sexta-feira, 13 de junho de 2014

AO DIRETOR DO DETRAN-GO EM URUAÇU



Senhor diretor,


Há um descrédito, até certo ponto, generalizado da parte da sociedade goiana em relação ao Detran, que em Uruaçu, está sob vossa gestão. Foram reincidentes denúncias de corrupção, todos sabemos, que levaram o próprio governo estadual a retirar do Detran a competência para avaliar candidatos a condutores de veículo e motoristas. 

A própria estrutura sucateada facilita a permanência dos vícios.
Mas, quando a corrupção é generalizada, ela encontra outras formas de subsistir. Cumpri-me, infelizmente, lhe escrever para expressar minha indignação com a permanência dessa cultura da corrupção a que o seu órgão se agarra com tanta firmeza.


Em Uruaçu, o Detran tem horário de funcionamento que, conforme me informaram hoje, é das 08hs as 11hs e das 13, acho que as 17 horas. Nessa data, 13/06, cheguei ao 11 horas e 03 minutos e, cumprindo o horário, já estava fechado. Eu sei que lá dentro os dedicados funcionários ainda atendem as senhas já com os usuários.

Fiquei na área interna, posto que o portão estava aberto, e em cerca de 10 minutos vi quatro pessoas entrarem e serem atendidas. Foi pura bondade? Acredito que não. Vi entrar um conhecido meu, que foi recebido por um funcionário que veio ao seu encontro, pegou os seus documentos e, certamente desrespeitando a ordem das senhas, foi lhe dar atendimento. Seria isso apenas bondade? Solicitude? Acho estranho que alguns despachantes sequer respeitem o espaço que, teoricamente deveria ser reservado aos servidores do setor, entram e não se dão sequer ao trabalho de pegar uma senha. Dá-se a impressão de que o Detran é uma extensão de seus negócios. Bondade? Solicitude dos atendentes?


Não tenho dúvidas de que é isso que faz do Detran o setor de menor credibilidade nesse Estado, e até onde sei, nos quatro cantos do Brasil.


Não tenho dúvida, também, de que isso é corrupção. A corrupção não é só pegar o cafezinho, que aliás poderia explicar a bondade e solicitude, embora eu não possa dizer que seja. Corrupção é quando o servidor, ignorando as leis, inclusive no que diz respeito ao princípio da equidade, favorece alguém em detrimento de outros, tendo por motivação outro fator diferente do interesse público.

Senhor diretor, seu órgão, pelo que vi hoje, e pelo muito que vi em outras ocasiões em que precisei destes serviços, é viciado e, portanto, padece do tipo de corrupção mais ignóbil, aquela em que a troco de quase nada,  a probidade é ignorada. 

Porque o Detran não pode ser um órgão que respeita o cidadão que respeita o Detran. Não quero ser privilegiado. Não quero ser atendido depois do horário regular. Não quero deixar de pagar multas. Não quero nenhum privilégio. Quero apenas ser respeitado. Quero apenas que as pessoas, embora diferentes na sua condição de sujeitos, tenham atendimento igual.

Acho que é somente fazendo, todos nós, o dever de casa que se pode esperar um Brasil melhor. Acredito, portanto, que não seria demais esperar que o os servidores do Detran, em qualquer lugar do Brasil, respeite o brasileiro. Respeite o brasileiro que não lhe paga uma dose de pinga no final de semana. Respeite o brasileiro que não é PM, por isso poderia lhe facilitar “uma situação”. Respeite o brasileiro que não é o mecânico que lhe faz serviço com desconto especial. Respeite o brasileiro que não é amigo de pesca do atendente. Respeite o brasileiro que não paga o cafezinho. Respeite o brasileiro que é apenas cidadão brasileiro.


Sem mais.



Moisés Pereira da Silva

terça-feira, 10 de junho de 2014

ESCRITA SOBRE O NOJO



O esquema cachoeira e as relações com Maroni, crime organizado em Goiás
Sei que não notícia isenta porque o caráter político de cada indivíduo torna todo discurso um campo de disputa. E não há notícia em nenhum meio de comunicação, há discursos. Mas, uma coisa é um discurso permeado por escolhas, por não poder ser neutro, outra coisa é a imprensa, ela própria se tornar panfletária ao pior gosto possível. Panfletos, sob o nome de jornal, é o que temos em Goiás.

