segunda-feira, 16 de março de 2015

NOVAMENTE O VELHO SLOGAN: DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA.



Em evidência, a síntese do pensamento e da raiva da elite branca
Deus, pátria e família foi o lema da mobilização que, no final de Março de 1964, levou os militares ao poder e pôs fim ao regime democrático num momento em que, de outro lado, um grupo reivindicava reformas de base. Contra o que consideravam ameaça comunista, levantaram-se todos os grupos conservadores do Brasil e foram às ruas pedir intervenção militar. Deu no que deu.

Novamente, ontem, 15/03, vi esse lema bem evidente. Todas as chamadas dos jornais procuravam reforçar a ideia de que se tratava de um movimento "da família brasileira", ideia reforçada pela suposta presença, raramente demonstrada, de crianças com caras pintadas.
As manifestações da elite branca demonstram o grande poder de articulação da grande mídia brasileira, em conluio com o partido da elite, PSDB. Foram vinculações diárias, durante mais de um mês, em todos os grandes jornais, dando conta da expectativa para as manifestações de 15 de Março.


Os locais de manifestações, a exemplo de Copacabana e do farol de Salvador, dão a dimensão da representação social de tais manifestações. Outro fator interessante foram as reivindicações, sobressaindo o pedido de intervenção militar.


O maior absurdo mesmo ficou por conta do que disseram sobre a educação. Aqui teríamos uma educação de ideologia marxista, cuja expressão seria o Método Paulo Freire. Quem disse isso nunca estudou na rede pública brasileira.


A educação pública brasileira só tem uma ideologia, e passa longe da discussão sobre o conflito de classe, que seria marxista. A educação brasileira tem como base a manutenção do povo na mais absoluta ausência de consciência da sua posição no mundo, prova que haviam negros e pobres nessas manifestações, que eram em defesa dos interesses da elite branca desse país.

As nossas escolas ensinam obedecer, não a pensar. Paulo Freire defendia uma educação para a autonomia, não para a obediência. Mais que ignorância do funcionamento do sistema público de ensino, isso mostra o poder que esse grupo ainda tem, porque mesmo quando escancaram o seu veneno, ainda há quem se disponha a sorvê-lo.

sábado, 14 de março de 2015

ELA NÃO TEM TESTÍCULO PARA GOVERNAR O BRASIL



Descobri, recentemente, que a elite branca brasileira, além de egoísta, é muito raivosa. Li muitos discursos virulentos esses dias. Enquanto lia, sempre pensava sobre a distancia entre o meu mundo, nascido lá em Piraquê-TO, um finzinho de mundo, e o mundo deles, alguns escrevendo direto de Miami, Flórida. 
Se trata de uma tentativa da elite branca, depois de fracassado o discurso militarista, em desestabilizar o governo da presidente Dilma, já quase sem nenhuma estabilidade. Como resposta, ao clamor do PSDB, através do Aécio Neves e seus correligionários, o próprio PT articulou a marcha, realizada ontem, 13/03, para defender a presidente.



Fica, portanto, um jogo de cores. Na sexta feira 13, o vermelho do PT. No domingo 15/03, as cores do PSDB, conjugada com uma tentativa de ligação de sentidos, entre oposição ao PT e o patriotismo, no velho estilo Brasil, ame-o, ou deixe-o. No meio de tudo isso, de um lado a elite branca, despeitada por ter sido alijada do poder; do outro, grupetos que já não podem mais saber o que é trabalho e o que são trabalhadores.



O que está em risco, mais que o governo da Dilma, é o respeito à normalidade constitucional. Penso que a experiência de “democracia” no Brasil ainda é recente demais para que o povo entenda o seu sentido. Já estamos indo a quase cinco meses de passadas as eleições e ainda há um grupo procurando formas de invalidá-la. O que é isso, senão descompasso?



Outro problema, tão grave quanto o primeiro, é a questão sexista. Pouco se discute sobre culpa ou inocência da presidente, mas há quase uma unanimidade a respeito da sua incapacidade para governar. No passado, todos sabiam que o Itamar Franco era um zero à esquerda, mas ninguém questionou sua capacidade. Nem mesmo quando ficou flagrante que o Collor estava perdido, as vozes gritavam “Corrupto!” mas não incapaz.


