaboração de Tatiana Merlino, de Marabá.

Compromisso para indenizar os ricos.

Após uma viagem de 40 minutos de carro desde o centro de Marabá, parte dela feita em estrada de terra, chega-se a uma rua onde a lama impede a passagem do jipe. A única maneira de atravessar é a pé. São 20 minutos de caminhada na lama até chegar à casa do camponês Abel Honorato de Jesus, o Abelinho. O homem franzino é um dos posseiros da região onde foi implantada a guerrilha do Araguaia (1972-1975) e que foram obrigados a trabalhar como mateiros do Exército, ajudando na captura dos militantes que se instalaram por lá. Grande conhecedor da área e de parte dos guerrilheiros – Abelinho chegou a trabalhar no garimpo com Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, o mais famoso guerrilheiro do Araguaia –, o lavrador trabalhou com o Exército até 1983.


Recentemente, Abelinho tem colaborado com o trabalho da equipe do GTT (Grupo de Trabalho Tocantins) fornecendo informações e sustenta a tese de que o número de camponeses assassinados pelas forças do Estado durante o período da guerrilha é maior do que se tem notícia. “Eu conheço muita gente que morreu de taca [surra]”, conta. O ex-mateiro também afirma ter visto “muitos camponeses apanharem, serem torturados. Lavei sangue demais desse povo. Enrolavam um saco de estopa num rodo e eu empurrava o sangue dessa gente”. Além dos camponeses que aderiram à guerrilha e os que ajudaram os militantes com comida e suprimentos, também muitos mateiros foram assassinados, mesmo tendo colaborado com o Exército, recorda o lavrador.


Guerrilheiros mortos pelo exército
Segundo o pesquisador Paulo Fonteles Filho, integrante da ouvidoria do GTT, embora se estime que o número de desaparecidos do Araguaia, entre guerrilheiros e camponeses, gire em torno de 100 pessoas, “eu tenho convicção que naquele processo foram mortas 500 pessoas ou mais”. Segundo ele, há informações novas que estão sendo reveladas por ex-soldados do Exército, que hoje subsidiam o GTT. “Há camponeses que estavam na mata como castanheiros e foram fuzilados por uma tropa, por exemplo. Nosso papel também é falar desses anônimos”, esclarece. De acordo com ele, a violência do Estado contra os moradores da região também foi “brutal”. “Eles foram maltratados, sofreram, foram torturados, perderam suas roças”.


Mapa do conflito
Um dos ex-soldados que está colaborando com o GTT é Manoel Messias Guido Ribeiro, que combateu una base Xambioá. Ele conta que o tio de sua esposa foi morto de “taca” na serra das Andorinhas apenas por ter dado comida aos guerrilheiros. “Vi muitos camponeses presos”. Guido também presenciou a tortura de camponeses na sede local do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), a chamada “casa azul”. “Ouvi gritos absurdos, arrastávamos corpos, vivos, mas desmaiados. A gente jogava água em cima deles e levava de volta”.


OPERAÇÃO LIMPEZA



Ed. 1309, n 41, ano 26, 13/10/93
O ex-soldado maranhense afirma ter participado da “Operação Limpeza” de 1975, quando as forças de repressão ainda “caçavam” remanescentes do “terrorismo”, como possíveis colaboradores dos guerrilheiros. “Da segunda limpeza, feita para retirar os ossos, eu não participei, mas a gente ouvia falar: “estão arrancando ossos de gente por aí”. Guido afirma que a região esteve vigiada até 1980. “Ainda está hoje. Não pense que não está”, garante. Guido também diz se sentir inseguro “com o que estamos falando, pois estamos rodeados deles por aí”, acredita.


Em depoimento em vídeo colhido pelo GTT, Valdim Pereira de Souza, ex-funcionário, ex-militar e motorista do major Curió [oficial da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, um dos líderes da repressão à guerrilha do Araguaia], entre 1976 e 1983, relata que em 1976 participou da retirada dos corpos e ossadas dos guerrilheiros e camponeses mortos em muitas localidades da região. Sua missão era levar para a sede do DNER vários sacos amarrados com um cordão. “Os sacos pesavam cerca de 100 quilos e, dentro, soube depois, por meio de um servidor do próprio DNER conhecido por “Pé na Cova”, havia ossos humanos. O cheiro era insuportável. Os homens do Exército que comandavam a operação eram o doutor Luchini (Sebastião Curió) e os sargentos Santa Cruz e Ribamar”, disse. “Não tínhamos o direito de saber o que fazíamos, apenas cumprir a nossa obrigação e as determinações superiores”, completa.


