quinta-feira, 28 de julho de 2011

CONCURSADOS DA UEG: O DRAMA DA SUBSERVIÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR EM GOIÁS

Existem muitas discussões sobre o papel que tem a Universidade na sociedade. Ela forma, mas não apenas forma. A Universidade deve ser um espaço permante de pesquisa, de debate, de busca por respostas aos desafios experimentados pela sociedade que a circunda, e por isso a constitui. Mas, como pensar esse papel numa instituição cuja história é marcada pela subserviência? A Universidade Estadual de Goiás, UEG, tem servido para quase tudo, no que diz respeito à instrumentalização política, mas um tudo que nada condiz com o papel de uma instituição que deveria colaborar com o progresso do Estado e, consequentemente, a melhoria das condições de vida da sociedade que representa. 

Conheci a UEG em 2004, quando ingressei na Unidade Universitária de Uruaçu, onde fiz licenciatura em História. Naquele mesmo ano, amparado por um Mandado de Segurança, ingressei no Curso de Pedagogia no Pólo Universitário de Niquelândia, cidade onde residia. A realidade da UEG, tanto em Niquelândia quanto em Uruaçu era caótica. Como aluno questionei isso.

O reitor à época era o senhor José Izecias, que utilizava a Universidade como se fosse empresa sua. Tinha, para tanto, o apoio do senhor Marconi Perillo, então governador do Estado de Goiás. Essa dupla, sem respeitar nenhum princípio ou zelo pela educação, fez do Ensino Superior Público Estadual uma verdadeira promiscuidade. 

O caos, como analisava naquele período, podia ser percebido pela realidade estrutural da Universidade. Marconi fazia vir para aquele presente a leitura de um tempo anterior onde, segundo Itami Campos (1987), o atraso era trampolim político. O quanto pior melhor, interpretação do historiador goiano para idos do século XVIII, que lhe rendeu várias críticas, entre elas a do professor Nasr Chaul, se não cabia como leitura do coronelismo em Goiás no passado, tornou-se chave de leitura para aquele presente, que se manteve como norma durante toda a primeira década do século XXI.

Os professores, quase todos contratados, tinham péssima formação. Cheguei mesmo, num momento de campanha política do Reitor Izecias, a questioná-lo se seria possível a um aluno da Universidade Estadual de Goiás, em Niquelândia, sonhar em ter um professor com, pelo menos, a formação de mestre. Apenas um sonho. A chave de controle da UEG sempre foi o sistema de contrato, em alguns casos vitalícios, e a prioridade para a contratação de pessoas com quase nenhuma formação. O próprio perfil de muitos dos professores da UEG, pelo menos no interior, já eram suficientes para tornar o seu ensino antítese daquilo que o identifica, ou seja, inferior. Em Niquelândia cheguei a ter uma professora que desconhecia as normas elementares da gramática, sem o menor preparo para lidar com a sala de aula posto que era destituída de qualquer habilidade didática. Em Uruaçu, com um corpo docente levemente melhorado, conheci uma professora com quase dez anos de docência em regime de contrato temporário, outros estavam completando cinco anos, seis anos e por aí seguia o drama.
Foi relutante que o governo Alcides Rodrigues, diga-se de passagem um governo mediocre, promoveu um concurso para provimento de vagas ocupadas por pessoas na condição de temporários. Na ocasião, 2010, estava finalizando o meu Mestrado na Universidade Federal de Goiás, a UFG, e aventurei-me a uma vaga na área de didática do ensino de história. Fiquei no Cadastro de Reserva. Somos muitos nessa condição.



Todos sabemos que o Governo Marconi não se interessa pela nossa nomeação. Claro, Marconi prefere as táticas coronelistas de que fala o professor Itami Campos. O tempo novo, lema dos seus primeiros governos, foi revestido de herança do passado. Foi com os valores do passado, o que tinha pior no passado, que o homem da camisa azul acimentou o seu jeito de ser governador.

Lutar pela noemação dos concursados, considerando que o número de vagas dispostas no concurso era bem abaixo das necessidades do Estado e da UEG, é lutar pela democratização do Estado de Goiás, porque não pode ser autônoma uma sociedade cujo instrumento de desenvolvimento encontra-se instrumentalizado por nenhum grupo político.
O que vier de melhor para os goianos será mérito dos goianos. A luta já está sendo encaminhada. Sempre questinei quando fui discente, quando docente quero continuar transformador. Me orgulho dos alunos que vãos às ruas. Lamento pela mediocridade que ainda há. Já conheci professores que preferem a acomodação ao estado de temporário que arriscar-se à luta pró-efetivação, porque temem perder a migalha. Por tudo isso, como afirmei num artigo de 2006, pensar é preciso, aceitar não é preciso. Agora acrescento: fazer alguma coisa é preciso, ficar parado não dá.