quarta-feira, 11 de abril de 2012

MARCONI PERILLO E CARTA CAPITAL: O AUTORITARISMO DE UM E O SUMIÇO DA OUTRA.


Em Goiás já é de conhecimento comum que o Governador Marconi Perillo governa o Estado como um Senhor Feudal ao seu Feudo. Se trata de um dos piores governadores do país. Mas, o comprometimento da imprensa local com o seu governo, as migalhas que comem à sua mesa, não lhes permite discutir os problemas goianos.

Agora Carta Capital, prestando o serviço que se espera da imprensa, tem apresentando as perigosas relações entre Marconi Perillo e o Bicheiro Carlinhos Cachoeira. Por divulgar estes fatos a revista tem descido cachoeira abaixo.

O que não desce, em Goiás, é o próprio Marconi que, ao seu lado, pôde sempre contar com um legislativo suspeito e uma justiça amordaçada.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

ENEM 2012: COMO SE INSCREVER?

O Enem 2012 novamente caberá ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao MEC, a responsabilidade pela organização de todo processo do Exame Nacional do Ensino Médio.

O INEP divulgou uma nota afirmando que ocorreriam duas provas do ENEM 2012, uma em abril e outra em outubro, com duas etapas de inscrições respectivas. No entanto, o Ministério da Educação – (MEC) no início deste ano cancelou esta expectativa. Somente a realização da prova do segundo semestre foi mantida, oficialmente definida para realizar-se nos dias 03 e 04 de novembro.

Desta forma, a data das inscrições do Enem 2012 vão do dia 28 de maio ao dia 15 de junho e serão realizadas exclusivamente pela Internet a partir do site do INEP, cujo endereço eletrônico é: http://enem.inep.gov.br


É importante que os estudantes da rede pública de ensino saibam que não precisam pagar a taxa de inscrição de R$ 35,00. Mas para isso é preciso que o candidato faça a emissão de carência no final da inscrição [que isso seja verdade]. Essa declaração de carência é emitida de acordo com as informações do candidato, principalmente, que sempre estudou em escola pública.


Estimativas demonstram que o número de estudantes inscritos para o Enem 2012 deve superar os mais de seis milhões de participantes da edição anterior do exame.

Alunos que estão concluindo o ensino médio em escolas públicas não pagam taxa de inscrição. Estudantes malas que concluíram o ensino médio em escola pública, fazendo a declaração de que são carentes também estarão isentos, porque falta fiscalização no processo de análises destes pedidos de isenção.

Os documentos necessários para inscrição do ENEM 2012 incluem RG e CPF, portanto, se você ainda não possui, ainda há tempo de providenciar. Informações como nome completo do candidato, data de nascimento, endereço e CEP, também são necessárias.

O calendário do ENEM 2012 deverá ser divulgado ainda no primeiro semestre de 2012. Comece já a se preparar e reservando um tempo a mais para seus estudos. Amadureça a ideia de qual curso pretende fazer e analise as instituições que oferecem o suporte necessário para você realizar seu grande sonho.

Aqueles que concluírem seus estudos somente no ano que vem serão os primeiros a terem oportunidade de realizar o ENEM em duas edições. Quem deu essa garantia foi a Presidente Dilma Rousseff.
Sem ENEM não tem PROUNI, SISU, nem FIES.
Quero lembrar ainda aos alunos que o exame é indispensável àqueles que desejam ingressar ou prosseguir com os estudos no ensino superior, pois oferece bolsas integrais e parciais em Instituições Privadas de Ensino Superior, através do Prouni, e vagas em Instituições Públicas de Educação Superior, através do Sisu. Além disso, o Enem concede Certificação de Conclusão do Ensino Médio para aqueles que não concluíram os estudos e dá aos estudantes a possibilidade do financiamento dos estudos, através do FIES.


O ENEM não privilegia o notório saber em determinada área do conhecimento, o sistema de avaliação adotado, procura ponderar a média considerando as habilidades e competências nas diferentes áreas do saber.
Isso significa que tão importante quanto saber conteúdos da área de exatas, é ler, ouvir jornal, ler jornais, debater sobre temas da atualidade; tomar conhecimentos de temas de outras áreas, como geografia, história, sociologia, filosofia, língua portuguesa, etc.