AMEAÇAS


Vítimas do Estado Brasileiro
Como resultado das denúncias, Valdim, assim como outros camponeses e moradores da região, foi ameaçado. Em dezembro do ano passado, ele recebeu ligações em seu celular, que diziam: “pare de falar besteira”, “fica calado, não te mete em encrenca”, “tenha cuidado com o que anda falando por aí”. Neste ano, as ameaças aumentaram. Em 2 março, uma caminhonete com película de insulfilm nos vidros rondou sua casa em Macapá, no Amapá. Valdim acredita que é Curió quem está por trás das ameaças: “O Curió é corajoso e me disse certa vez que quem fala muito morre, e dizia que ‘inimigo bom é inimigo morto’”.


Um carro com insulfilm também rondou a casa do representante da Associação dos Camponeses do Araguaia, Sezostrys Alves da Costa, no mesmo dia 2 de março, em São Domingos do Araguaia. Os quatro homens que estavam no veículo procuraram por ele e Paulo Fonteles. 


Em 27 de março, Mercês Castro, irmã de Antônio Teodoro Castro, desaparecido político no Araguaia e membro do GTT, sofreu um acidente em Marabá. “As porcas de um pneu do carro foi afrouxado e a roda foi cuspida do carro. Denunciamos isso para a Polícia Federal, enviamos isso para a juíza Solange Salgado”, relata Paulo Fonteles. “Mas não vamos abrir mão do nosso trabalho. Pode vir ameaça, mas não vamos arredar pé daqui”, conclui. Segundo Paulo Fonteles Filho, o primeiro registro de ameaça ocorreu em junho do ano passado, “contra o camponês Beca, morador de São Domingos do Araguaia, que foi torturado pela repressão política e é colaborador do GTT”.



A HISTÓRIA DE HELENIRA



Esta é uma das histórias contadas no livro da Secretaria Especial de Direitos Humanos: “LUTA, SUBSTANTIVO FEMININO” sobre a militante estudantil e depois guerrilheira no Araguaia Helenira Resende, não creio que seja mera coincidência com perfil de Maria Paixão. 


Nascida na pequena cidade de Cerqueira César, próxima a Avaré, no interior paulista, Helenira mudou-se aos quatro anos para Assis, onde cresceu. Concluiu ali o curso clássico no Instituto de Educação Prof. Clibas Pinto Ferraz, onde foi uma das fundadoras do grêmio de representação dos alunos.  Mudou-se então para São Paulo e cursou Letras na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), localizada, naquele tempo, na Rua Maria Antônia. Na época, foi eleita presidente do Centro Acadêmico. 


Tornou-se importante liderança no movimento estudantil, sendo conhecida também pelo apelido de “Preta”. A primeira prisão de Helenira aconteceu em junho de 1967, quando escrevia nos muros da Universidade Mackenzie, na própria Rua Maria Antônia, a frase: “Abaixo as leis da ditadura”. Voltou a ser presa em maio de 1968, quando convocava colegas para uma passeata na capital paulista.  Naquele mesmo ano de fortes mobilizações estudantis, foi presa pela terceira vez em Ibiúna  (SP), agora como delegada no 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), entidade da qual era vice-presidente. 


Na ocasião, quando o ônibus que transportava estudantes presos passou pela avenida Tiradentes, Helenira conseguiu entregar, a um transeunte, um bilhete para ser levado à sua residência, no Cambuci, avisando sua família sobre a prisão. Apontada como liderança do movimento estudantil, foi transferida do Presídio Tiradentes para o DOPS. Depois, a estudante seria levada para o presídio feminino do Carandiru, onde ficou detida por dois meses. A família conseguiu libertá-la mediante habeas corpus na véspera da edição do AI5. A partir de então, Helenira, que já era militante do PCdoB, passou a viver e a atuar na clandestinidade, morando em vários pontos da cidade e do país antes de se mudar para o Araguaia.


