quarta-feira, 29 de agosto de 2012

REGINA DUARTE, INIMIGA DA CAUSA INDÍGENA NO BRASIL


Para ela, fora da ficção, que morram os índios.
Nos municípios da região sul e especialmente do Cone Sul do Estado, em Mato Grosso do Sul, na faixa de fronteira entre Brasil e Paraguai, populações indígenas reivindicam o direito pela terra atualmente ocupada por fazendeiros. Confrontos tem acontecido com um saldo de índios mortos e feridos. Uma das terras em disputa, denominada Arroio-Korá está localizada no município de Paranhos.

O Relatório de Identificação da Terra Indígena, realizado pelo antropólogo Levi Marques Pereira e publicado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), atesta, em fontes documentais e bibliográficas, a presença dos guarani na região desde o século XVIII.

Em 1767, com a instalação do Forte de Iguatemi, os índios começaram a ter contato com os “brancos”, que aos poucos passaram a habitar a região com o objetivo de mantê-la sob a guarda da corte portuguesa. A partir de 1940, fazendeiros ocuparam a área e passaram a pressionar os indígenas para que deixassem suas terras tradicionais.

Os primeiros proprietários adquiriram as terras junto ao Governo do, então, Estado de Mato Grosso e, aos poucos, expulsaram os índios, prática comum naquela época. Contudo, os indígenas de Arroio-Korá permaneceram no solo de seus ancestrais, trabalhando como peões em fazendas.

Relatório de Identificação e Delimitação da Terra Indígena foi publicado em 2004 e a demarcação homologada pela Presidência da República em 2009 (Decreto nº12.367). Porém, logo após a homologação, mandado de segurança impetrado por proprietários rurais suspendeu os efeitos do decreto presidencial.
Atualmente, os índios guarani-kaiowá e guarani-ñhandeva de Arroio-Korá vivem em situação precária e improvisada em barracos de lona na beira de estradas e em reservas indígenas do Cone Sul de Mato Grosso do Sul. Estima-se que 100 famílias sejam originárias da região.

Segundo informou o Blog União Campo Cidade e Floresta (http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress), diversos políticos e famosos são proprietários de fazendas na área em conflito. Ratinho, Hebe Camargo e Regina Duarte estariam nessa lista. “Regina Duarte lidera o setor pecuarista contra os povos indígenas, participa de comicios contra as demarcações e contra os povos indígenas em todo Brasil. No MS ela é a “Garota Propaganda” em campanhas contra indígenas”, conforme o Blog União Campo Cidade e Floresta.

Segundo o jornalista Leonardo Sakamoto, do portal UOL, a atriz global tem se engajado na atividade de combate ao direito dos indígenas. O jornalista noticia que a pecuarista Regina Duarte, em discurso na abertura da 45ª Expoagro, em Dourados (MS), disse que está solidária com os produtores e lideranças rurais quanto à questão de demarcação de terras indígenas e quilombolas no estado.

(O deputado Ronaldo Caiado, principal defensor desses princípios, deveria cobrar royalties de Regina Duarte… Inalienáveis deveriam ser o direito à vida e à dignidade, mas terra vale mais que isso por aqui.). “Podem contar comigo, da mesma forma que estive presentes nos momentos mais importantes da política brasileira.” Ela e o marido são criadores da raça Brahman em Barretos (SP).

Dos 60 assassinatos de indígenas ocorridos no Brasil inteiro em 2008, 42 vítimas (70% do total) eram do povo Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de acordo com dados Conselho Indígenista Missionário (Cimi). “Ninguém é condenado quando mata um índio. Na verdade, os condenados até hoje são os indígenas, não os assassinos”, afirma Anastácio Peralta, liderança do povo Guarani Kaiowá da região.

“Nós estamos amontoados em pequenos acampamentos. A falta de espaço faz com que os conflitos fiquem mais acirrados, tanto por partes dos fazendeiros que querem nos massacrar, quanto entre os próprios indígenas que não tem alternativa de trabalho, de renda, de educação”, lamenta Anastácio Peralta.