Se você vai fazer o ENEM nesse ano de 2012, bons estudos. E não esqueça, não se trata de sorte, se trata de competência.

COMO SE PREPARAR PARA O ENEM

A primeira coisa que as pessoas precisam saber sobre o ENEM é que ele é o cartão de acesso a quase todos os programas do governo no que diz respeito às políticas de auxílio a estudantes. Isso significa que o estudante precisa ter uma nota do Enem para poder se inscrever, por exemplo, no SISU, ou ainda concorrer a uma bolsa paga pelo governo em Faculdades Particulares.
Quem pretende fazer o ENEM, e se dá bem, precisa iniciar sua preparação desde cedo. Essa preparação deve considerar a natureza da prova do ENEM, que explora o conhecimento por área de competência. Assim, não haverá um questionário de história, mas questões de humanas, que envolve história e outras disciplinas da área. Prevalece na elaboração do ENEM uma forma interdisciplinar de pensar o conhecimento, o que sabemos muito bem, não acontece nas escolas.

Antes mesmo da realização das provas, muitos estudantes se perguntam e procuram saber qual a pontuação necessária para ser aprovado no exame e também como passar no Enem 2012. 
Primeiramente devemos entender a estrutura do exame: são 180 questões de múltipla escolha, contendo cinco alternativas com apenas uma correta. No sábado são aplicadas as provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza, cada uma com 45 questões. No segundo dia (domingo) são aplicadas as provas de Linguagens e Códigos e Matemática, também 45 questões para cada área, mais a redação. No resultado final o candidato recebe sua nota individual em cada área de conhecimento e na redação. As notas podem ir de 0 a 1000.
Não é tarefa simples calcular a nota do Enem. Isso por que ela não se dá proporcionalmente pelo número de questões corretas. A nota do Enem é calculada com base na TRI – Teoria da Resposta ao Item, calculada através de desvio padrão, que é uma medida de dispersão dos valores de uma distribuição normal em relação à sua média. Em uma linguagem mais simplificada, a nota do Enem é a representação de como está seu nível de conhecimento em relação à média dos demais estudantes do Ensino Médio no Brasil.
O candidato precisa reservar tempo para os estudos. O tempo, contudo, está muito ligado ao tipo de curso que o candidato pretende freqüentar. Se um curso muito concorrido, obviamente, sua dedicação deverá ser maior, considerando o desafio que tem pela frente. Como professor, acredito que se o candidato ainda é estudante do ensino médio, precisa reservar, no mínimo, 4 horas para a sua preparação; se não, esse tempo pode ser ampliado para 6 horas de estudo. 
Os milhares de estudantes pobres precisam ter consciência que muitos “filhinhos de papai” não precisam trabalhar, e por isso podem dedicarem o tempo que quiserem aos estudos. Por isso, se você é pobre e quer sair da merda, se inscreva, arrume tempo e estude.

terça-feira, 3 de abril de 2012

PIRAQUÊ-TO: TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO


Livro do Padre e sociólogo Ricardo Rezende,
leitura obrigatória para quem quer entender
o trabalho análogo à escravidão.
 Enquanto gênero humano sou um sujeito histórico. E faço história duplamente. Faço história porque sou homem, e todo homem é histórico; e faço história porque sou historiador, de modo que tenho um compromisso intelectual com a história, matéria da minha faina diária. Enquanto homem tenho também o direito á memória, uma forma de olhar para trás e reconhecer o que fui, aquilo que, no decorrer do tempo construiu o homem que sou. Enquanto historiador, tenho a obrigação de problematizar essa memória e fazer análises valorativas que podem resultar naquilo que é próprio do meu ofício, a escrita da história.

Recentemente escrevi um texto aqui nesse blog sob o título “Piraquê-TO: o presente no passado” que provocou grande alarido entre os meus conterrâneos, principalmente entre aqueles que se sentiram afetados pelo conteúdo escrito.