Conhecida como Fátima naquela região, integrou o Destacamento A da guerrilha, unidade que recebeu seu nome depois que ela foi morta, em 28 ou 29 de setembro de 1972. Teria matado um militar e atingido outro, antes de ser ferida e morta. Metralhada nas pernas e torturada até a morte, segundo depoimento da ex-presa política Elza de Lima Monnerat na Justiça Militar, foi enterrada na localidade de Oito Barracas.


O Jornal a Voz da Terra, de Assis (naqueles tempos existiam jornalistas sérios), publicou na edição de 8 de fevereiro de 1979, extensa reportagem sob o título “A comovente história de Helenira”. A matéria descreve sua juventude na cidade, filha de um médico negro, conhecido e respeitado por suas tendências humanistas. Informa também que a jovem se destacou como atleta, com desempenho especial na equipe de basquete da cidade, uma das melhores na região sorocabana. De acordo com esse jornal, o lugar onde Helenira tombou ferida se tornou uma poça de sangue, segundo soldados do Pelotão de Investigações Criminais, confirmando que a coragem da moça irritou a tropa. No “Livro Negro” do Exército, divulgado pela imprensa em abril de 2007, consta, a respeito dela, na pág. 724: 


No dia 28(de setembro de 1972), um grupo que realizava um patrulhamento quase caiu numa emboscada fatal. No entanto, falhou a arma ou fraquejou um dos terroristas e o grupo foi alertado. Como se tratasse de uma passagem perigosa, o grupo tinha exploradores evoluindo pela mata, os quais reagiram a tempo. O terrorista cuja arma falhara logrou fugir. O outro, que abriu fogo com uma espingarda calibre 16, caiu morto no tiroteio que se seguiu. Trata-se de Helenira Resende de Souza Nazareth (Fátima), do destacamento A.



No livro A lei da selva, o jornalista relata sua morte como ocorrendo na localidade chamada Remanso dos Botos, em choque com uma patrulha de fuzileiros navais, não do Exército, sem confirmar a ocorrência de baixas entre os militares da Marinha, que teriam sido retirados da região em seguida, por falta de condições psicológicas para permanecerem na selva. Studart transcreve o seguinte trecho do diário de Maurício Grabois, de autenticidade ainda não comprovada, cuja narração tem pontos comuns e pontos divergentes em relação ao Relatório Arroyo, transcrito anteriormente: novas informações foram trazidas sobre o incidente em que o comandante Flávio tombou sem vida. Os combatentes do DA estavam preparando uma emboscada. Dividiram-se em 2 grupos que deveriam atuar em conjunto. Um sob o comando do PE (da CM) e outro sob a direção de Nu. Este último, que vinha na frente, deixou no caminho da corruptela de S. José dois observadores, Lauro e Fátima, e fez alto a certa distância. Precisamente nesse momento surgiu na estrada uma força inimiga de 16 homens que acompanhava quatro burros tropeados pelo Edith. À frente da unidade do Exército vinham três batedores (o que levou Isauro a pensar que a tropa era constituída apenas de três soldados). Um deles, o sargento, veio para o lado do barranco onde estavam nossos combatentes. Lauro, que portava arma longa semi-automática de nove tiros, atrapalhou-se com a arma, não atirou e fugiu. O milico pressentiu a Fátima e disparou o FAL em sua direção. Esta, com sua arma de caça 16, o fuzilou. Em seguida, correu e se entrincheirou mais adiante. Um soldado, que pesquisava o local à sua procura, foi por ela abatido mortalmente com tiros de revólver 38. Ferida nas pernas foi presa. Perguntaram-lhe onde estavam seus companheiros. Respondeu que poderiam matá-la, pois nada diria. Então os milicos a assassinaram friamente. Seu corpo foi enterrado nas Oito Barracas, para onde foi transportado em burro.


