sábado, 16 de março de 2013

ALEX KOZLOFF SIWEK: O CARA QUE BEBEU, DIRIGIU E ARRANCOU O BRAÇO DE UM CICLISTA E VAI SAIR LIVRE

O cara que vai pagar cesta básica depois de beber, dirigir e mutilar.
Li hoje longa matéria no globo.com sobre  ameaças de morte via internet que Alex Kozloff vendo recebendo. Se trata de uma matéria enfática, a família de Kozloff está acuada ao ponto de sequer poder sair de casa. Criaram perfis falsos no facebook, portanto crime de falsidade ideológica, a partir do qual se incita à violência contra o universitário, outro crime previsto na nossa constituição.

Não há dúvida por tudo o que se lê, que Kozloff é uma vítima acuada. Um bom rapaz que, por acaso, arrancou o braço de um mulato lavador de janela. Como a própria delegada Priscilla Rorigues, do 5o DP, evidenciou a própria perícia já contribuiu para com o acusado ao negligenciar, em seu trabalho de perícia, dados incriminadores.   

No Código Hamurabi, também conhecido como Lei do Talião, se um homem arrancasse o braço do outro, o seu também deveria ser arrancado. Mas isso se os dois homens fossem iguais. Desse modo, se um rico arrancasse o braço de um pobre, poderia como punição apenas pagar-lhe uma idenização. É o que vai acontecer nesse caso.

Não tenham dúvida, culpado foi o ciclista David Santos Sousa. Ele é culpado por ser pobre. Ele é culpado por ser mulato. Foi o crime de um branco rico, universitário contra um negro lavador de janelas. Isso, no Brasil nunca foi crime, não importa a configuração dos fatos.

Já esqueceram do Thor de Oliveira Fuhrken Batista, filho do Eike Baista? Ele também atropelou um negro pobre, Wanderson Pereira dos Santos, que circulava pelo acostamento da Avenida  Washington Luís, e o que lhe aconteceu? Até agora nada. E não vai acontecer.

São circunstâncias como essas que possibilitam uma imagem de como o nosso Brasil é cruel, de modo muito especial, cruel com os negros pobres. Essas injustiças têm muito de questão racial, o que escamoteamos, como se não tratasse disso. Mas existe muito de conflito de classe. Não do conflito porque os pobres tivessem consciência de si, não. Mas porque o pobre ainda é um lixo social do ponto de vista das elites e das classes medianas, que pensam que são elite. E em São Paulo isso é muito mais evidente.