E do que se trata o texto? De reflexões sobre a minha infância. O título até poderia se chamar “caminhos da minha infância”. Mas, estou sendo ameaçado em função do que escrevi. Isso não me preocupa. Mas me instiga a dizer aos meus leitores que a minha infância, como afirmado no texto anterior, foi uma infância de trabalho escravo em benefício de um fazendeiro, Zeca Batista (José Batista Nepomuceno). Dizer isso não é abrir uma discussão sobre verdade e mentira. Dizer isso é simplesmente fazer uma retrospectiva do que eu sou, do meu passado.

Como sei que tenho leitores que são docentes, como também leitores discentes, sinto-me, sobretudo depois de tomar conhecimento do debate que o texto suscitou, na obrigação de voltar a falar do tema. Aos professores, e não só docentes de Piraquê, devo lembrar que o próprio Ministério da Educação tem encaminhado material às escolas e incentivado práticas pedagógicas de orientação sobre o trabalho escravo. Parte do próprio governo o entendimento de que, no campo, muita gente sequer sabe que está vivendo sob condições análogas à de escravo.

O trabalho escravo contemporâneo, portanto, se distingue do escravismo praticado no Brasil Colonial. O que define a situação de escravidão atual não é tanto a privação da liberdade, mas as condições de trabalho e os crimes contra a dignidade humana. Barracões de palha sem qualquer parede, comida precária, água captada de córregos sujos e salário abaixo dos padrões mínimos estabelecidos pela CLT. Em muitas fiscalizações das unidades móveis da Delegacia do Trabalho é exatamente isso que se constata em muitas fazendas, e é isso que todos, governo, organismos como a Comissão Pastoral da Terra e intelectuais têm esforçado em expurgar do nosso meio.

Que dignidade tem a pessoa que, mesmo trabalhando sol-a-sol, vive
num lugar como esse? Dignidade é a primeira exigência humana.
A escravidão moderna é bastante diversificada. Não existe um modelo padrão. Em alguns casos, principalmente no Pará, as pessoas submetidas a esse tipo de exploração são privadas da liberdade e impossibilitadas de deixarem a fazenda. Mas, o mecanismo mais comum de ligação do trabalhador ao seu “patrão” é o endividamento. Nesse caso, a pessoa “trabalha para escravizar-se porque quanto mais trabalha, mais deve, deixando o seu dia de suor na venda do patrão” (PIZARRO, 1993, p. 53). O sociólogo José de Souza Martins também reconhece esse mecanismo de pressão sobre o trabalhador. Considero sobremaneira os trabalhos do padre e sociólogo Ricardo Rezende Figueira, com quem já tive a grata satisfação de dialogar, ele, em seu livro sobre a escravidão por dívida, é muito didático ao apresentar de forma simples o processo de endividamento e as formas como esse endividamento é mantido pelo fazendeiro. O endividamento, segundo Rezende, começa no momento em que o “gato”, ou gerente procura o trabalhador, lhe concedendo dinheiro à título de adiantamento. Depois vem o segundo passo, não menos importante, o barracão da fazenda funcionando como armazém, fornecendo a preços super-faturados gêneros alimentícios e instrumentos de trabalho que deveriam ser entregue de graça pelo fazendeiro. Então, o camarada trabalha simplesmente para pagar a comida e a foice. E nunca consegue pagar, porque sempre precisa comer e a comida é sempre mais valiosa que o seu dia de trabalho. Então, nesse caso, o sujeito é escravo da dívida.

Li num dos comentários a meu texto uma ameaça de processo. Tudo bem, isso é possível porque em nosso país qualquer pessoa que não tenha nada melhor pra fazer pode processar até o sorveteiro da esquina. Mas, no caso em questão, seria necessário começar processando a CPT que foi quem pressionou o presidente Fernando Henrique Cardoso a ponto deste reconhecer o trabalho escravo contemporâneo no Brasil. Depois seria necessário processar todos os intelectuais que discutem a questão, como José de Souza Martins, da USP; a professora Regina Beatriz Guimarães Neto, da UFPE; o professor Ricardo Rezende Figueira, da UFRJ; Neide Esterci, USP; Leonardo Moretti Sakamoto, PUC-SP; meu amigo Airton dos Reis Pereira, UEPA; Vitale Joanoni Neto, UFM e tantos outros que investigam e produzem conhecimento sobre o trabalho escravo no Brasil Contemporâneo.