O relatório do Ministério Público Federal de São Paulo, assinado pelos procuradores: Marlon Alberto Weichert, Guilherme Schelb, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Jr, de 28/01/2002, também registra a partir de depoimentos tomados de moradores da área, quase 30 anos depois: Helenira Rezende (Fátima) foi vista por um depoente, baleada na coxa e na perna, sendo carregada em cima de um burro de um morador da região, próxima à localidade de Bom Jesus. Outro depoente ouviu referências de que Fátima foi vista na base de Oito Barracas. E um terceiro conta que: “ouviu falar” ter Fátima chegado já morta em Oito Barracas, em função de ferimentos. Os procuradores também registram como possível local de sepultamento as proximidades do igarapé Tauarizinho, na base de Oito Barracas.



Em sua homenagem, o sindicalista CHICO MENDES, conhecido mundialmente pela luta em defesa da floresta Amazônica, assassinado por fazendeiros em 22 de dezembro de 1988, deu o nome de Helenira a sua primeira filha.

17 comentários:

  1. Já se passaram cinco décadas desde o Golpe de 64, e até hoje muitas são as pessoas que não se conformam com os fatos terríveis ocorridos durante a Ditadura Militar. Um sentimento justificável, já que, na memória daqueles que presenciaram as torturas e assassinatos de pessoas próximas ou mesmo que sofreram com a perda de seus entes, que desapareceram sem deixar vestígios, os acontecimentos do período militar permanecem como trauma. Durante o período ditatorial muitas revoltas aconteceram por parte de grupos que eram contra a forma de governar dos militares, dentre elas está a Guerrilha do Araguaia, um embate ocorrido no norte do país que teve como resultado a morte de várias pessoas, entre guerrilheiros e camponeses, vítimas das forças armadas. Atualmente grupos de trabalho como o GTA fazem estudos sobre o que teria acontecido na época do conflito, tentando descobrir, por exemplo, onde foram parar os corpos daqueles que morreram durante a guerrilha. Essas pesquisas são de extrema importância, pois buscam resgatar uma parte do passado nacional (mesmo que horrível) de forma que algumas peças deste quebra-cabeças que foram esquecidas ou ocultadas sejam colocadas em seus devidos lugares.
    Histórias de militantes como Helenira são a prova da frieza militar que acabava com a vida de qualquer um simplesmente pelo fato deste expressar a sua opinião e lutar pelo que julgava certo. É incrível ver que, mesmo depois do fim da ditadura, aqueles que buscam a verdade e que auxiliam pesquisadores a encontrarem pistas sobre os acontecimentos do passado permanecem sendo ameaçados, como se ainda vivessem no período militar sem terem a liberdade de contar histórias de sua própria vida.

    3º ano - Técnico Integrado em Edificações

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  2. Jhonatan Curtolo Garcia - 3º ano Técnico Integrado em Edificações

    O Brasil passou por um período traiçoeiro, o governo militar. Um governo que não era aceito pelos estudantes e algumas pessoas de todo o território nacional. Varias pessoa entraram para a guerrilha com o motivo de acabar com o poder dos milicos e devolver a todos os direitos, como o voto nas eleições diretas. Mas como investigar algo que está mal contado por quem o executou, vários depoentes afirmam que os numero repassados pelo exercito está longe de ser real. Com isso varias pessoas que lutaram pelos direitos, que foram desaparecidos e mortos tem sua real historia contada.
    Mesmo que vários depoentes venham a declarar oque ocorreu. Com isso varias pessoas tem medo de depor,para não ser ameaçados como vários relatos já entre a policia federal

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  3. Renato Rodney Mota Ferreira - 3º ano Técnico Integrado em Edificações.

    Foi tempos em que varias pessoas foram torturados e mortos para o direitos de todos. O governo dos militares aboliram vários direitos da população de todo o território, motivo de fúria para estudantes e pessoas civis. Com muitas pessoas na guerrilha, o exercito esconde os verdadeiros números das guerras. Quantas pessoa morrem por nossos direitos, Helerina é um exemplo, ninguém sabe ao certo oque ocorreu com ela, ocultando sua historia, mas se procurar bem la no fundo encontraremos as respostas corretas para a historia. Mas as ameaças omitem essa pessoas que tem medo de se apresentar, espero queum dia a verdade vem a tona e que a justiça seja feita.

