Faço das palvras meu ato de guerra sabendo que numa guerra todos saem feridos.
sábado, 30 de junho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
FICHAS SUJAS PODERÃO SE CANDIDATAR AO PLEITO MUNICIPAL 2012
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| A vontade popular esbarra ora na malha política, ora nas decisões da justiça, acessória de políticos de má índole. |
Às vezes fico em dúvida sobre qual nosso mal maior, se políticos corruptos ou ministros do judiciário que advogam em nome do crime. É fato que sem essas duas instâncias não há nem democracia nem justiça. Mas o que pensar, por exemplo, das muitas práticas e relações suspeitas do ministro Gilmar Mendes? O caro leitor ainda lembra do caso Daniel Dantas? Complicado. Agora, da parte do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, o tiro de misericórdia contra os anseios populares. Políticos com contas reprovadas pelos tribunais de contas poderão candidatar-se. Ou seja, pode roubar e candidatar-se para continuar roubando.
No início do ano o mesmo tribunal já havia decidido que políticos com contas reprovadas não poderiam candidatar-se. Agora, estranhamente, depois da divulgação de que mais de três mil prefeitos estavam com as contas rejeitadas pelos tribunais de contas, o TSE volta atrás e diz que tá tudo liberado, não tem problema, esses canalhas podem candidatarem-se e, às custas da ignorância e do clientelismo do povo, ganham o direito de continuar fazendo farra com dinheiro público.
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| Esse é o jogo característico do Projeto Ficha Limpa: vai valer quando? |
Às vezes me sinto alienígena porque enquanto as pessoas comuns acham isso natural, vejo um complô que só se justifica por alguma ordem obscura visando defender interesses escusos, conchavos e roubalheiras já em andamento.
Antes mesmo do TSE dar esse golpe na sociedade brasileira, atendendo interesses sabe lá de quem, a Câmara Federal já havia aprovado, nos bastidores e às escondidas, um projeto do tipo "contas-sujas" para garantir o direito de continuidade a quem já estava metendo a mão. Meu Deus, como isso acontece sem que o povo não se dê conta de nada? É o fim mesmo, espero que seja!
A Lei da Ficha Limpa é um avanço. Mas, caro leitor, seja sincero, você acredita que um dia ela vai valer? Todo dia algum canalha, seja de paletó ou de toga, dá um jeito de adiar o efeito prático da Lei e, de adiamento em adiamento, penso que morro sem ver esse novo dia acontecer. Sim, temo que com a tendência natural ao ilícito da parte dos nossos políticos, no dia em que a Ficha Limpa tiver aplicação prática, não haverá eleição por falta de candidato apto.
BRASILEIRINHAS
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| As brigas, quando não são dentro da escola, acontecem frente a ela. |
Tenho visto imagens e textos recorrentes sobre brigas de alunos, e por incrível que pareça em maior incidência de alunas, em escolas brasileiras. Pior que a violência das agressões é a aquiescência com essa violência dos outros alunos que assistem e incentivam, mesmo quando a agressão é pura covardia de uma pessoa maior, e mais forte, em relação à outra inferior em idade e porte físico.
Mas, é preciso pensar. Essas brigas não ocorrem no shopping, nem na feira, ou na praça. As brigas acontecem na escola. Não se trata de uma preferência pelo espaço escolar, mas de uma relação de pertinência entre a escola que temos e a sociedade que estamos formando.
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| Não só alunos, mas a continuar como estamos, professores irão precisar de coletes. |
A escola, sem cumprir sua função social, perdida e sem sentido é, ela própria, combustível dessa violência. A escola alimenta a violência porque é violenta. A escola que temos hoje é violenta por natureza. A violência simbólica, própria da prática da escola, é velada, mas é tão terrível quanto a física.
Em outro momento vou falar mais sobre isso. Mas aqui, para explicar, sem estender-me mais, cumpre dizer que a educação que dá diploma e certificado, sem ensinar coisa alguma, marginaliza porque engana. Para a parte miserável da sociedade, que precisa de ensino para ter alguma oportunidade, esse engano, não raro, significa a morte de qualquer possibilidade de mudança; acrescida essa primeira morte, a frustração por achar que é o que, de fato, não é, ou que sabe o que deveria saber, mas não sabe, constitui uma segunda morte.