Todo nós temos o compromisso de combater essa prática. Mas não se pode
 combatê-la no presente, negando que existiu no passado. 
Enfim, é preciso ainda considerar que a história é a ciência do homem no seu tempo. Não olhamos para o passado apenas por nostalgia. Olhamos para o passado a partir de um presente que queremos mudar, queremos que seja melhor. A referência do passado não é mais o passado, é o presente. E todo homem, enquanto ser histórico, tem direito de sonhar e intervir na realidade no sentido de melhorá-la. Sou um homem, sujeito histórico piraqueense. A minha felicidade está relacionada com o direito à memória do meu eu. Não posso, portanto, negar o passado, sem o qual perco minhas referências, apenas para manter em paz a consciência de quem praticou crimes nesse passado.

Cada um com sua paz. Cada um com seus demônios. Eu exorcizo o passado discutindo a história do Brasil e o que tenho, enquanto brasileiro nascido no Piraquê, hoje Tocantins, a ver com isso. Eu sei o que tenho a ver com isso. E a família Nepomuceno sabe o que tem a ver com isso? Como eles exorcizam os seus demônios? E todos os que praticaram ou ainda praticam o trabalho escravo através do endividamento, podem posicionarem-se sem qualquer peso na consciência? A coerção, inclusive através de ameaças, também era comum entre os muitos fazendeiros, principalmente no Pará, que obtinham força de trabalho através deste expediente. Cabe, hoje, ameaçar um historiador que faz memória da sua própria trajetória de vida? Não sei. Me digam todos que me lêem.

Bibliografia:


ESTERCI, Neide. Escravos da desigualdade: um estudo sobre o uso repressivo da força de trabalho hoje. Rio de Janeiro: Biblioteca Virtual de Ciências Humanas do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008, in:www.bvce.org.

______________. Imobilização Por Dívida e Formas de Dominação No Brasil, Hoje. Paris: Lusotopie, 1996, p. 123-139.

FIGUEIRA, Ricardo Rezende (org.). Pisando fora da própria sombra: a escravidão por dívida no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

GOMES, Ângela de Castro. Trabalho análogo a de escravo: construindo um problema. História Oral: Revista da Associação Brasileira de História Oral, v. 11, n. 1-2, p. 11-41, jan./dez. 2008.

GUIMARÃES NETO, Regina Beatriz. História, política e testemunho: violência e trabalho na Amazônia Brasileira. A narrativa oral da presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Confresa (MT), Aparecida Barbosa da Silva. em: http://revista.historiaoral.org.br/index.php?journal=rho&page=article&op=view&path%5B%5D=130, acessado em 03/04/2012.

MARTINS, José de Souza. Fronteira: a degradação do outro nos confins do humano. São Paulo: Hucitec, 1997.

SAKAMOTO, L. Lucro fácil, mão-de-obra descartável: a escravidão contemporânea e a economia internacional. In: COGGIOLA, O. (Org.). América Latina e a globalização. São Paulo: FFLCH/PROLAM/Universidade de São Paulo, 2004. p. 257-269.

O CRIME DOMINA GOIÁS: OPERAÇÃO MONTE CARLO

A revista Carta Capital, um dos poucos veículos de comunicação a posicionar-se de forma crítica nesse país, é, por mostrar ao povo os desdobramentos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, a bola da vez na mira de Marconi Perillo, governador de Goiás. Silenciar os críticos, como forma de manter-se sem oposição é uma da tática que remonta ao coronelismo, fenômeno político-social e econômico que marcou a realidade brasileira, principalmente no norte e nordeste entre os anos de 1889 a 1930. Aqui e ali ainda se podem encontrar alguns resquícios dessa prática. Em Goiás, Marconi a revive de um modo que ninguém pode fazer melhor.

O Governador, que sempre fez o discurso da estruturação e racionalização do Estado, no sentido de organização administrativa, finalmente organizou o Estado, mas para cometer crimes. Então, agora ao que tudo parece, temos um Estado Organizado. Mas não orgnizado de modo convencional. Temos um Estado Organizado sob a batuta de Carlinhos Cachoeira e seguido de seus comparsas, entre os quais Marconi Perillo, Demóstenes Torres, Jovair Arantes, Carlos Leréia, entre outros. 