Agora estamos diante de uma excepcionalidade na Lei. Querem o impeachment da Dilma porque ela não tem testículo para governar o Brasil. 

O pedido protocolado nessa sexta, 13/03, não poderia ter sido feito por outro senão por Jair Bolsonaro.SEM DÚVIDA O PROBLEMA É ELA NÃO TER TESTÍCULO.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

CONSULTAR MULTAS DETRAN

Hoje nova surpresa em relação ao Detran. Vendi uma moto em 2011, passei o recibo, fizemos todo o processo legal, eu inclusive fiz a notificação de venda, e hoje descobri que o meu nome foi para a dívida ativa do Estado porque o cara não transferiu o documento e, com a moto em meu nome, cometeu infrações, além de não pagar mais o licenciamento. Agora, são quase 2 mil reais em débito.

Estive no Detran para cobrar a situação. Me disseram que como eu não tenho mais o protocolo da notificação de venda, tenho que pagar todos os débitos, assumir as pontuações de infração e arcar com o que virá.

E a situação só piora. Para transferir a responsabilidade a quem é devido preciso ir atrás de uma pessoa da qual a única informação que tenho é que mora em algum lugar da zona rural do município de Tucuruí, no Pará.

Notifiquei o Detran à época, não deveriam tais débitos estarem no meu nome. Mas estão e se eu quiser meu nome limpo, vou ter que pagar tudo.

De mal a pior. Essa é a nossa realidade.

DETRAN-GO, A INUTILIDADE REIVENTADA



A quem teve a ideia de reformular a página do Detran-GO na internet, meus parabéns. O que era ruim ficou ainda pior.


Como um dos órgãos com a maior a arrecadação no Estado, acredito que seja esse o caso em todos os Estados, os detrans estaduais vêm provando que é possível inovar na exploração do povo tendo como contraprestação serviço cada vez mais desqualificado.


Já pensei que, na era digital, deveríamos fazer muitos mais serviços relacionados a registro e licenciamento de veículo pela Internet, sem a necessidade de horas perdidas nos atendimentos presenciais em agências que, desde a sua estrutura física à humana, são experiências revoltantes.


Apesar do que se poderia fazer, o que realmente funcionava no serviço online eram as consultas e emissões de boleto. Agora, até esse serviço está comprometido.


Com a reformulação da página, cujo critério foi apenas dificultar a vida das pessoas, para se consultar as multas do veículo, por exemplo, é preciso ter o número da placa e do Renavam. Antes bastava digitar o número da placa.


Além disso, anteriormente, as informações eram bem mais claras e simples. Havia um link para “consulta de multa” em que você era encaminhado à consulta. O resultado dessa pesquisa apresentava sobre a forma de relatório de multas ou com a informação de que não havia multas para o veículo consultado. Agora se diz tanta coisa que você não consegue distinguir, com a mesma facilidade, se há ou não multa para o veículo.


Isso tudo prova que o Detran é uma máquina de reinventar a burrice e o desserviço ao povo. Agora é preciso acrescentar, aos muitos adjetivos de pouca qualidade, esse que caracteriza as besteiras que eles fazem.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

VIVA O POVO BRASILEIRO

É dramática a situação atual do Brasil e o princípio do drama tem suas origens explicativas em Sérgio Buarque de Holanda (1995), a corrupção, descreveu o referido intelectual, está nas “raízes do Brasil”.

E desde aquele tempo, de um Brasil nascente, a casa e a rua se confundiam e os agentes públicos tratavam o bem, que deveria ser do povo, com o mesmo princípio do seu ambiente doméstico. O contínuo atingiu os nossos dias, e certamente, vai perpassar as nossas existências. Não porque, como dizem os religiosos, a natureza humana seja corruptível, existencialista, nem mesmo acredito em natureza humana. Não é a natureza. Trata-se, antes, de um entranhado em nossa cultura porque alimentado pela trajetória histórica do nosso povo.

