terça-feira, 13 de setembro de 2011

GAZETA DE CARAJÁS, O PREFEITO MAURINO MAGALHÃES E O USO DO DINHEIRO PÚBLICO EM MARABÁ: COISAS QUE ATÉ DEUS DUVIDA

Caos na saúde, na Gazeta, tudo bem.
Informação é um bem imprescíndivel para a saude da democracia em qualquer sociedade. Essa relevância da informação tornou a imprensa um perigoso instrumento de poder que derruba tiranos, como tem sido o caso no Oriente Médio, e ergue outros - os nossos tiranos.

Circula em Marabá e Região um jornalzinho sob o título "Gazeta de Carajás". Não sei quem é o dono, mas supondo que não seja o dinheiro público do município de Marabá, teria um imenso prazer em conhecer o mágico que consegue fazer circular um jornal dedicado à promoção da iamgem do prefeito Maurino Magalhães, tendo apenas quatro anunciantes, entre os quais um "Leão Ambiental" cuja proprietário, suspeita-se, é uma pessoa laranja que atua em nome do filho do prefeito. Não há outro meio, diferente da mágica que explica a existência do tal jornal.

Mas, supondo que a administração seja séria e que não tenha nenhum vínculo com o jornal, porque isso seria um crime, ainda seria necessária um conto de fadas para explicar porque na escola  que trabalho toda semana chegam dezenas de exemplares do referido jornal sem ônus ou solicitação de nenhum funcoinário ou da escola. Ao que parece, a julgar pelas secretarias abarrotadas com "Gazeta de Carajás" toda semana, a administração tem um compromisso muito sério com a circulação do jornal em questão.
Se houvesse explicação para isso, se, de fato, o prefeito nada tivesse haver com a coisa, ainda faltaria explicação para o fato de que, pelo menos em Morada Nova, centenas de exemplares do "Gazeta de Carajás" são, às escondidas, lançados no interior das residências  de modo que, centenas de exemplares gratuitamente são distribuídos toda semana como se o conteúdo, de exaltação do senhor Maurino, fosse uma informação que, por sua utilidade, não pudesse faltar ao povo marabaense. 
Maurino, elogios em 17 páginas do Gazeta.

E quem paga isso? E que utilidade pública há no conteúdo do "Gazeta de Carajás"? Por acaso a promoção da imagem da pessoa Maurino Magalhães virou utilidade pública? Se no jornal, discretamente é verdade, há a informação de que o exemplar custa R$ 1,00, quem paga os milhares de reais dos exemplares que abarrotam as secretarias municipais, escolas, hospital e demais repartições que ostentam o busto do senhor Maurino? Como professor de história não vejo qualquer utilidade no jornaleco porque o mesmo não tem compromisso com qualquer informação; trata-se antes de uma agenda do prefeito acrescida de apologias que lhe são prestadas pelos seus suditos. Quem paga os exemplares que são distribuídos nas residências do povo marabaense?

No n LI, do ano I, o que estou utilizando como referência são 17 páginas de exaltação do prefeito. Depois uma página dedicada ao prefeito Jorge Barros, de São Geraldo do Araguaia; uma ao prefeito Jaime Modesto, de São Domingos, meia página para Abel Figueiredo e Bom Jesus, conjuntamente - nesse caso o texto é informativo e não apologético - e encerra-se a edição com crônicas esportivas e algumas notas sobre eventos regionais.

Se a administração tomar para si a defesa desse fenômeno que só não é macabro porque acontece no Brasil, e argumentar que mantém contrato com a empresa dona do jornal, nem sei se é empresa ou o quê, ainda seria necessário muito reflexão e uma ação responsável por parte do poder público porque acredito ser inadimissível num município com tantas carências que se jogue dinheiro no lixo tendo como fito apenas a alimentação dos ratos que fazem política. Marabá é carente de saneamento, de água tratada, de valorização dos profissionais do magistério, de uma merenda escolar que tenha qualidade nutritiva e, mais urgente ainda, de um sistema de saúde que atenda dignamente as demandas do município.
Num quadro desse só consigo ver a existência desse jornal, tal como tem se mostrado, como um desrespeito à boa inteligência. Não é possível que se queira dizer que o "Gazeta de Carajás" tenha existência filantrópica e que é por acaso que quase todo ele constitui uma apologia à atual administração. Se isso ainda é possível no Brasil, é porque ainda vemos a indecência na forma de usar o que é público como normal. Se isso é possível no Pará, é porque achamos que no Pará as coisas não precisam ser corretas. As coisas estãoassim, mas não precisam passar desse ponto. Pensar é preciso, aceitar não é preciso.