Não é só Marconi que pode estar envolvido. A reportagem de capa de “Carta Capital”, assinada pelo jornalista Leandro Fortes, aborda documentos, gravações e perícias da Operação Monte Carlo que indicam uma sinergia total entre o esquema do bicheiro, Demóstenes e o governador de Goiás, Marconi Perillo.


Uma gravação telefônica de 5 de janeiro de 2011 entre Cachoeira e seu principal auxiliar, Lenine Araújo de Souza, vulgo Baixinho, captada por agentes federais, mostra a interferência do bicheiro no governo de Perillo.


De Miami, o empresário recebe a notícia de que um de seus indicados para o governo de Goiás, identificado apenas por Caolho, foi preterido sem maiores explicações, aparentemente sem o conhecimento do governador. “Marconi, hora que souber disso (sic) vai ficar puto”, reclama o bicheiro, no telefonema a Souza. E acrescenta, a seguir: “Já mandei avisar ele (sic)”.

A reportagem também informa que Demóstenes recebeu ordem de Souza para falar diretamente com o governador – que nega envolvimento no caso – sobre o assunto. Esta, no entanto, não foi a única interferência do bicheiro no governo de Perillo, segundo a PF. Há registro de conversas em que Cachoeira se mostra incomodado com a atuação de um coronel em Anápolis, que poderia atrapalhar os seus negócios.

Na semana passada, CartaCapital revelou que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino comandado pelo bicheiro – e que movimentou, em seis anos, 170 milhões de reais.

Sabe-se agora que Demóstenes Torres, ex-procurador, ex-delegado, ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, mantinha uma relação direta com o bando de Cachoeira, ao mesmo tempo em que ocupava a tribuna do Senado Federal para vociferar contra a corrupção e o crime organizado no País.

O senador conseguiu manter a investigação tanto tempo em segredo por conta de um expediente tipicamente mafioso: ao invés de se defender, comprou o delegado da PF.

Deuselino Valadares foi um dos 35 presos pela Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Nas intercepções telefônicas feitas pela PF, com autorização da Justiça, ele é chamado de “Neguinho” pelo bicheiro. Por estar lotado na DRCOR, era responsável pelas operações policiais da Superintendência da PF em todo o estado de Goiás. Ao que tudo indica, foi cooptado para a quadrilha logo depois de descobrir os esquemas de Cachoeira, Demóstenes e mais três políticos goianos também citados por ele, na investigação: os deputados federais Carlos Alberto Leréia (PSDB), Jovair Arantes (PTB) e Rubens Otoni (PT).

Então, ao que tudo indica Goiás, roubando a posição de Brasília, está se convertendo num grande esgoto de corrupção.

Da minha parte nunca duvidei de que o “homem da camisa azul” não era brincadeira. Coronel de último naipe, protegido pela truculência e barbárie da Rotam, e ancorado num judiciário ineficaz no combate à corrupção, Marconi, em pleno século XXI, tem sistematicamente condenado, aqueles que ousam falar a verdade, ao silêncio sepulcral. No domingo Carta Capital não circulou em Goiânia. E ele tem força para tirar qualquer bloguizinho ou jornalzinho que o desafiar. Quanto às organizações Jaime Câmara, ou ao “Diário da Manhã”? Humm! Doce paz, livre circulação..

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O CASO DO SENADOR DEMÓSTENES TORRES: RETRATO DA POLÍTICA NO BRASIL

Demóstentes e Carlinos Cachoeira, ligações perigosas e criminosas.
A primeira coisa que eu sempre soube sobre o Demóstenes Torres é que ele é um fascista e, como todo fascista, haveria de ser também corrupto. Não chega a ser uma vergonha para o nosso Senado, porque é muito difícil que naquela casa alguém tenha vergonha.

Demóstenes Torres foi eleito em Goiás fazendo o papel que sabe fazer melhor, o de moralista. Parecia, durante a campanha eleitoral, que ele era a última voz da moralidade, as últimas mãos limpas do Senado Federal.