Ah! Sobre as brasileirinhas... é um recurso lingüístico. Uso uma chamada, o título, que remete a uma outra memória, a da pornografia, para falar de um assunto que é tão grave quanto. Vale dizer, no entanto, que por mal que represente a pornografia, a violência tipificada em meninas atracadas como cadelas, ou em escolas que não cumprem sua função social, é por isso animaliza nossa juventude, não é um mal menor.
Ninguém da sociedade precisa ser “amigo da escola”. Na verdade, slogan criado pela Fundação Roberto Marinho, isso é uma perversão porque contribui com a idéia de que na educação, sem formação adequada, qualquer um pode meter o dedo. Não é preciso ser amigo da escola. Mas a sociedade toda deve ter o compromisso de reivindicar educação de qualidade. E, educação de qualidade, pressupõe a reinvenção da escola.
A VIOLÊNCIA NA ESCOLA
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| A simetria, possibilidade de uma relação dialógica, foi substituída por uma hierarquização na qual o professor se tornou refém dos alunos. |
Esse é um recurso lingüístico para chamar a atenção para um tema, a violência na escola, que, embora gravíssimo, está sendo encarado pela sociedade apenas com assombro. As cenas só não são mais cotidianas porque, tornadas banais pela repetição, parecem indicar aos telejornais que não produzem mais audiência.
A escola se tornou, não há como negar, um espaço privilegiado de manifestação dos conflitos de uma sociedade que tende incessantemente a menosprezar não só a vida, mas todo um conjunto cultural de valores que a humanidade levou milhares de anos para edificar. A linguagem não nasceu do dia para noite. No entanto, o desenvolvimento da linguagem, em tempos remotos, possibilitou às sociedades outro nível de relacionamento e solução de conflitos. A linguagem, a agricultura, o controle do fogo e as relações interpessoais mediadas pelo afeto, só para citar alguns exemplos, resultaram de uma evolução que aproximou o ser de um Ser Humano. Dessa evolução crescente nasceu a família, o Estado, as leis e a escola.
Mas agora, enquanto assisto, impotente, pessoas tão jovens se transmutarem em qualquer coisa pior que animal selvagem, fico consciente de uma mudança terrível em curso. Não posso dizer que estamos regredindo porque isso seria muito bom. A regressão, por impossível que seja, poderia nos levar a similaridade ao modelo de vida pré-histórico[1] e isso, de cara, nos faria respeitar a natureza, porque assim viviam as sociedades pré-históricas. E desse respeito suscitariam outros.
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| Professor preso, depois de apanhar da PM, na última greve em São Paulo. |
Professores estão apanhando. Na verdade, não há, nessa nossa sociedade brasileira, figura mais medíocre que a do professor. Ele deve apanhar, do Estado e da sociedade, através dos filhos que a sociedade põe na escola. Ele não precisa ganhar dinheiro, porque, por exemplo, zelador da moral, professor não deve sair night. Enquanto pessoa sem vida social, introspectivo e passivo não há, razoavelmente falando, qualquer razão para que professores e professoras, estas últimas recalcadas, ganhem um salário, por exemplo, correspondente ao de um PM, com formação de nível médio, que aperta o gatilho para matar o jovem, sem família, que o professor não educou.
[1]Enquanto historiador tenho o dever de alertar o leitor de que pré-história, enquanto período da experiência humana na terra, não existiu. Tudo é história. Desse modo, o uso do termo é apenas uma forma de localizar o leitor na referência temporal, a partir de um uso corrente, conhecido pelo leitor, produzido por historiadores clássicos, no entanto, equivocado, no meu ponto de vista, não clássico.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
IMPRENSA ALOPRADA: A MARGINALIZAÇÃO DA LUTA CAMPONESA
Nunca tinha assistido ao programa Metendo Bronca ou ao Barra Pesada Marabá. Tive hoje, 22/-6, o desprazer de assistir aos dois. "Bando de desocupados", "bando de vagabundos" "canalhas" e outros termos do gênero foi como o apresentador do programa sensacionalista "Metendo Bronca" começou seu julgamento do conflito na Fazenda Cedro. O idiota que apresentava o programa questionou que os camponeses estavam armados de paus e facão, mas nada disse sobre as pistolas e as armas calibre 12 em poder dos pistoleiros da fazenda e utilizadas nas tentativas de homicídios contra os camponeses.