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  4. Tayná Diane Carvalho Do Nascimento 3º Edificações7 de abril de 2014 19:05

    Texto muito bom que vem informando a todos sobre este grupo de pesquisadores que vem tentando mostrar para todos a verdade que esta por trás da Guerra do Araguaia, que tem um numero de mortos mais que na verdade e bem mais do que se sabe. Estes tipos de pesquisadores e informantes que ajudam nestas pesquisas correm bastante perigo pois estão mexendo com pessoas perigosas que estão envolvidas nestes assassinatos, que são dispostos a calar quem quer que seja, para a verdade por trás não vir a tona. Mais mesmo assim com todos estes riscos ainda tem pessoas que estão dispostos a trazer a verdadeira realidade que aconteceu nestes locais.

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  5. Ellen Jeymes Nunes Souza7 de abril de 2014 20:19

    Durante o período da Ditadura Militar no Brasil, muitos grupos entraram em revoltas, pois não concordavam com as leis regidas pelo período ditatorial, que eram bastante severas, quem governava nessa época eram os militares, temos como exemplo, um grupo de pessoas que faziam parte da Guerrilha do Araguaia, no norte do país, nessa revolta, cerca de 500 os mais cidadãos que eram camponeses denominados guerrilheiros que viviam na região, foram violentados, torturados e mortos pelos militares. Nesse conflito houve bastantes ameaças por parte do governo militar, e quem não obedecia as “regras” acabava sendo torturado até a morte, e muito pouco se sabe atualmente, onde foram parar os corpos das vítimas. Pesquisas feitas por pessoas que estão dispostas a desvendar esse mistério são de extraordinária importância, pois só assim, os familiares das vítimas vão ter um pouco de paz, e ainda com os resultados da busca permitirá que desvende: O que realmente aconteceu nesse período passado.

    3° Ano Edificações.
    Ellen Jeymes Nunes Souza.

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  6. Neste texto nos mostra o quanto esse evento na história foi sangrento, vários camponeses morreram espancados e alguns perderam suas terras. O Sr. Abelinho, um dos sobreviventes da guerrilha, relata o quão horrendo foi a Guerrilha do Araguaia. Na operação limpeza, as forças de repressão buscavam remanescentes de terrorismo, como supostos colaboradores dos guerrilheiros, houve uma segunda limpeza, na qual foram retirados ossos de pessoas mortas naquela região, esses ossos ficavam em sacos muito pesados, mas as pessoas que os carregavam, não poderiam saber de nada, só realizar sua obrigação, relatam ainda que o cheiro era insuportável. Vários camponeses aderiram á guerrilha, porém, muitos mateiros foram mortos mesmo tendo contribuído com o exército. As pessoas autoras desses relatos, foram alvo de ameaças, que diziam coisas como: "Pare de falar besteira" "Não te mete em encrenca", coisas assustadoras mesmo. O tio da esposa de Manoel Messias, foi espancado até a morte, apenas por ter dado comida aos guerrilheiros, isso serve para nos mostrar o quanto era repressivo o regime. Helenira foi uma das figuras mais importantes na luta contra a ditadura, e que coragem, hein?! Foi presa três vezes, mas continuou lutando, porém começou a viver na clandestinidade, até se mudar para o Araguaia. Acabou metralhada nas pernas e torturada até a morte por não revelar seus conhecimentos.

    Iara Martins Maróstica 3º Ano Técnico Integrado em Edificações

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  7. A guerrilha do Araguaia aconteceu durante a ditadura militar, por isso todos que eram contra o regime eram reprimidos, ou seja, eram torturados e mortos. Na região do Araguaia ocorreram muitos massacres nos quais vários camponeses e trabalhadores foram mortos pelos soldados as pessoas que ajudavam os militantes também foram punidas. Muitas pessoas ajudavam os militares pensando que assim estariam seguros, porém até mesmo esses acabavam sendo assassinados. Hoje em dia, as pessoas que sobreviveram a tudo isso continuam sendo ameaçadas, exemplo disso é o senhor Valdim que recebe telefonemas dizendo que ele tem que se calar ou o pior pode acontecer a ele. Ele também diz que carros de vidro preto rondam a sua casa quase todos os dias e para ele isso é prova de que eles ainda são vigiados mesmo depois de tanto tempo.