Sua campanha foi marcada pela voz emocionada de uma senhora supostamente viciada em Crak, problema que Demóstenes prometia combater. Era o delegado enfrentando o crime. E, no Senado, quando aparecia na TV, ainda parecia cuidar da imagem que o fez senador. Tudo marketing. Não que eu ignorasse isso. Mas nesse ponto, se torna inevitável questionar, existe alguém limpo no Senado? Sempre acreditei muito em Cristovam Buarque.

Quanto à Demóstenes, com brilhantismo Alexandre Garcia disse dele que “até parece o clássico "o médico e o monstro" - numa só pessoa, Doctor Jeckill e Mister Hyde - um caso de dupla personalidade. Demóstenes, a serviço da ética no Senado e Demóstenes a serviço de um contraventor. Em 2007, o acusador severo de Renan Calheiros. Na semana passada, foi pedir ajuda ao senador Calheiros, que lhe prometeu solidariedade”.

A coisa é tão grotesca que o advogado desse cara de pau questiona a legalidade das gravações. Ora, o problema aqui são os crimes e não a descoberta. Não duvido nada de que ele saia ileso e se eleja, com milhares de votos goianos, para mais uns cinco mandatos.

MANELÃO: DE PÉS DESCALÇO ENTROU O CHÃO DA LIBERDADE

Conheci o Manelão em 1996. Pessoa simples, mas que sempre, de forma muito forte, marcava todos que o conheciam. Enquanto estive no seminário em Conceição do Araguaia, e depois já em Belém, quando ia à Conceição, sempre o visitava. Conheci os seus filhos, inclusive de beleza excepcional, a Clara. Me parecia um bom pai. Para as pessoas das comunidades que freqüentava, Manelão tornava mais significativo o sentido de grande família de Deus, princípio dos irmãos que, na simplicidade, se reuniam para rezar.

Tardiamente, somente dia 30 de março passado, fiquei sabendo, por acaso, da morte de Manelão. Estou muito isolado daqueles cuja amizade é valiosa. Estou distante de muitas pessoas boas. Li depois, num texto dos dominicanos:

"Vítima de infarto faleceu no início da tarde deste sábado, 10 de dezembro, Manuel Martins de Almeida, o Manelão, em Conceição do Araguaia no Pará, em sua pequena chácara às margens do Rio Araguaia, tratada por ele como “Santuário Ecológico”. Casado com Marlene tinha um filho e duas filhas e sete 07 netos.

Manelão, ao contrário do que o nome sugere não é uma pessoa alta. Por opção desde a juventude andou descalço e carregava consigo a bíblia, o violão e o cajado.

Manelão das Comunidades Eclesiais de Base, poeta, compositor e cantador das belezas da natureza e da religião popular. Manelão sempre foi apaixonado pelo Povo do Araguaia e pelo Rio Araguaia. Na busca de fidelidade ao Deus dos Pobres inspirava-se em Jesus Cristo e São Francisco de Assis. É o símbolo encarnado da simplicidade. Ele tinha um profundo amor pela Família Dominicana e se sentia leigo dominicano.

Manelão participou, no último final de semana, em Xinguara do Encontro de lavradores das áreas de conflitos da região Sul do Pará, contribuindo muito – de acordo com Aninha – com a espiritualidade da caminhada. Nesse mesmo Encontro ao receber a Agenda Latina Americana de presente, beijou-a e disse: “eu estava precisando desse Encontro e dessa Agenda para reforçar a minha opção”.

Lá do céu, Manelão continua cantando: “É madrugada, levanta povo / a luz do dia vai nascer de novo / Rompe as cadeias, abre o coração / Vamos dar as mãos / já é Reino do Povo".

E aí fiquei com a sensação de que ele se foi e eu, se pudesse ter a consciência do quanto a vida é breve, breve até para pessoas assim tão marcantes, deveria ter passado por sua casa mais uma vez, conversado com ele mais uma vez, ouvido seu violão mais uma vez, ouvido histórias do Araguaia e de Conceição mais uma vez. A morte é mesmo ingrata, leva pra si o que deveria deixar entre nós. Manelão, eu sei que, finalmente, encontraste a liberdade. Contigo aprendemos, todos nós, que pés descalço significa muito.

segunda-feira, 26 de março de 2012

A MORTE DE CHICO ANYSIO: A TELEVISÃO PERDE A GRAÇA

Em 2009, se não me engano, li uma entrevista de Chico Anysio. Já a muito tempo que ele aparecia cada vez menos na televisão, e aquela entrevista me pareceu, pelas opiniões declaradas, muito interessante. Nessa reportagem se falou muito sobre o novo cenário do humor brasileiro, no que diz respeito ao espetáculo televisivo, e o próprio Chico emitiu juízo de valor sobre sobre a questão.