Sim pistoleiros! Essa é uma modalidade nova de pistolagem. No Pará a pistolagem agora se apresenta sobre a nominação de Escolta Armada. Aloprados são apresentadores que não informam e, sem informar, requerem de um povo desinformado, julgamento sobre o fato em foco.
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| Pouca informação sobre o litígio envolvendo a propriedade colabora para o julgamento de uma sociedade ignorante dos fatos. |
Já no programa Barra Pesada Marabá, após uma reportagem de Vitor Haôr, o apresentador iniciou o julgamento moral dos camponeses defendendo o direito à propriedade. Será que esses caras, que apresentam programas são tão ignorantes ao ponto de não saber quem é Daniel Dantas, um dos principais nomes do grupo Santa Bárbara? Não, me recuso a acreditar que sejam tão aloprados assim! Isso não é possível.
A sociedade paraense, e brasileira de um modo geral, precisa de aulas de história sobre o início da propriedade privada da terra no Brasil. Desde 1530, com as Capitanias Hereditárias, que a terra, pertencente aos povos indígenas começou ser saqueada, cortada e entregue para a nobreza portuguesa. Esse foi o início de tudo. E o que veio depois foi uma sequência desse primeiro ato.
A imprensa aloprada precisa saber que essas terras foram adquiridas a partir de lavagem de dinheiro. Sim, Daniel Dantas não é fazendeiro, é banqueiro. Mas, como resultado de suas atividades criminosas, passou a precisar de válvulas de escape, de estratégias de limpeza do dinheiro conseguido com crime.
Sim aloprados, assim como as terras em que for constatado trabalho escravo deve ser desapropriada pra fins de Reforma Agrária, as terras fruto de crime organizado, também devem ter a mesma destinação.
Essa fatia da sociedade que ainda pensa, se organiza e vai à luta, é nossa última centelha de esperança num mundo melhor. Vários telespectadores entraram em contato com o apresentador do programa Barra Pesada Marabá para manifestar sua aquiescência com o julgamento do apresentador. Toda pessoa tem o direito de pensar. Mas, se pensa melhor quando se sabe sobre o que se está falando.
Todos os dias ouço falar sobre o estado lamentável em que se encontra a saúde, a educação, a segurança e outros serviços deveres do Estado e direito do cidadão. Todos os dias as pessoas reclamam. Mas, quanto dos telespectadores já fizeram alguma coisa para resolver isso? Pelo contrário, se os professores entram em greve, são vagabundos; se os profissionais da saúde param, é porque não querem trabalhar. Existe um grupo de pessoas cujo maior empenho social é o de usar a língua ferina (nesse caso específico, os dedos) para condenarem aqueles que põem a vida em risco no anseio de construção de um mundo melhor.
Quanto à essa imprensa sensacionalista, que faz programa para desinformados, não espero que o amanhã seja melhor em função do trabalho destes. A imprensa tem um papel importante em nosso país, é a imprensa que expõe os pobres, principalmente dos criminosos protegidos por privilégios. Mas isso faz a imprensa de verdade.
Precisamos, no Brasil, passar a um estágio pelo qual já passaram as sociedades desenvolvidas, como a norte americana e a francesa. A Reforma Agrária é uma necessidade. É preciso fazer acontecer!