    Igor Rafael 3° edificações

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  8. O exército agiu com total desprezo e desconsideração com a população. Quantos não foram mortos somente por ajudar os guerrilheiros? O exército chegou matando sem considerar nada. Esse é um problema sério da sociedade brasileira hoje. Essas organizações armadas possuem um poder muito grande que não é fiscalizado nem monitorado.
    Dizem que foram em média 100 mortos, mas já ficou claro que na realidade esse numero e bem maior. Isso que causa maior revolta. Como pode ser possível um grupo agir de maneira tão independente e sem regras? Que chega mata, tortura, espanca e sai impune. Tratado como heróis. E aqueles que lutaram por uma melhora que foram mutilados, muitas vezes ainda saem como bandidos, bagunceiros e causadores da desordem.
    Nathanny Carvalho Godoy. 3° Ano Técnico em Edificações

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  9. Durante a guerrilha do Araguaia centenas de pessoas foram assassinadas, sendo a maioria camponeses, que eram mortos à sangue frio pelos militares. Haviam aqueles que ajudavam os militares a prender os militantes, que eram chamados de mateiros. Um deles foi o senhor Abel Honorato de Jesus, conhecido como Abelinho, que conta como as pessoas eram espancadas até a morte e que eles eram obrigados a limpar o sangue e retirar os corpos do local sem poder fazer nenhum tipo de pergunta. Conta também que vários camponeses foram maltratados e perderam suas propriedades. Depoimentos como esses estão sendo muito importantes para o esclarecimento do que realmente aconteceu com aqueles que desapareceram ou foram mortos durante a guerrilha do Araguaia, porém essas testemunhas são ameaçadas o tempo todo, recebem ligações, são vigiadas e sofrem atentados.
    Daniel Pedreira 3°edificações

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  10. A guerrilha do Araguaia, que ocorreu no período da ditadura militar, foi um dos maiores massacres de todos os tempos, camponeses e trabalhadores foram mortos pelos soldados, mateiros eram obrigados a ajudar na captura dos militantes, os quais eram torturados e assassinados. As pessoas que os ajudassem dando mantimentos ou qualquer tipo de ajuda, recebiam tratamento igual. Vários fatos continuam encobertos, porém, com a ajuda de pessoas que vivenciaram esse período, investigações estão sendo feitas afim de se revelar tudo o que esteve escondido durante todos esses anos. O problema é que pessoas essênciais para isto são ameaçadas diariamente dificultando a conclusão das invesigações.

    Hákyla Andrade Lopes
    3° Edificações

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  11. A guerrilha do Araguaia entrou para a historia como um dos maiores massacres de todos os tempos. Vários camponeses e trabalhadores rurais e da mata eram assassinados sem a menor consideração, outros eram obrigados a trabalhar como mateiros ajudando a capturar os militantes. Os que se opossem a isso, ou ajudassem os militantes dando à eles mantimentos também eram torturados e espancados até a morte. Os números de mortos, durante a guerrilha do Araguaia, que são divulgados são de aproximadamente 100 pessoas, porém novas buscas mostram que entre desaparecidos e assassinados esse número pode ultrapassar a casa das 500. Cenas horríveis como a retirada de corpos e ossadas humanas na primeira e na segunda operação limpeza ficaram marcadas na memória de várias pessoas que retiraram sacos cheios de ossos sem nem ao menos saber do que se tratavam. Atualmente as pessoas que viveram esse período de horror estão ajudando em investigações para tentar esclarecer tudo o que ficou inesplicado, mas essas pessoas são contantemente ameaçadas, tanto por telefone, quanto pessoalmente com carros fazendo rondas rotineiramente. Algumas até sofreram acidentes por causa de sabotagens, tudo isso para impedir que elas falem tudo o que sabem.

