sexta-feira, 21 de junho de 2013

O VANDALISMO: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA

Eles, os vândalos, derrubaram ele, o Império.


Muita gente absorve o julgamento midiático sobre o grupo mais exaltado das manifestações no Brasil e, imposta pela imprensa marrom, aceitam a sentença de que existem bandidos infiltrados no movimento promovendo o vandalismo. Para minimizar, no que for possível, a ignorância dessas pessoas quero explicar o que é vandalismo e a diversidade de estratégias de luta em todo movimento que se pretende efetivo.

Como se aprende na 5ª série do ensino fundamental, sempre achei que esse não era um assunto para a 5ª série, o Império Romano foi invadido de forma mais decisiva no século V. Os romanos que se consideravam o centro criativo e civilizador do mundo julgavam bárbaros, e inferiores, aqueles grupos de cultura distinta da romana, especialmente no que diz respeito à língua, o latim. Desse modo, parte significativa desse mundo branco e civilizado de hoje, era o mundo bárbaro de ontem.

Pois bem, os vândalos, assim como os germânicos e francos, eram um desses povos bárbaros, que em essência eram bárbaros porque não eram romanos, ou seja, eram o outro que devia ser negado e destruído. Esses vândalos conquistaram o norte da África formando seu reino com capital em Cartago. Em 455, como outros povos fariam mais tarde, invadiram e saquearam a cidade de Roma.

Roma era a intocável porque devia ser o espelho do mundo. Os vândalos a profanaram não porque a saquearam, mas porque a conquistaram.

Pois bem, ainda estou por conhecer uma revolução na qual esteja suprimido o elemento violência. A desordem é violência. Mas não se pode fazer revolução sem alterar a ordem quando a ordem representa a realidade que se está negando.

Desse ponto de vista, vândalos somos todos nós que queremos um Brasil melhor. A mudança que se quer nesse país só pode advir da desordem, porque é a ordem que estamos negando. É essa ordem de coisas constituídas pela corrupção dos superfaturamentos de que as obras da copa são os exemplos mais atuais, do abuso policial, do enriquecimento ilícito de juízes, políticos e outros servidores públicos, da ausência de hospitais e médicos e de uma educação precária, entre outros elementos da ordem atual, que estamos negando.

Vândalos somos todos nós. E isso inclui o governo. O indivíduo que joga uma pedra no Congresso Nacional, símbolo do que há de pior nesse país [aqueles que o ocupam] não causa maior dano ao patrimônio público que o governo que queima quase 1 trilhão de reais em estádios para depois entregar a empresários como Eike Batista enquanto o povo pobre morre em recepção de hospitais.

A imprensa brasileira não tem compromisso com a mudança. Tem compromisso com a ordem. A polícia bate, lança bombas e balas, mas o vandalismo é do povo. E isso é fundamental, diante dessa ordem, eu também quero ser vândalo. Se a polícia aderisse à mudança ela chegaria mais rápido. Mas eles, sem identidade, não o poderão fazer. São instrumentos da ordem e sequer sabem o que são, se o Estado [quando estão de farda] ou do povo [quando são submetidos à mesma ordem que todos nós].
Sim, diante dessa ordem, os vândalos são necessários!