QUESTÃO AGRÁRIA: NO PARÁ PISTOLEIROS DE DANIEL DANTAS ABREM BALA CONTRA CAMPONESES
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| Entrada da Fazenda logo após o ataque feito pelos pistoleiros do banqueiro Daniel Dantas. |
Na manhã desta quinta feira, jagunços travestidos de seguranças da Fazenda Cedro, de propriedade do Banqueiro Daniel Dantas, atiraram contra um grupo de trabalhadores rurais sem terra ligados ao MST no Sudeste do Pará que realizavam um ato político de denuncia da grilagem de terra publica, de desmatamento ilegal, uso intensivo de venenos na área e violência cotidiana contra trabalhadores rurais. Até o momento há confirmação de que 16 trabalhadores foram feridos à bala, sendo que, alguns deles estão em estado grave. Não há confirmação de mortes.
Cerca de 300 famílias já estão acampadas nessa fazenda desde o dia 1º de março de 2010. Ao todo, foram 06 fazendas do Grupo de Dantas ocupadas pelos movimentos sociais no período. Mesmo a então juíza da Vara Agrária de Marabá tendo negado o pedido de liminar de despejo feito pelo grupo à época, o Tribunal de Justiça do Estado, cassou a decisão da juíza de autorizou o despejos de todas as famílias.
Através de mediação da Ouvidoria Agrária Nacional, foi proposto um acordo judicial perante a Vara Agrária de Marabá, através do qual, os Movimentos Sociais, com apoio do INCRA, desocupariam três fazendas (Espírito Santo, Castanhais, Porto Rico) e outras três (Cedro, Itacaiúnas e Fortaleza) seriam desapropriadas para o assentamento das famílias. O Grupo Santa Bárbara, que administra as fazendas do Banqueiro, concordou com a proposta. Em ato contínuo, os trabalhadores sem terra desocuparam as três fazendas, mas, o Grupo Santa Bárbara tem se negado a assinar o acordo.
A formação dessa Fazenda (Cedro) e de muitas outras fazendas adquiridas pelo Grupo Santa Bárbara no sul e sudeste do Pará (ao todo, adquiriram mais de 60 fazendas num total de mais de 500 mil hectares) vem de uma trama de ilegalidades históricas envolvendo grilagem, apropriação ilegal de terras públicas, fraude em Títulos de Aforamento, destruição de castanhais, trabalho escravo e prática de muitos outros crimes ambientais. História, que até o momento, por falta de coragem política, nem o INCRA e nem o ITERPA se propôs a enfrentar. Terras públicas cobertas de floresta de castanheiras se transformaram em pastagem para criação extensiva do gado.
O MST exige a liberação imediata das três fazendas para o assentamento das famílias dos Movimentos sociais; uma audiência urgente no INCRA de Marabá, com a presença da SEMA, do ITERPA, da CASA CIVIL para encaminhamento do assentamento e apuração dos crimes ocorridos na área e a apuração imediata, por parte da polícia do Pará dos crimes, cometidos contra os trabalhadores.
Mas, a julgar pela criminalização do movimento por parte da imprensa e das autoridades locais e regionais, é de se supor que, outra vez, esse será mais um fato a agregar-se na trágica matemática da luta pela terra. Injustiça impera sempre! Sempre, sempre.
sábado, 16 de junho de 2012
PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA: EM MARABÁ PODE.
| Qual o objetivo de ostentação da imagem de Maurino, logo depois da publicação de pesquisa de intenção de votos em que o prefeito aparecia em terceiro lugar? |
Os pré-candidatos ao pleito de outubro deste ano, executivo e legislativo municipal, podem aprender, com a assessoria do prefeito de Marabá, Maurino Magalhães, como burlar a Legislação Eleitoral. As aulas são simples. Primeiro, se o slogan do governo não tiver decolado, é importante recriar o slogan, o que já foi feito. Depois, enfatiza-se a imagem do prefeito.
| Observa-se que o prefeito Maurino é apresentado em primeiro plano. Não se trata do que a prefeitura fez, mas de pôr em evidência a figura do prefeito. |
A Legislação Eleitoral proíbe a propaganda antecipada. Mas, em Marabá, depois que saiu uma pesquisa num jornal local dando conta de que o povo marabaense reprovava a administração do atual prefeito, espalhou-se por toda a cidade uma maré de imagens e dizeres com referência à Maurino. O marketing não é sobre o que a administração faz, mesmo porque não há quase nada a mostrar, o marketing, como demonstram a fotos acima, é sobre a imagem do próprio prefeito.