Tenho folheado, ao custo de muito nojo, a grande imprensa goiana. Decididamente, “diário da manhã” e “o popular” não podem, para o cidadão consciente, manter o título de jornal. Panfletos com verborreia estruturada, mas ainda assim panfletos.

Para atestar a verdade do que digo trago à análise a edição do dia 10 de junho de 2014 do “jornal do leitor inteligente”, como se nomeia o diário da manhã. O destaque de capa era “Goiás é exemplo para o Brasil”, uma apologia ao governo Marconi. O segundo destaque de capa era “o mistério da multinacional goiana”, matéria sobre suposto crime organizado dentro do grupo JBS, de Júnior Friboi, desafeto de Marconi Perillo.

Na referida edição as primeiras cinco páginas – que são aquelas que o cidadão comum, que geralmente é um leitor preguiçoso, consegue ler com alguma atenção – dão lugar a reportagens sobre como Goiás “está no caminho certo”. Seguem a estas páginas, reportagens sobre como o PMDB, de Friboi, está pobre e sobre como o PT, a segunda oposição de Marconi, está ligado ao crime organizado do grupo Friboi/JBS. A intenção é mostrar que se o PMDB tiver algum recurso de campanha será oriundo do crime organizado do grupo Friboi/JBS, ao qual o próprio PT, através do filho do Lula, estaria ligado.

O jornal dá espaço a três testemunhos pró-Marconi, Jayme Rincón, presidente da AGETOP; Thiago Peixoto, secretário da Educação no governo do Marconi e o tenente coronel da PM Wilmar Rubens Alves Rodrigues, do BPM de Rio Verde. Estas figuras, são elas próprias, a contradição porque constituem provas incontestes de que Goiás está no caminho errado.

Jayme Rincón preside uma das piores empresas do Estado de Goiás, a AGETOP. A empresa consome milhões em obras que depois de alguns meses viram areia e lama. Fato é que em tempos de eleição vira a grande construtora de Goiás, para onde são destinados orçamentos milionários.

Thiago Peixoto, um economista, é o homem mais odiado pelos educadores em Goiás. Talvez, exatamente por isso, sem entender nada de educação, tornou-se secretário desta pasta, prova cabal do descompasso entre educação, segundo os profissionais e educação segundo o governo estadual, que a vê como uma área de onde se deve subtrair, e não acrescentar.

Coronel Wilmar Rubens, não controla o próprio batalhão
Por fim, o terceiro depoente no panfleto pró-Marconi, o tenente coronel Wilmar Rubens. O militar, em seu discurso impresso no jornal dá uma bronca nos colegas de farda que, segundo ele mesmo, ousam questionar o governo Marconi. Vou limitar-me, nesse caso, ao pouco que é noticiado sobre as tragédias envolvendo a PM goiana. Assim, pra começo de conversa, é bom lembrar que recentemente o governo de Goiás foi notificado pelo Ministério Público por uma enxurrada de promoções dentro da PM que estavam resultando na criação de patentes sem usos práticos, os coronéis sem quarteis. Então, desse ponto de vista, o governo pode ter sido muito bom para alguns oficiais, talvez não para os soldados e outros agentes de segurança de baixa patente. Além disso, é bom lembrar que o último escândalo da corporação veio de Rio Verde. Foi lá que a Operação quarteto prendeu militares envolvidos com extorsão, sequestro, tortura e assassinatos; certamente comandados do batalhão do coronel Wilmar Rubens.

Não teria o governador Marconi Perillo, na longa folha de pagamento de seus apaniguados, custeados pelo Estado de Goiás, ninguém melhor para lhe prestar um depoimento num jornal de tão ampla circulação, embora de valor noticioso duvidoso? Será que Vilmar Rocha, um dos maiores sanguessugas da política goiana –posto que nada faz, a não ser politicar –já esgotou seu blá-blá?  