A população Guarani Kaiowá é composta por mais de 44,5 mil. Desse total, mais de 23,3 mil estão concentrados em três terras indígenas (Dourados, Amambaí e Caarapó), demarcadas pelo Serviço de Proteção ao Índio (criado em 1910 e extinto em 1967), que juntas atingem 9.498 hectares de terra. Enquanto os fazendeiros, muitos dos quais ocuparam irregularmente as terras, esparramam-se confortavelmente por centenas de milhares de hectares. O governo não tem sido competente para agilizar a demarcação de terras e vem sofrendo pressões até da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Mesmo em áreas já homologadas, os fazendeiros-invasores se negam a sair – semelhante ao que ocorreu com a Raposa Serra do Sol.

É esse massacre lento que a pecuarista apóia, como se as vítimas fossem os pobres fazendeiros. Só espero que, na tentativa de apoiar a causa, ela não resolva levar isso para a tela da TV, em um épico sobre a conquista do Oeste brasileiro, nos quais os brancos civilizados finalmente livram as terras dos selvagens pagãos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

NIQUELÂNDIA: CANDIDATO A PREFEITO SE ALIA A CRIMINOSO

É esse tipo de atitude que devemos reprovar. 

Recentemente foi publicado em um site de Niquelândia, como uma notícia extraordinária, que o candidato à prefeito Gilmar Loredo, PPS, havia recebido o apoio do ex-deputado José Tatico. Informou-se que Tatico, como é conhecido, é um grande pecuarista e que sempre foi bem votado em Niquelândia.

O que ficou silenciado, o que deixaram de dizer é que José Tatico é um dos maiores criminosos do Brasil. Não se trata de opinião minha. É fato julgado e dado como tal pela justiça. E se Tatico se envolve com política, não é por dinheiro, por isso já conseguiu com seus crimes, mas porque precisa de cargos públicos para lhe auferir proteção.

Antes de se devotar à Niquelândia o bandido de colarinho branco já se aventurou por Minas Gerais. Mas, criminoso desde 1975, Tatico fez carreira em Brasília, às custas de votos da população mais pobre do entorno de Brasília. Depois de esgotadas todas as suas possibilidades de tramoias, Tatico migrou seu domicílio eleitoral para Goiás e continuou se elegendo às custas do muito dinheiro que tem. Agora tá com uma perna em Minas, outra em Goiás. Se Tatico apoia Gilmar Loredo em Niquelândia, com certeza, dessa união jorrara muito dinheiro. E se fará isso é porque tem algum projeto criminoso para a região.

Em 2008 o jornal “O Estado de Minas” publicou a seguinte matéria sobre José Tatico.

“José Fuscaldi Cesílio, o José Tatico, tem problemas com a polícia desde de 1975, quando foi indiciado no Rio de Janeiro, por estelionato. De lá até hoje foram vários indiciamentos pelos crimes de contrabando, sonegação fiscal, receptação e crime contra a ordem tributária [...].

Atualmente, José Tatico responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) e a duas ações penais por crime contra a ordem tributária e contra o meio ambiente, que tiveram início em Goiás e Brasília. Em 2008, ele e outros seis pessoas e suas famílias tiveram seus bens bloqueados, assim como os de 12 empresas, por determinação da Justiça de São Luiz dos Montes Belos (GO). Segundo as ações, a atuação do grupo se concentra em José Tatico, que se vale dos filhos como administradores das empresas constituídas por laranjas e pessoas jurídicas de aluguel, inviabilizando a cobrança de tributos.


Mas foi em 2003, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito do Roubo de Carga, que José Tatico mereceu as manchetes dos jornais, ao ser apontado por Cléverson Pereira da Cruz, um dos maiores ladrões do país, como um dos empresários responsáveis pela compra de mercadorias furtadas. Segundo Cléverson, pelo menos seis cargas roubadas por ele foram entregues no Supermercado Tatico e, em uma das ocasiões, recebeu pagamento das mãos do parlamentar. José Tatico foi denunciado pelo Ministério Público Federal por receptação, mas o processo foi arquivado em razão da prescrição dos crimes.” [Fonte: PRATES, Maria Clara. José Tatico tem passado repleto de processos. Em: O Estado de Minas, 18/07/2010 - http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2010/07/18/interna_politica,169397/jose-tatico-tem-passado-repleto-de-processos.shtml, acessado em 17/08/2012.