    Giovanna Moreira Alcântara Gontijo Santos - 3° Edificações

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  12. A ditadura militar período em que o Brasil foi governado pelos militares, foi caracterizada por uma grande repressão, censura, perseguição e anulação dos direitos constitucionais. Neste período surgiram vários grupos que contestaram essa opressão, mais que foram brutalmente reprimidos. Foram criados pelos militares, vários órgãos que perseguiram quem era contra o governo, e estes promoveram uma verdadeira caça às bruxas.
    A ditadura militar deixou uma mancha na história brasileira, onde várias pessoas que lutaram para defender a democracia e os direitos do povo foram assassinadas.
    Um dos movimentos de destaque da revolta contra esse período foi A Guerrilha do Araguaia, que acabou com a morte de centenas de pessoas dentre eles camponeses e guerrilheiros.
    Durante muito tempo tentou se esconder estes acontecimentos, mais que agora estão vindo átona. As marcas deixadas pela ditadura não podem ser esquecidas como se simplesmente nunca houvessem ocorrido, as famílias que perderam parentes merecem uma resposta do que realmente aconteceu, além disso, e necessário que as pessoas responsáveis por isso sejam punidas. A sociedade brasileira não pode ficar alienada a tudo isso deve exigir respostas, sendo assim e de grande importância os trabalhos realizados por grupos como GTA que buscam desvendar a história brasileira.
    Elida de Abreu 3º ano Edificações.

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  13. Como já sabemos, ha um grande problema entre esses manifestantes e o governo, pois onde essa autoridade está sofrendo por graves acusações se ve na medida de "reparar seus erros" assinandos pessoas que possam a vir a compromete-los. Esse é um assunto muito delicado, por ser envolvido grandes mandantes que atuam ou atuou como uma autoridade.
    Diversos programas são criados para reparar esses que foram afetados diretamente e indiretamnete, a uma grande repressão na parte desses desfavorecidos, por sofrem grande pressão e muitas das vezes ameaças do governo.

    Heittor Bailona - 3 Edificações

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  14. A busca pela verdade sempre foi uma das principais preocupações do homens, e nada mais natural que isso já que o homem necessita acreditar em algo para viver. E descobrir a verdade sobre esses fatos de um passado tão distante e tão sombrio de nossa história tem uma grande significância e fundamental para a construção da história de diversas pessoas, que buscam saber o que ocorreu com seus pais, com seu cônjuge ou amigo. Essa busca pela verdade constrói identidades também, principalmente a identidade de um povo que se viu assolado pelos abusos e maus tratos, de pessoas que se viram abandonados pelo o Estado, pois ele próprio era o causador dessas crueldades, e ainda mais importante a construção da identidade de um país. Mesmo sendo mais um episódio trágico dentre tantos outros na história de nosso país, é importante que os reais acontecimentos sejam trazidos à tona, para que a verdade possa aos poucos tomar seu espaço num cenário onde a mentira e ocultação de fatos prevalecem.

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  15. Bom seria se ao menos um terço de cada Brasileiro pudesse ter acesso, ou ao menos pesquisasse, a respeito dos fatos ocorridos nessa fase obscura que o Brasil passou. Só assim saberiam valorizar a forma de governo que atualmente existe no país. No entanto, eu como cidadã brasileira, repudio de forma severa, os atos praticados por esses que se diziam Brasileiros,idealizadores de bons princípios, e que na verdade nunca foram Brasileiros, mas sim, imitadores dos Marginais que sucumbiram a honra e a dignidade dos Verdadeiros Brasileiros. Aqui vão minhas condolências, a todos os familiares dos verdadeiros Brasileiros, que lutaram e deram suas vidas, por um Brasil livre de tamanha crueldade.
    Sannie Martins - 3º ano Edificações

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  16. Engraçado, ninguém fala do soldado morto, do soldado ferido, como se eles não fossem ninguém, não tivessem família, não tivesse mãe, só defendem bandidos, por que quem afronta o estado é bandido, independente da época tente atacar os policiais militares de hoje, que é democracia e verá que o fim será o mesmo daquela época, tente atacar um quartel da pm para ver se você terá tempo para sair candidato a presidente, estão reescrevendo a história e tratando bandidos como heróis......

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  17. ESTAVAM LUTANDO PELA DEMOCRACIA? TREINADOS PARA GUERRA? MORRERAM COM HONRA? ,ENTÃO COLHERAM O QUE PLANTARAM,ERA PRA MATAR TUDINHO.

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