Em Marabá existem até moças - principalmente no engarrafamento da Rodovia Transamazônica, por incrível que pareça próximo à Câmara e ao Fórum da cidade - ostentando cartazes com os dizeres "os transtornos passam, as obras ficam" e "primeiro a gente faz, depois a gente mostra". Nesse caso, a coisa é mesmo dantesca já que as obras da transamazônica correm por conta do PAC, programa do Governo Federal e não da prefeitura.
domingo, 10 de junho de 2012
O MINÉRIO DA VALE É MANCHADO DE SANGUE
A edição da Caros Amigos, de
maio, traz uma interessante matéria de Tatiana Merlino, entitulada “Vale, a
mineradora com as mãos sujas de sangue”. A reportagem vai a fundo e traz à tona
diversas denúncias contra a empresa, procurando escancarar o desrespeito à
sociedade, que não tem acontecido só no Brasil.
Na condição de transnacional, ela atua
em diversos lugares do mundo, e costuma causar transtorno às populações locais,
como conta a repórter. No Peru, manifestantes que praticavam ações “anti-mineradoras”
foram agredidos fisicamente e, como não adiantou, foram intimidados
posteriormente com armas de fogo. Em Moçambique, famílias de uma comunidade
tiveram que ser deslocadas de seu local original para uma área de pior
qualidade para a prática da agricultura e para casas de mais baixa qualidade,
para que a empresa pudesse realizar a exploração de minérios naquele local. Em
Nova Caledônia, na Oceania, a instalação de dutos marinhos causou diversos
problemas ambientais à maior barreira de corais do mundo, que circunda o país.
Para tentar explicar esse papel que a
Vale assume hoje mundialmente, é entrevistada a economista Sandra Quintela. Ela
diz que “a internacionalização da Vale faz parte de uma política do governo
federal de transnacionalizar as empresas brasileiras, com o objetivo de inserir
o país no capitalismo mundial.” A matéria ainda lembra que, de certa forma,
essas violações são financiadas com dinheiro público: em 2008 o BNDES liberou
para a Vale o maior empréstimo concedido a uma única empresa até então, de R$
7,3 bilhões. A professora da UFF, Virgínia Fontes, caracteriza o poder da Vale,
a maior mineradora do mundo, como uma forma contemporânea de um “imperialismo
brasileiro”.
O trabalho jornalístico é muito bom.
Tatiana Merlino vai até a fonte dos problemas e encontra personagens que estão
sofrendo, literalmente na pele, os abusos da empresa. É o caso do Seu Edevard,
morador de Açailândia, no Maranhão, onde a siderúrgica libera grandes
quantidades de pó de minério, sendo que nas fábricas não existem filtros
antipartículas. Ele relata o aumento no número de problemas de saúde, e conta
que os resíduos “caem dentro do rio e no quintal da gente, em cima das casas, em
cima de tudo”.
A matéria é boa porque presta um serviço
à sociedade: escancara o desrespeito e mostra as contradições de uma corporação
que se diz socioambientalmente responsável. É o que sintetiza o desabafo de
Felipe Venâncio Pedro, ex-funcionário da Vale. Ele diz que a imagem verde e
amarelo que a empresa vende é “a maior palhaçada [porque] todo mundo sabe que o
minério da Vale é manchado de sangue”.
RIO+20: OS BANDIDOS SERÃO HERÓIS
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| A renovação da tentativa de encontra o caminho do desenvolvimento sustentável. A Rio92 foi o marco inicial. |
A Conferência das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será realizada de 13
a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de
Janeiro. A Rio + 20 é assim
conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e deverá contribuir para definir a agenda do
desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.
O objetivo da Conferência é a renovação do
compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação
do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas
principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.