O referido jornal, que é o de maior circulação em Minas Gerais, ainda faz uma análise das alianças de Tatico, quase todas com políticos corruptos. Nesse caso é de se pensar sobre aquele velho provérbio popular “me dizes com quem tu andas e te direi quem tu és”. De fato, se sou uma pessoa ética, decente, moral e que respeito o que é público certamente não me misturarei com quem é bandido e lapidador do patrimônio público, como é o caso do Tatico.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

IDEB BRASIL: OS DADOS E OS FATOS

O Brasil superou as metas na educação propostas pelo Ministério da Educação (MEC) para serem alcançadas em 2011 nos dois ciclos do ensino fundamental (de 1º ao 5º ano e do 6º ao 9º ano), mas apenas igualou a meta projetada para o ensino médio, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado nesta terça-feira, 14. Isso é o que foi divulgado na grande imprensa. Mas, quem vive o cotiano escolar tem conhecimento de duas verdades opostas aos dados: ha um interesse na maquiagem dos dados e, efetivamente, nossos alunos não sabem ler, não sabem as operações básicas e também não sabem escrever. Um terceiro dado, ainda mais preocupante, a escola  não sabe como lidar com essa situação.

Há mais de dez anos vivo a rotina das escolas de educação básica. Já disse outro dia que a conclusão fundamental a que cheguei é que a responsabilidade, pelos descaminhos, é do professor e da professora. Fui questionado por alguns colegas. Mas hoje, como professor de um curso de licenciatura, faço a reflexão de que o problema, se houver solução, estará esta solução na base, ou seja, na formação do professor. Claro que, acrescida a uma boa formação é sempre necessário considerar a responsabilidade, o compromisso ético-docente do professor. 

Não faço o discurso da questão salarial e das condições de trabalho porque esse discurso já está amarrotado. E a solução passa por aí, mas essa não é a solução. Uma coisa é a questão salarial, briga necessária; outra é o resultado do meu trabalho.

Precisamos de professores e professoras que sejam professores e professoras. É necessário a incorporação de um sentimento de profissionalismo à categoria. Existe muita docilidade, muita pessoalidade, muito compreensismo na educação. As coisas não são objetivas. Os educadores perdem a sua profissionalização em função de um apelo barato que os submetem a outras demandas que não são as suas e passam, por isso, a desempenharem papéis que não são os seus. 


Isso sem falar nos irresponsáveis, que, por apadrinhamento político ou incompetência dos gestores, recebem o salário religiosamente, mas raramente aparecem na escola. Tive um colega professor, com quase 20 anos de escola, que além de não participar de qualquer reunião, ia nas aulas quando queria e geralmente no início do 4 bimestre ele já entregava os resultados com todos os alunos aprovados. O tal professor chegou, em 2007, ao absurdo de dar como aprovado, com notas boas em todos os bimestres, um aluno que havia falecido no meio do ano. Esse tipo de praga mata quase todas as esperanças de mudança. E infelizmente é uma praga muito comum.

Penso que a transformação qualitativa da educação brasileira passa por uma mudança de perspectiva do papel do educador. A transformação passa por uma nova consciência de professores e professoras sobre a natureza do seu ofício. O professor não está na escola, como pensam muitos, para substituir pais ausentes ou psicólogos que a família não pode pagar. Se o adolescente tem um problema deve ser encaminhado ao Conselho Tutelar para este tome as medidas cabíveis, e não estou falando de delinquência não, estou falando das várias situações de intervenção deste órgão tal qual prescreve a Lei. Não cabe ao professor ocupar o lugar de outros agentes do Estado.  

