domingo, 29 de setembro de 2013

A REVOLUÇÃO NECESSÁRIA

O Estado, os professores, todos temos os pés sobre alguém.
Uma vez, logo que ingressei no curso de História na Universidade Estadual de Goiás, onde hoje sou professor, choquei minha saudosa professora Maria Ângela, que chamávamos Mariângela. O ano era 2004 e eu disse a ela que só tinha fé no MST que tendia a virar um movimento armado e se o fizesse eu deixaria tudo para segui-lo. Pareceu imaturo a nove anos atrás, mas hoje, que o MST também morreu, em que posso ter fé?

Quis, e ainda acho, meio tímido, meio envergonhado, que quero acreditar que os professores possam fazer a mudança. É uma ilusão alimentada pela minha própria condição servil, professor. Queria mesmo que fôssemos diferentes. Eu queria uma revolução em algum lugar, partindo de qualquer grupo porque do jeito que tá, sei não, mas acho que não dá.

E os professores, coitados! Esses, apenas lacaios do sistema. E eu que já fui rebelde, hoje também sou um instrumento do sistema. Hoje minha rebeldia, muda e cega, é contra quem pensa, porque já sei que somos professores para reprimir quem pensa. E a cada dia, minhas retinas cansadas, e o que resta da minha percepção debilitada constata, nada há de mais retrógrado do que a educação formal. Nós domesticamos, os gregos educavam. 

Os professores constituem os agentes responsáveis por essa imensa engrenagem que é o Estado. Eu fico pensando naquelas professoras solteironas ou naquelas sem qualquer valor-de-si que sustentam seus maridos bêbados. Penso nos meus colegas cuja maior rebeldia é descuidar-se da higiene pessoal, que se pensam revolucionários porque param de tomar banho e deixam a barba crescer. Pobres coitados. Coitados de todos nós, de um ou de outro jeito, colhidos pelo sistema.

Ainda não vi no Brasil nenhuma luta de professores que valha à pena.  Estudamos tanto, tanto, tanto e não temos, sequer capacidade de articulação. Somos desorganizados e desunidos! Somos ignorantes de nossa própria condição! Somos covardes. Mas a covardia não está em dizer não a uma greve. A covardia está em aceitar, pelo silêncio as formas de exploração que nos circundam, em deixar-nos instrumentalizar, inclusive numa greve.

No Brasil houve melhoras na situação do professor, migalhas jogadas pelo ex-presidente Lula. O piso foi uma concessão do Estado e não fruto de qualquer luta de professores. O Estado, que nos oprime, paradoxalmente, tem uma visão mais libertadora da educação que nós mesmos. Nós professores, nunca vimos a educação como projeto nacional. 

Os federais por si, cada Estado por si, cada municipiozinho esquecido à própria sorte. E não sabemos lutar porque essa é a natureza mesmo do nosso ofício, não saber. Saber da nossa condição, possibilidade de superação da mesma, seria, acredito a Revolução necessária. Mas, eu sei que isso é utopia. Nós ensinamos subserviência, e se fôssemos livres e pensantes, o que ensinaríamos? Liberdade e pensar? Isso nenhum Estado Democrático quer.