segunda-feira, 23 de abril de 2012

MEDIOCRIDADE E EDUCAÇÃO: UMA REFLEXÃO SOBRE PROFESSORES MEDÍOCRES

Livro, além de uma arma contra a polícia, é também o
o terror de professores medíocres, que não têm
nenhum gosto pela leitura.
Todo cidadão brasileiro sabe que a educação em nosso país se encontra num estado cuja gravidade urge por solução. O que poucos sabem é que a doença demanda cura também dos professores. Os docentes estão doentes. Alguns afetados por enfermidades físicas, mas prevalece a mediocridade como enfermidade maior entre esses profissionais.

Já que estou escrevendo, vou pôr de lado o vil sentimento que geralmente trava nossa comunicação e nos obriga a meios-termos; não quero usar meios-termos, e para ser assim tão verdadeiro, começo por dizer que um elemento fundamental na promoção da mediocridade no espaço da escola é a contratação temporária de professores. São eles, os contratados, os mais medíocres entre todos.

Ministrador de aulas medíocres, o professor medíocre
em nada contribui para mudar esse quadro.
A mediocridade é multiforme. Vai desde a qualidade intelectual e didático-metodológica à qualidade do exemplo no que diz respeito à cidadania. Mas não são apenas os “contratos”, medíocres são muitos colegas professores e professoras que em nada contribuem para a melhoria da qualidade do ensino.

Fui professor da Rede Estadual de Ensino do Estado de Goiás, como contrato e depois efetivo. Fui professor na Rede Municipal do Município de Niquelândia, Águas Lindas de Goiás; na Rede Estadual de Ensino do Estado do Pará e na Rede Municipal de Marabá. Em todos esses espaços vi mediocridade.

Não digo que não fui medíocre em muitas ocasiões. Mas sei que não deixei prevalecer a mediocridade.

Professores medíocres não se mobilizam. No intervalo, como vejo quase todos os dias em uma escola em que trabalho, falam das suas doenças e dos remédios porque professores medíocres quase sempre estão doentes. Professores medíocres passam o ano inteiro sem ler um livro, e ainda pretendem que seus alunos sejam leitores. Professores medíocres não inovam e seus alunos não aprendem, mesmo assim todos têm excelentes notas, em alguns casos, a mesma nota para todos. Professores medíocres se ressentem contra quem “é do movimento” porque justificam sua acomodação como exercício da ordem, sem saber que a ordem no Brasil é desigual, injusta e covarde. Professores medíocres atrasam o nosso país, mas agradam aos políticos, porque geralmente são apadrinhados por estes.

A essa pergunta, considerando docentes medíocres,
 dever-se-ia responder sim. Importância não é dada,
é conquista.
Professores medíocres têm tudo a ver com a decadência da educação brasileira. Professores precisam de salário melhor? Claro, precisa. Mas, a solução não está aí somente. É preciso melhoria de salário, mas também de qualificação intelectual e didático-metodológica dos professores e, mais urgente, de professores que têm competência para se comprometer, inclusive competência crítica e cidadã para o exercício da docência.

Eliminar os professores medíocres do espaço escolar, acredito, é medida fundamental para a eliminação da mediocridade na educação. A partir daí, melhoria de salário e das condições de trabalho virá como conseqüência afinal, são os medíocres que travam qualquer conquista.

Quem discordar, que se expresse!