O que foi preponderante naquela entrevista, e essa é a também a minha opinião, é de que hoje o humor, principalmente na Rede Globo é muito pobre.

Mas, da minha parte, considero que a própria "Escolinha do Professor Raimundo" era muito chata. Os mesmos personagens com o mesmo sentido no roteiro. Chata, muito chata.

Mas houve personagens interessantes. Muitos.

Agora, sinceramente, comparar o humor do Chico com essa porcaria da Globo chamada Zorra Total, aí é covardia. Hoje a Globo é o canal que, principalmente no que diz respeito ao humor, apresenta a maior falta de criatividade. Se a Zorra é uma Zorra porque é um lixo, as outras tentativas como "Os cara de pau", não é, no que diz respeito à qualidade, em nada diferente. "Casseta e Planeta", então, ainda bem que saiu do ar.

Pessoalmente não consumo esses produtos de péssima qualidade. Mas, social, muitas vezes sou obrigado a ver ou ouvir, dado alguns lugares que tenho que frequentar.

Coitada da Globo quanto o Chico envelheceu, adoeceu, e agora que morreu.

Adeus velho Chico. Adeus Pantaleão. Adeus muitos outros Chicos da minha infância.

terça-feira, 20 de março de 2012

FILHO DE EIKE BATISTA MATA NEGRO POBRE: O QUE ACONTECERÁ?

Branco, bilionário e imprudente, e daí? Ser rico basta.
Para Eike Batista o seu filho, Thor, que matou Wanderson P dos Santos, foi cidadão. Thor Batista, que se envolveu em um acidente no último sábado, na Baixada Fluminense, já tinha antecedentes de imprudência ao volante. Aos 20 anos, o jovem já acumula 40 pontos na carteira de motorista após ser multado nove vezes, segundo o site do Detran-RJ (Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro). Ele também responde a outras duas infrações que podem lhe render mais 11 pontos caso Thor perca o recurso na Justiça. Desse modo, se somarmos as infrações, ele, na verdade, já soma 51 pontos na carteira.

É importante observar, considerando o histórico do bom cidadão, que a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro agrega os funcionários mais corruptos do Brasil, a polícia carioca. Então, se ele já foi multado tantas vezes, quantas vezes devemos imaginar que ele molhou a mão do guarda para que nada lhe fosse imputado?

Seria de grande valia, caso houvesse algum interesse pela verdade dos fatos, consultar, após esse episódio, o patrimônio dos agentes da PRF que atenderam o transgressor da lei após o acidente em questão.

O perfil das vítimas cujos casos não têm solução.
Quanto à adjetivação de Eike Batista, que culpado foi a vítima e que o filho é um bom cidadão, entendo muito bem isso. Ninguém culpa um motorista que atropela, por exemplo, um cão. E na sociedade capitalista (principalmente onde a democracia e equidade na aplicação das leis não existe, como é o caso do Brasil) é isso que o pobre é, um cão. Então, porque que o Thor Batista é um bom cidadão? Porque ele não fez mal a ninguém, ele apenas matou um negro pobre. E o que é isso? Para ele, e para os que o protegem, absolutamente nada, porque pobre, e ainda por cima, negro, só pode ser ninguém.

É uma vergonha! Vergonha e tristeza. Mas, é também a realidade.

terça-feira, 13 de março de 2012

SEMINÁRIO: MEMÓRIAS, NARRATIVAS E FONTES ORAIS

Além das vagas reservadas aos professores da educação básica, 4URE- Marabá e SEMED Marabá, estão sendo disponibilizadas 100 vagas para o público em geral.

As inscrições podem ser feitas através do endereço eletrônico:
seminariomemoriasenarrativas@hotmail.com