E todo ano temos o anúncio de um novo maior caso de corrupção da história do Brasil. O mal é endêmico.

Em que pese a generalidade do mal, o povo brasileiro continua transferindo aos agentes  políticos uma responsabilidade que é do próprio povo. O povo brasileiro é corrupto. E digo mais, o povo brasileiro, que na verdade é corruptor do agente político, é extremamente corrupto.

Vejo com embrulho no estômago as passeatas da moralidade paulistana, coordenada pela tucanada da mesma região, que em si, já é uma subtração da legalidade.

E a petralhada? Vivem na ilha da fantasia quem ainda crê que a Dilma, o Lula e todos os outros não tiveram parte na roubalheira.


Nos alimentamos da corrupção porque falta uma moralidade tropical. Corrupto no Brasil é apenas quem exerce o poder sem dele abusar, porque esse, conforme pensa o povo, não se esbalda nas possibilidades que o poder lhe confere. Quando ouço sobre os “grandes casos de corrupção”, penso: viva o povo brasileiro! 

Bibliografia:
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26a. ed. São Paulo: CIA das Letras, 1995. 

ESTAMOS VIGIADOS

Hoje, dizer que o livro "1984" de George Orwell foi profético já é um clichê jornalístico, e suas profecias são um lugar-comum da modernidade. Sua leitura agora pode ser uma experiência entediante. Comparados às maravilhas oniscientes do estado de vigilância atual, os dispositivos do Big Brother — televisores vigilantes e microfones ocultos — parecem pitorescos, até mesmo reconfortantes.

Tudo sobre o mundo que Orwell imaginou tornou-se tão óbvio que temos dificuldade com as deficiências narrativas do romance.

Impressiono-me mais com outro dos seus oráculos: um ensaio de 1945 intitulado "Você e a Bomba Atômica," em que Orwell antecipa mais ou menos a forma geopolítica do mundo no meio século que se seguiu. "Épocas em que a arma dominante é cara ou difícil de fazer", ele explica. "Será uma era de despotismo, ao passo que, quando a arma dominante é barata e simples, as pessoas comuns têm uma chance. Uma arma complexa deixa o forte mais forte, enquanto uma arma simples — desde que não haja resposta a ela — fortalece os fracos".
Ao descrever a bomba atômica (que havia sido lançada apenas dois meses antes em Hiroshima e Nagasaki) como uma "arma inerentemente tirânica", ele prevê que ela irá concentrar o poder nas mãos de "dois ou três superestados monstruosos" com avançadas bases de indústria e pesquisa necessárias para produzi-la. E se, ele pergunta, "as grandes nações sobreviventes fizessem um acordo tácito para nunca usar a bomba atômica uma contra a outra? E se elas apenas a usassem, ou ameaçassem usá-la, contra povos incapazes de retaliar?".

O resultado provável, ele conclui, seria "uma época tão horrivelmente estável quanto os impérios de escravos da antiguidade". Ao inventar o termo, ele prevê "um permanente estado de 'guerra fria': uma paz sem paz", em que "os povos e as classes oprimidas têm menos perspectivas e esperança".

Há paralelos entre a época de Orwell e a nossa. Por um lado, nos últimos meses, fala-se muito sobre a importância de "proteger a privacidade", mas pouco sobre por que isso é importante. Não é, como nos querem fazer acreditar, que a privacidade seja inerentemente valiosa. Isso não é verdade. A verdadeira razão está no cálculo do poder: a destruição da privacidade amplia o desequilíbrio de poder existente entre as facções que decidem e o povo, deixando "os povos das classes oprimidas", como Orwell escreveu, "ainda mais sem esperança".

O segundo paralelo é ainda mais grave e menos compreendido. Nesse momento, mesmo aqueles que lideram o ataque contra o estado de vigilância continuam a tratar a questão como se ela fosse um escândalo político, culpa de políticas corruptas de alguns homens maus, que devem ser responsabilizados. Acredita-se que as sociedades precisem apenas aprovar algumas leis para corrigir a situação.