Digo isso não sem razão. Parece bobagem, mas não é. A legislação brasileira, inclusive a educacional é quase perfeita. Todavia, muitos educadores deixam de cumprirem o seu  papel docente, para desempenharem funções que, legalmente, não lhes competem. Por exemplo, o ECA prescreve que, constatada a ausência sistemática do aluno, a escola deve acionar o Conselho Tutelar de modo assegurar-lhe o direito à frequência, que é responsabilidade do Estado e da Família. Esse procedimento, tão simples, nunca vi ser feito numa escola. Mas já vi muitos colegas "aliviarem" na forma de avaliar o aluno porque este faltou muito, inventou qualquer explicação, o fato não foi comunicado ao Conselho e, no final de tudo, a secretaria da escola quer a entrega das notas dentro do prazo.

É claro que poderia aqui discutir a questão exaustivamente. Mas, por enquanto, me ocupo do que é básico. Briga por salário e condições de trabalho se faz na escola e fora dela e, para o bom professor isso não é uma escolha, é uma obrigação moral. Mas, da mesma forma, a qualidade do serviço prestado é uma exigência profissional que deve ser exigida enquanto tal.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

APRENDENDO COM OS ÍNDIOS KRAHÔS

Silvaline e indígenas e história e re-valorização cultural
Ainda existem as comunidades que insistem em preservar seus costumes, como os índios Krahôs[1] no município de Itacajá, Tocantins. Na permanência de oito dias entre eles, pude observar detalhes dessa resistência que eles mantêm mesmo já convivendo com o homem branco.

Vivem de forma ordenada em 20 aldeias do território Krahô, numa área de 302 mil hectares no nordeste do Tocantins. Sobrevivem da plantação de mandioca, milho, banana; alguns criam porcos, galinhas e ainda utilizam a caça para completar a alimentação. Contam também com a ajuda da FUNAI e do governo com as aposentadorias. Mas o destaque do trabalho dos krahôs está no artesanato: eles produzem cestas, bolsas, colares, brincos, pulseiras e outros. Para isso usam palhas de coqueiro, sementes variadas do cerrado. Confeccionam peças raríssimas com muita habilidade.
Nas escolas aprendem o português e o krahô que é uma língua muito complexa e diversificada. A comunidade infantil é enorme, devido à sua cultura ter como riqueza as crianças para a preservação da tribo.
Cada aldeia tem um cacique que conduz as decisões sempre resolvidas coletivamente e este tem o olhar atento no sentido de preservação dos costumes. Até o horário da televisão é controlado, ele me explica que as crianças não podem se envolver muito com a TV e esquecer os modos indígenas.

Pela manhã eles se reúnem em círculo para discutir o que vai ser feito no dia e nessa discussão entram os sonhos da noite anterior, que pode ser uma previsão importante. Com muita calma decidem o que cada qual vai realizar naquele dia. 
As vozes krahôs se confundem: Impej (bom, ótimo, bacana), Wamaramõ (até mais, vou me embora) ... No meio do bate papo, muito sorriso, a índia Krãmpej levanta, vai logo perto abre as pernas, a urina adentra a terra, sem cerimônia ela segue altiva, dona do seu mundo de pequena extensão e tão grande em qualidade!
As crianças, os jovens, os velhos sorriem muito, são felizes, livres; nada é proibido. No rio todos nus nadam, gritam e sorriem. A água é sagrada, não podem contaminá-la.
O índio Xorxor viu um brinquedo na cidade e o reproduziu em madeira. O filho, o neto, os adultos todos brincam com a novidade, o indiozinho o empurra ensaiando os primeiros passos naquela espécie de triciclo com rodas de pau. Incrível como eles descobrem nas pequenas coisas grandes vivências.
Na hora da foto Xorxor tira o chapéu, sorrindo escancaradamente, peço-lhe para ajeitar o cabelo, mas ele assanha-os mais ainda e diz:
-Deixa assim, eu sou homem do mato!
Hora de falar sério, o velho índio junta os pés, todos se calam e de cabeça baixa o ouvem. Fala do seu sentimento com voz pausada, dos sonhos voando nos cabelos brancos. Os olhinhos apertados brilham, ele passa às gerações futuras como ser sempre índio krahô. O índio mais novo sabe onde estão os nós, é preciso desatá-los um a um, diz ele e eloqüente dita os passos sob os olhares atentos, nada se perde. 
A riqueza maior do índio krahô são os filhos, eles garantem a perpetuação da nação krahô e assim as crianças são tão importantes quanto os velhos, todos participam das brincadeiras, o respeito pelo outro se faz em tudo. 
Na reunião da manhã a esposa do cacique não pode comparecer, este ouve tudo atentamente, opina e se vai. 