Não. Goiás não está no caminho certo. O governador Marconi Perillo, chamado pelos professores da Universidade Estadual de Goiás de Marconi Periggo – com dos gs pra reforçar, talvez – é um dano ao presente de Goiás e um risco ao futuro destes Estado. Marconi Perillo é o inimigo público número um da educação, como o seu secretário, Thiago Peixoto, é o inimigo público número dois, e isso, por si só, já basta para que não seja um bom exemplo ao Brasil. 
Será que as policias goianas vão se contentar com a troca de carros novos –que beneficiam apenas a empresa que loca carros para o Estado – e a mudança de cor destes veículos – que ganharam as cores do PSDB? Será que os profissionais da educação em Goiás vão esquecer o que o governo atual fez com suas titularidades? Somos mesmo um povo sem memória e sem vergonha?

quarta-feira, 21 de maio de 2014

CRONOGRAMA DO ENEM


QUEM NÃO PRECISA PAGAR INSCRIÇÃO DO ENEM

Alunos de escola públicas e candidatos de baixa renda não precisam pagar a inscrição do ENEM.
Estudantes que estão cursando o 3º ano do ensino médio em qualquer escola da rede pública estão automaticamente isentos do pagamento, independente da renda familiar. O candidato deve informar que é aluno da rede pública durante o preenchimento da ficha de inscrição. 

Desde abril de 2013, uma lei determinou que candidatos de baixa renda estão isentos do pagamento da taxa de inscrição de vestibulares de universidades federais. A regra também se aplica ao Enem desde 2013. Para solicitar o benefício, o candidato precisa ter cursado todo o ensino médio em escola pública – ou na rede particular com bolsa integral – e ter renda familiar per capita mensal de até 1,5 salário mínimo. De acordo com o edital, o INEP poderá solicitar a apresentação de documentos que comprovem a situação de carência.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

ENEM 2014 PASSO A PASSO

O ENEM representa a possibilidade de democratização do Ensino Superior no Brasil, não fossem as fraudes e o privilégio de quem frequenta uma boa escola em relação à escola pública, que como sabemos, está muito aquém do que dela se espera. 
Para se inscrever acesse o link: http://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricaoEnem/ e,depois de informar CPF e RG, siga os passos seguintes conforme o sistema for solicitando.
Depois de inscrito, você terá acesso ao cartão de inscrição. Algumas dicas:
a) Cartão de confirmação:
O Cartão de Confirmação da Inscrição será enviado, pelos correios, para o endereço informado pelo participante no ato da inscrição.
No Cartão de Confirmação da Inscrição estão contidas as seguintes informações:
- número de inscrição;
- data; hora; local de realização das provas;
- indicação do(s) atendimento(s) especializado(s) e/ou do(s) atendimento(s) específico(s), se for o caso;
- opção de língua estrangeira; e
- solicitação de certificação, se for o caso.

O participante pode consultar ou imprimir o seu Cartão de Confirmação de Inscrição no seguinte endereço eletrônico http://sistemasenem2.inep.gov.br/localdeprova, informando seu CPF e senha.
b) Como são as provas:
O Enem é composto por quatro provas objetivas com 45 questões cada e uma redação.
Confira os dias da prova:
08 de novembro de 2014 (sábado)
- Ciências Humanas e suas Tecnologias e;
- Ciências da Natureza e suas Tecnologias.

Tempo para a prova: 4h30
09 de novembro de 2014 (domingo)
- Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Redação e;
- Matemática e suas Tecnologias.

Tempo para a prova: 5h30
c) No dia da prova:
Os portões de acesso abrem às 12h e fecham às 13h, horário de Brasília. Recomenda-se que todos os participantes cheguem ao local de prova até às 12h (horário oficial de Brasília), visto que será estritamente proibida a entrada após o fechamento dos portões.
IMPORTANTE!
- Verificar com antecedência, na página de acompanhamento do Enem, a validação da inscrição e o local de realização das provas.
- Fazer o trajeto até o local de prova antes do dia do Exame.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

DESMILITARIZAR A POLÍCIA - POR UMA POLÍCIA CIDADÃ

Júlio Cesar Guimarães, prêmio Vladimir Herzog
A Polícia Militar do Brasil, a PM, precisa ser substituída por uma polícia que, desmilitarizada, seja mais cidadã. Poucas pessoas ousam dizer isso de modo tão aberto como estou escrevendo aqui. Mas o medo de dizer é exatamente o que fundamenta minha escrita. O povo deixa de dizer não porque ache que essa força é importante, mas simplesmente porque tem medo de dizer pela possibilidade de sofrer as ações da força.

