quinta-feira, 23 de maio de 2013

GREVE DA UEG: GOVERNO RECUSA PAUTA E A GREVE CONTINUA



O protagonismo discente tem sido uma marca do movimento
Em reunião ocorrida nesta quarta feira, 22/05, o governo de Goiás sequer quis ouvir todos os itens da pauta reivindicada pelo movimento MOBILIZA UEG. Conforme relatos de companheiros que participaram da reunião, depois de apresentado o terceiro item os representantes do governo já manifestaram desinteresse pela escuta dos demais itens, o que só ocorreu depois da muita insistência dos representantes do movimento, que congrega todos os segmentos da UEG.

De fato, para esse governo que nós elegemos, e que já está no poder a muito tempo, graças aos nossos muitos votos, a educação não é uma prioridade.

Há um antigo discurso, já muito desbotado, que diz que os políticos não querem que a educação tenha qualidade porque prefere o povo na ignorância. Acho isso muito simplista. Acredito que o governo não se interessa pela educação porque, enquanto governo democraticamente constituído, deve representar o interesse da maioria, essa é a regra da democracia. E, o governo Marconi sabe muito bem, que a própria sociedade goiana não valoriza a educação.

Claro, o problema da UEG é um problema social, é o problema de  uma sociedade que perdeu a consciência de si. Caso houvesse essa consciência, nosso voto seria diferente. 

Eu, realista que sou, não tenho dúvida de que o senhor Marconi Perillo, receberá vultuosa votação nas próximas eleições para exercer o quarto mandato à frente da sociedade goiana que segue, mansamente, rumo à catástrofe.

Para os que ainda não sabem por que se luta na UEG, segue um trecho de um texto publicado, via facebok, pelo professor Neilson Mendes, da UEG Uruaçu:

Goiânia, 23 de Maio de 2013.

Ao Excelentíssimo Sr. Governador do Estado de Goiás
Marconi Ferreira Perillo Júnior

Assunto: Comunica decisão da assembleia dos discentes, professores e técnicos administrativos da Universidade Estadual de Goiás e solicita audiência com o Governador Marconi Ferreira Perillo Júnior.

Senhor Governador

Tendo em vista as propostas assinadas pelo Senhor, durante a reunião no Palácio das Esmeraldas concernentes a UEG, no dia 21 de Maio de 2013, e a pauta de reivindicação elencada pelo Movimento Mobiliza UEG, decidimos em assembleia do dia 22 de Maio em manter a greve tendo em vista os princípios norteadores;

a) A assembleia entende que a pauta de reivindicação é objeto de discussão e apreciação do governador já que as garantias orçamentárias dependem dos repasses definidos e sancionados pelo governador.

b) Cabe à reitoria a execução das propostas definidas entre o Movimento Mobiliza UEG e o Senhor Governador, já que a dita autonomia outorgada não é reconhecida pelo movimento. Isso se deve ao fato de que a lei de diretrizes orçamentárias, que garante os recursos de 2% das receitas líquidas, historicamente não vem sendo executada mensalmente à UEG.

c) Além disso, a dita autonomia outorgada da UEG sem a garantia do aumento do teto da receita (garantida e mantida em lei) é violada ao ampliar em mais três unidades da UEG – conforme promessa de campanha - sem a consulta da comunidade acadêmica em todas as instâncias da universidade;

Sendo assim, o Movimento Mobiliza entende que as seguintes reinvindicações abaixo listadas deve ser objeto de apreciação e definição do Senhor Governador para que o movimento de greve seja desfeito.

Inconformados com as propostas apresentadas pelo Senhor Governador, com a proposta de Comissão Paritária para definir pauta estudantil e salários após a greve mas ainda comprometidos com a construção de uma Universidade Estadual pública solicitamos audiência com o Governador. Nessa perspectiva, os participantes do Movimento Mobiliza UEG, formados por professores, alunos e funcionários, aprovaram em assembleia geral do dia 22 de Maio a seguinte pauta de demandas não atendidas, acompanhada de uma proposta de cronograma para a execução das medidas requeridas:

1- Aprovação da reformulação do Plano de Cargos e Vencimentos dos professores (Lei nº 13.842/2001), conforme pré-projeto encaminhado à V. Exa. pelo magnífico Reitor da UEG;

2- Realização de concursos públicos para docentes e funcionários técnico-administrativos para preenchimento de todas as vagas existentes no quadro da Universidade; indicar calendário e compromisso legal de aproveitamento imediato do cadastro reserva (Termo de ajuste e conduta (TAC)).

3- Reajuste dos vencimentos básicos dos docentes e funcionários correspondente às perdas acumuladas no período de maio de 2001 a abril de 2013 (descontadas as reposições já concedidas) em parcela única; 26,7% com garantia legal de prazos e indicando a origem das receitas a compor o reajuste;

4- Construção de Restaurantes Universitários em todas as unidades, iniciando pelas que funcionam durante mais de um turno diário; cronograma.