O câncer é muito mais profundo do que isso. Vivemos não só em um estado de vigilância, mas em uma sociedade de vigilância. A vigilância totalitária não está apenas em nossos governos; está incorporada na nossa economia, em nossos usos mundanos da tecnologia e em nossas interações cotidianas.

O conceito da internet — uma rede única, global, homogênea que abrange o mundo todo — é a essência de um estado de vigilância. A internet foi construída em um modo de vigilância amigável porque os governos e organismos comerciais importantes assim o quiseram. Havia alternativas a cada passo do caminho. Elas foram ignoradas.

Em sua essência, empresas como o Google e o Facebook estão no mesmo ramo de negócio que a Agência de Segurança Nacional (NSA) do governo dos EUA. Elas coletam uma grande quantidade de informações sobre os usuários, armazenam, integram e utilizam essas informações para prever o comportamento individual e de um grupo, e depois as vendem para anunciantes e outros mais. Essa semelhança gerou parceiros naturais para a NSA, e é por isso que eles foram abordados para fazer parte do PRISM, o programa de vigilância secreta da internet. Ao contrário de agências de inteligência, que espionam linhas de telecomunicações internacionais, o complexo de vigilância comercial atrai bilhões de seres humanos com a promessa de "serviços gratuitos". Seu modelo de negócio é a destruição industrial da privacidade. E mesmo os maiores críticos da vigilância da NSA não parecem estar pedindo o fim do Google e do Facebook.

Recordando as observações de Orwell, há um lado "tirânico" inegável na internet. Mas ela é muito complexa para ser inequivocamente classificada como um fenômeno "tirânico" ou "democrático".
Quando os povos começaram a formar cidades, foram capazes de coordenar grandes grupos pela primeira vez e rapidamente ampliar a troca de ideias. Os consequentes avanços técnicos e tecnológicos geraram os primórdios da civilização humana. Algo semelhante está acontecendo em nossa época. É possível se comunicar e fazer negócios com mais pessoas, em mais lugares em um único instante de modo nunca antes visto na história. A mesma evolução que facilita a vigilância da nossa civilização, dificulta sua previsibilidade. Grande parte da humanidade teve facilitada a busca pela educação, a corrida para o consenso e a competição com grupos de poder entrincheirados. Isso é encorajador, mas a menos que seja cultivado, pode ter vida curta.

A moeda virtual bitcoin usa criptografia sofisticada como medida de segurança e está à frente do atual sistema financeiro.

Se há uma analogia moderna do que Orwell chamou de "arma simples e democrática", que "fortalece os fracos", ela seria a criptografia, a base da matemática por trás do bitcoin e dos programas de comunicações mais seguros. A produção é barata: um software de criptografia pode ser produzido em um computador doméstico. E a distribuição é ainda mais barata: um programa pode ser copiado de uma forma que objetos físicos não podem. Mas também é insuperável — a matemática no coração da criptografia moderna é sólida e pode suportar o poder de uma superpotência. A mesma tecnologia que permitiu que os aliados criptografassem suas comunicações de rádio para protegê-las contra interceptações, agora pode ser baixada através de uma conexão com a internet e instalada em um laptop barato.

Considerando-se que, em 1945, grande parte do mundo passou a enfrentar meio século da tirania em consequência da bomba atômica, em 2015 enfrentaremos a propagação inexorável da vigilância em massa invasiva e a transferência de poder para aqueles conectados às suas superestruturas. É muito cedo para dizer se o lado "democrático" ou o lado "tirânico" da internet finalmente vencerá. Mas reconhecê-los — e percebê-los como o campo de luta — é o primeiro passo para se posicionar efetivamente junto com a grande maioria das pessoas.

A humanidade agora não pode mais rejeitar a internet, mas também não pode se render a ela. Ao contrário, temos que lutar por ela. Assim como os primórdios das armas atômicas inaugurou a Guerra Fria, a lógica da internet é a chave para entender a iminente guerra em prol do centro intelectual da nossa civilização.