O medo é o elemento que media a relação entre a polícia militar e a sociedade brasileira. O medo alimenta o silêncio. Alguns dizem que é herança da ditadura militar. De fato, é. Mas, se o Estado brasileiro tornou-se uma “democracia”, essa herança só pode existir como contradição a ser superada porque haveríamos de supor uma polícia, cidadã, zelando pelo direito e fundamentando suas ações no respeito ao cidadão. Se a polícia é incapaz disso, porque continuou sendo o que era no passado, a ditadura, ela precisa ser destruída para dar lugar a um tipo de força cuja legitimação emane da legalidade e não do seu oposto.

Esse não é um texto de opinião apenas. Neste mês de maio, de 2014, ficou público um estudo da Anistia Internacional que aponta que 80% da população brasileira acredita que, se um dia for presa, será torturada pela polícia.

Nessa mesma tendência, em maio de 2012 o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu ao Brasil que trabalhe para suprimir a Polícia Militar, acusada de torturas e de numerosas execuções extrajudiciais (os famosos B.O de “morto em confronto com a polícia”).

Sargento Alexander Coelho, de Divisa Nova-MG, tortura pai e filho na frente de todos. Quantos na calada?
Vi hoje, 15/05/2014, no noticiário reportagem sobre as agressões do Sargento Alexander Coelho Fernandes, da PM mineira a um menor, e ao pai do menor, porque a criança ajudou a separar a briga do filho do sargento e outro garoto. Cenas repugnantes. O militar aparece fardado, com a arma do Estado sendo apontada para a criança e para o pai da criança enquanto ele a tapas e coronhadas agride os dois na frente de umas 20 pessoas. O que ele faria se não houvessem pessoas e câmaras? Mais um auto de resistência.

Sou professor, e professores também cometem crimes, como médicos, advogados e qualquer outro profissional. Mas a PM tem que ser extinta porque o crime dentro da PM tem sido a regra e não a exceção. É cotidiano. É ostensivo. Sei que existem agentes da polícia civil que praticam crimes, da polícia federal, das guardas civis. Mas, o problema é que na PM isso é institucionalizado na medida em que as práticas criminosas se tornam cotidianas.

E quando são presos por essas práticas, vão para um "presídio" militar, onde mantém seus privilégios e são vigiados por outros PMs. Privilégios típicos da Ditadura Militar. 

A PM na maioria das cidades brasileiras, em vez de combater o crime, o alimenta. Um bom exemplo é o monopólio dos inferninhos por policiais militares. Em Marabá eles monopolizam todos os inferninhos, a exemplo do Cupu Night, na Cidade Nova e da Extreme, em Morada Nova. Cada leitor sabe quem é o dono do inferninho da sua cidade.

Queria saber, para apontar outro problema, como um policial ganhando salário de R$ 2 a 3 mil reais junta patrimônio de mais de 1 milhão de reais. Estranho isso.

É preciso dizer, porém, que existem boas pessoas na PM. Eu tenho amigos, pessoas do bem, que são policiais militares. Por isso, os bons poderiam ser aproveitados em outras forças, instituições que funcionassem sobre outra lógica porque aquele velho discurso que em todo segmento existem os ruins não cabe aqui, existir os maus é uma coisa, o mal impregnado é outra coisa.


Defendo o fim da PM como defendo a federalização da educação no Brasil. Isso não significa ser contra a existência da polícia, como não posso ser contra a educação. A Educação básica, à qual ainda tenho vínculo, entregue a estados e municípios, por mais que se derrame dinheiro nela, simplesmente não funciona. Nunca funcionou e nunca vai funcionar. E o que não funciona é danoso. E o que é danoso precisa acabar. A PM, nos moldes atual, é institucionalmente viciada, e isso é danoso a todos nós.