No dia seguinte demora a aparecer, lhe pergunto o que aconteceu, ele calmamente diz:

- Fui durmi muito tarde, a lua já alta...

Insisto:

- Mesmo, perdeu o sono?

Ele traga o cigarro e com voz firme responde:

- Não, foi purquê minha muié num tava na runiao e ai tive que contá pra ela tudo cunversa lá, ela gosta saber tudo que fala todo mundo...

A seriedade na convivência entre eles se vê na voz firme do cacique, é na importância dos detalhes que deixam transparecer esse respeito.

Um índio tem a esposa doente, leucemia. Sofre com ela, tem os olhos tristes, pede aos deuses para curá-la e a trata com um carinho especial como se fosse uma criança...

A índia Pokwýj amamenta o filho, o leite é farto, os bebês passam o dia dependurados nas mães. As crianças não recebem ordens, apenas pedidos. Quando questionada sobre o castigo dos filhos, a índia diz séria:

- Foi papã (Deus) que deu, não pode maltratar a criatura que papã deu, saiu da barriga, eu não espanca a criatura que papã dá, eu cuida dele!

Fomos pescar, eu,Xorxor e Abílio. Sol quente, poucos peixes, só eu conseguia fisgar algum pequeno de vez em quando e exibia para os dois que me olhavam desconfiados de longe.

Daí alguns minutos Xorxor senta bem perto de mim calado e continua pescando. Ouço algo se debatendo dentro do mocó dele, curiosa pergunto:

- O que está mexendo ai?

Ele deita de tanto rir e depois exibe o peixe grande que havia pegado, assim mostrando vantagem em sua pescaria.

Dia de festa, o Kã está lotado de índios, todos juntos sempre em círculo iluminados pela lua que nasce. Começa o ritual: um índio alto, cabelos longos, semi nu sacode o corpo marchando pra lá e pra cá, a voz forte canta na língua krahô um som que enche a aldeia, é um clamor aos céus. Outro velho índio faz um chamado cantado, sua voz é marcante, repercute em toda a aldeia e outros vão se juntando ao círculo. Vozes femininas fazem segunda voz e os sons adentram pela noite, um espetáculo se faz sob olhares e ouvidos atentos...

Trouxe comigo o olhar apaixonado do índio pela vida, a firmeza na voz buscando ser feliz na íntegra. A continuidade da etnia se faz no olhar que vê a beleza interior, na escolha do macho que vê a fêmea na grandeza dos seios prometendo mais leite para amamentar os filhos, enchendo a aldeia do mesmo sangue...

A jovem índia olha os músculos do moço, a força para plantar a roça e não seus cabelos negros que brilham seduzindo ao sol; no olhar criança ela imagina a perpetuação de sua raça...

O suspiro do índio, o olhar desconfiado da índia... Todos buscam o sonho, querem preservar a memória, numa vida livre, sem regras, sem horários,nas suas terras e águas sagradas.

Não há pressa, há uma harmonia ameaçada pelos costumes civilizados que invadem a aldeia diante do olhar sereno e forte do cacique impondo a conservação da cultura de seu povo.

[1] Fonte: SINVALINE. Aprendendo com os índios Krahô. Aldeia Krahô:  Nov/ 2006. In: www.overmundo.com.br/overblog/aprendendo-com-os-indios-krahos

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

NIQUELÂNDIA - GO: ELEIÇÕES 2012, QUEM NÃO AJUDA, ATRAPALHA.