Desse modo, percebe-se que o evento é muito
importante enquanto espaço de debate e tomada de decisões no sentido da
sustentabilidade do planeta. Todavia, o que me chama a atenção, relativo ao
cenário mediático que envolve esse acontecimento ímpar, são os usos e abusos
das grandes empresas que vêm gastando milhões em marketing, para vender uma
imagem de empresas limpas, quando na verdade, em matéria de sustentabilidade,
não investem nem o equivalente ao gasto com a propaganda sobre os tais feitos.
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| Não é apenas a ação da Vale que é danosa, mas toda a infra-estrutura que a subsidia, inclusive a proteção que o Estado faz dos seus interesses em detrimento do povo brasileiro, sobretudo, paraense. |
A Vale do Rio Doce, grande expropriadora de terras
indígenas e empresa ligada a todo tipo de problema ambiental e social na
Amazônia, gasta com propaganda para vender a imagem, a nível nacional, de que é
amiga do meio ambiente, quando, na verdade, não é amiga sequer dos habitantes
locais.
A Vale S.A, antiga Vale do Rio Doce, tem
demonstrado, através de relações escusas com agentes públicos, como influencia
esses agentes, e, por essa influencia produz conflitos sociais e morte,
principalmente no Estado do Pará. A empresa sanguessuga, a empresa parasita é
também a empresa que produz o minério sujo de sangue. No entanto, no clima de
Rio+20 essa mesma empresa lança, nos horários nobres das TVs, suas propagandas
milionárias para dizer que promove o desenvolvimento sustentável. É bem capaz
que os cafezinhos dessa conferência sejam servidos em xícaras com o símbolo da
Vale.
Para além do pensamento crítico sempre necessário,
vamos entender como será o evento. A
Conferência terá dois temas principais:
A economia verde no contexto do desenvolvimento
sustentável e da erradicação da pobreza; e a estrutura institucional para o
desenvolvimento sustentável. A Rio+20 será composta por três
momentos. Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, está prevista a III Reunião
do Comitê Preparatório, no qual se reunirão representantes governamentais para
negociações dos documentos a serem adotados na Conferência. Em seguida, entre
16 e 19 de junho, serão programados os Diálogos
para o Desenvolvimento Sustentável. De 20 a 22 de junho,
ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Conferência, para o qual é esperada a
presença de diversos Chefes de Estado e de Governo dos países-membros das
Nações Unidas.
Os preparativos para a Conferência
A Resolução 64/236 da Assembleia-Geral das Nações
Unidas determinou a realização da Conferência, seu objetivo e seus temas, além
de estabelecer a programação das reuniões do Comitê Preparatório (conhecidas
como “PrepComs”). O Comitê vem realizando sessões anuais desde 2010, além
de “reuniões intersessionais”, importantes para dar encaminhamento às
negociações.
Além das “PrepComs”, diversos países têm realizado
“encontros informais” para ampliar as oportunidades de discussão dos temas da Rio+20.
O processo preparatório é conduzido pelo
Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais e Secretário-Geral
da Conferência, Embaixador Sha Zukang, da China. O Secretariado da Conferência
conta ainda com dois Coordenadores-Executivos, a Senhora Elizabeth Thompson,
ex-Ministra de Energia e Meio Ambiente de Barbados, e o Senhor Brice Lalonde,
ex-Ministro do Meio Ambiente da França. Os preparativos são complementados pela
Mesa Diretora da Rio+20, que se reúne com regularidade em Nova York e
decide sobre questões relativas à organização do evento. Fazem parte da Mesa
Diretora representantes dos cinco grupos regionais da ONU, com a co-presidência
do Embaixador Kim Sook, da Coréia do Sul, e do Embaixador John Ashe, de Antígua
e Barbuda. O Brasil, na qualidade de país-sede da Conferência, também está
representado na Mesa Diretora.
Os Estados-membros, representantes da sociedade
civil e organizações internacionais tiveram até o dia 1º de novembro para
enviar ao Secretariado da Conferência propostas por escrito. A partir dessas
contribuições, o Secretariado preparará um texto-base para a Rio+20,
chamado “zero draft” (“minuta zero” em inglês), o qual será negociado em
reuniões ao longo do primeiro semestre de 2012.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
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