5- Construção de moradias estudantis; cronograma.
6- Reforma, ampliação e construção da infraestrutura das unidades, conforme as necessidades apresentadas; cronograma.

7- Ampliação das bibliotecas e atualização do acervo.

8- Ampliação das bolsas estudantis, assegurando os recursos necessários à concretização dessa medida (bolsa permanência, bolsa de iniciação científica, bolsa monitoria, bolsa estágio); 7.000 mil bolsas padrão CNPQ.

9- Equiparação salarial entre funcionários técnico-administrativos efetivos e não efetivos, de acordo com a titulação;

10- Aplicação do regime da CLT aos contratos de professores e funcionários não concursados/efetivos e eliminação dos atuais contratos temporários.



quarta-feira, 22 de maio de 2013

ONDE AS PESSOAS VÃO PARA PERDOAR DEUS: O MARAVILHOSO MUNDO INFANTIL

O professor colombiano Javier Naranjo editou uma espécie de dicionário infantil, ou a definição infantil para “coisas de adultos”. As definições - quase 500, para um total de 133 palavras diferentes - foram compiladas durante um período "entre oito e dez anos", enquanto Naranjo trabalhava como professor em diversas escolas rurais do Estado de Antioquía, no leste do país.

A leitura é simplesmente maravilhosa, vejam algumas perólas:

Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos).

Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)

Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)

Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)

Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)

Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)

Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)

Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)

Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)

Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)

Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)

Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)

Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)

Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)

Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)

Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)

Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)

Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)

Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)

O dicionário está no livro Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças, uma obra que surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no final do mês de abril. A surpresa aconteceu especialmente porque o livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano.

ULTIMAS NOTÍCIAS SOBRE A GREVE DA UEG: INFORMATIVO DO PROFESSOR RENATO COELHO


Pessoal, através dos relatos dos colegas pertencentes à comissão de negociação (ei não faço perte) escrevi um resumo da mesma abaixo. Me corrijam os colegas, caso tenha algum equívoco:

Nesta segunda-feira (20/05) foi realizada na Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás (SECTEC) a reunião da comissão de negociação do Movimento Mobiliza UEG com o secretário Mauro Fayad da SECTEC. Antes mesmo da realização deste encontro com o secretário no palácio do governo, ocorreu uma produtiva reunião entre professores, alunos e funcionários na Eseffego, onde foi frisado que a comissão de negociação possui caráter executivo, ou seja, não deliberativo, tendo a incubência de apenas levar as propostas ao governo e trazer as contra-propostas a serem discutidas e votadas em assembleia geral, que será  realizada na próxima quarta-feira (22/05) às 10h00 na Eseffego. A comissão foi representada por 6 pessoas integrantes do Movimento Mobiliza UEG, composta por professores, alunos e funcionários técnico-administrativos da universidade.  

Junto com o secretário de governo Mauro Fayad, também estava presente o reitor Haroldo Reimer. A primeira ação da comissão durante o debate na mesa foi a apresentação das reivindicações do Movimento Mobiliza UEG onde os itens foram explicados um a um ao secretário e ao reitor. Durante a exposição das reivindicações pela comissão, foram exigidas o cumprimento de todas as reivindicações (com exceção da número 10 - último item), e de forma a atender a construção da pauta unificada (alunos-professores-funcionários). O secretário Mauro Fayad pretendia terminar a reunião ainda no terceiro item das reivindicações, não demonstrando muito interesse pelo assunto, dizendo que somente aquelas quatro primeiras reivindicações lhe foram apresentadas pelo reitor anteriormente. Entretanto, a comissão insistiu para que fossem lidas, ouvidas e discutidas todas as demais, até que ao final foram apresentadas todas as reivindicações do movimento.

A comissão de negociação reiterou a necessidade de discussão direta com o governador Marconi Perillo, sem a mediação do reitor da UEG, já que a solução dos problemas da UEG são da responsabilidade direta do próprio governador, não sendo da auçada da reitoria. Mesmo assim, o reitor Haroldo Reimer insistia o tempo todo em chamar a responsabilidade para si, tentando a todo custo blindar o governador e desviar o foco das conversações, obliterando assim  as negociações com o governo.

Hoje a tarde no coreto, faremos uma nova pré-reunião aberta a todos alunos, funcionários e professores da UEG para acertar os últimos detalhes para as conversações agendadas  para a reunião com o governador Marconi Perillo, hoje  (21/05) às 17h30 no Palácio Pedro Lidovico Teixeira.

 Por Renato Coelho


domingo, 5 de maio de 2013

DE QUEM É A GREVE NA UEG


Greve de alunos não é apenas uma falácia jornalística.
Conheci a UEG em 2004, quando ingressei como aluno no curso de História da Unidade de Uruaçu. Da minha parte, vindo de um curso de filosofia de excelente qualidade, embora na clausura de um seminário católico, havia todo aquele ímpeto do recém ingresso na Universidade. A realidade, no entanto, contradita terrivelmente com minhas expectativas. Hão de saber os colegas, e os leitores do meu blog -www.amigodahistoria.blogspot.com - que apaixonado pela leitura, enquanto egresso de um curso de filosofia, o espaço da universidade não podia ser outro senão do debate, da criação, da reinvenção, enfim daquilo que se pressupõe seja a universidade. Mas, ainda no primeiro ano por muitas vezes sustentei a tese, em alto e bom som, que a UEG não era uma universidade.

Naquele mesmo ano, 2004, contra o parecer do Conselho Universitário e de toda a máquina da UEG, por força de uma ação judicial, consegui frequentar, como aluno regular, outra licenciatura na UEG, pedagogia parcelada em Niquelândia. E lá foi que vi, aproximadamente, as dimensões do câncer encrustado na UEG, e às vezes se confundindo com ela. 

Sim, se trata de um câncer. E como os colegas, e os leitores do blog, sabem o câncer é uma doença crônica. Pois bem, desde 2004 percebo algumas alterações nesse corpo doente, mas a visibilidade da permanência do mal é latente. Problemas dramáticos constituem os menores desafios à realidade da UEG. Nesse sentido, a biblioteca é uma piada, a internet tem velocidade similar à antiga internet discada mas estes ainda são probleminhas se considerados com danos estruturais.

Dentre os danos estruturais de maior monta quero eleger dois. A situação dos contratos temporários - que na verdade são mais permanentes que os servidores efetivos, já que sequer estão submetidos a qualquer tipo de avaliação - e a questão da pesquisa e da extensão na UEG.

Ainda na condição de discente percebi que o contrato temporário é uma desgraça para a UEG. Antes da ira, leiam o meu argumento por inteiro. Pois bem, é muito recente as seleções simplificada para contrato temporário na UEG. Antes disso o principal critério era exatamente a incompetência para ser professor. Sim, se entendermos o compadrio como um mal, e a história mostra isso muito bem, então devemos deduzir a incompatibilidade desse cargo emanada dessa relação. No Brasil, com é sabido, muito raramente alguém é indicado para qualquer cargo público em função de sua competência. O ingresso era errado. A perpetuação desse contrato, mais errada ainda. 

Existem muitos professores contratados que são bons professores, principalmente os contratados mais recentemente. No que diz respeito aos mais antigos, a formação nunca foi critério. E se a formação, e consequentemente a produção acadêmica, não era um critério, então, qualquer outro critério deixa de ter validade, considerando a natureza da função e o espaço de exercício dessa função.

Mas, esses servidores também são vítimas. Um Estado marconista não sobreviveria sem eles. É, portanto, um jogo de mão dupla. Muita gente se sente bem na posição em que está e prefere mesmo que não se faça concurso público. No que diz respeito a alguns setores e a algumas unidades, a UEG tem sido cabide de emprego. Em Anápolis mesmo, um batalhão de pessoas para quê? Servidores concursados representaria uma estabilidade perigosa para o Estado, de modo que a manutenção de um quadro preponderante de temporários alimenta o equilíbrio fundado na mistura de incompetência com decadência.

Lamento muito a generalização. Não é proposital. Mas quando se fala em servidores temporários, é muito difícil separar o joio do trigo. Talvez seja por isso que quase ninguém se arrisca a tocar nessa questão. Mas eu estou disposto a falar. E aí, talvez para desviar um pouco das pedras, faço uma distinção clara: uma coisa é a realidade de Uruaçu, e de muitas Unidades que também têm servidores temporários, outra coisa é a realidade de Niquelândia, tornada Unidade sem um único servidor concursado ou de Goianésia que no último concurso se negou a indicar vagas para o certame. É contra esse tipo de situação que me rebelo.

Quanto à pesquisa e extensão existem duas questões fundamentais que gostaria de sintetizar num caso específico. A UEG lançou uma peça publicitária recentemente - que eles chamam de jornal da UEG, mas que é uma peça para a promoção da imagem do reitor até as próximas eleições - bom, nós, da Unidade de Uruaçu, gostaríamos de ter recursos para a produção científica. A nossa Unidade tem insistido na possibilidade de uma revista, mas isso não é importante.

Somente esse quadro exposto torna inteligível uma greve de alunos, quando deveria ser de servidores. E essa vergonha vejo desde 2004. O apoio dos alunos, como disse numa assembleia da minha Unidade, é imprescindível, mas a greve só será deles quando eles forem servidores, seja em que área for. O que justifica esses recortes da mídia? O que justifica essa troca de papéis? A covardia.

Falta ao quadro da UEG, contratados e efetivos coragem, personalidade, vergonha e, acima de tudo, aquela ética de que fala Paulo Freire. Os alunos funcionam como escudo porque ninguém quer se expor. Isso sim é vexatório. E isso ocorre desde sempre.

O que eu penso? Sim, defendo a greve. Mas, apoiada pelos alunos, a greve deve ser dos servidores da UEG, de todos eles.