Fruto de disputa política, a cidade está em ruínas.
Niquelândia, um dos municípios com maior arrecadação do Estado de Goiás, portanto rico, está sendo objeto de uma das maiores disputas eleitorais em Goiás. São cinco candidatos disputando a prefeitura de Niquelândia. O povo, e eu que sou niquelandense consequentemente estou entre os populares, tem um alívio, um medo e uma esperança. O povo sente alívio pelo fim do mandato do prefeito Ronan, que quase acabou com a cidade bicentenária; sente medo que ele faça seu sucessor, e assim continue metendo a mão e sente esperança de que o novo prefeito ou prefeita seja diferente da tragédia que hora todos vivem.

Esse é o sentimento primeiro; mas existem preocupações que, embora pareçam periféricas, são importantes. O maior concorrente à prefeitura de Niquelândia hoje chama-se Luiz Teixeira Chaves. Figura carismática, homem simples, fiel aos amigos os quais deixou muito rico. Governou Niquelândia por quase 8 anos. E, por incrível que pareça, se tomarmos a gestão atual como modelo comparativo, Luis Teixeira foi um bom prefeito. Pesoalmente, até o admiro.

O maior problema de Luiz Teixeira, no entanto, é a sua maior qualidade, a fidelidade. Quando ele saiu da prefeitura em 2004 os detratores comuns lhe fezam um julgamento que o qualifava como ladrão. O prefeito saiu da prefeitura, sob a acusação de compra ve voto, tomou cadeira em uma delegacia em Anápolis e seguiu sua vida de servidor público na Secretaria de Segurança do Estado. O tempo, de certo modo, ante a ausência de evidências do aparecimento desse dinheiro, o abolveu. E agora ele, o Luiz Teixeira de muitos corações está voltando. Mas, se ele não meteu a mão, como acredito, o mesmo não se pode dizer de vários amigos seus, que ficaram ricos da noite para o dia.

Eu, nessa eleição 2012, faço torcida por esse nome. Mas, como todos os outros niquelandenses, temo a volta do grupo que o levou ao buraco. 

A paixão de muitos eleitores, Luiz Teixeira enfrenta a desconfiança de outros.
Luiz Teixeira já perdeu duas eleições depois que saiu da prefeitura. Mas não foram os outros candidatos que o venceram, foram determinadas pessoas, que passam o ano encasteladas em Goiânia e reaparecem em tempos  de eleições, que o levaram à derrota.  Onde que um bufão como o Ronan venceria Luiz Teixeira? Em lugar algum! Mas o medo de nomes que prefiro não mencionar aqui, porque também tenho medo, o derrotou.

Recentemente, encontrei em Uruaçu uma velha partidária de Texeira. Conversando sobre política questionei a ela determinados apoio ao candidato. E ela argumentou que uma pessoa que participa de um pleito não pode dizer não a quem lhe oferece apoio. Penso diferente, acredito que às vezes temos que nos perguntar se um apoio negativo vale à pena. Que apoio pode me dar uma pessoa cuja presença na campanha, em vez de somar, subtrai votos? Pessoalmeente, acredito que nenhum.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

PREFEITO ZÉ LEITÃO, O MAU-MAU DE MARABÁ, CASTIGA SERVIDORES.

Porque uma pessoa que, concorrendo a um cargo público importante, resolve ser pior justo quando o povo deve considerá-lo melhor? Porque deixar-se notar mau quando é tempo de fingir-se bom? Fato inconteste, tem muitos cidadãos marabaenses querendo entender aquilo que, para esses que ignoram as razões de tal fenômeno, julgam absurdo. Esse texto, portanto, é um esforço de dar explicação a essa loucura.

Dos braços do povo.
ao povo indignado
O prefeito Mau-Mau, também conhecido como Zé Leitão, ou Maurino Magalhães, teve um mandato marcado por lambanças. A maior dessas lambanças, também a mais desprezível de todas, foi considerar que a população, só porque o elegeu, era composta toda ela de retardados. Mau-Mau subestimou a capacidade do povo. Pensou que o povo o elegeu por burrice. 

Não é inocente nem mesmo o que vota por favores ou por dinheiro. Não foi, como acredita o próprio Maurino, por pura má-fé do tipo que só a ignorância e a inocência podem forjar, que o povo o escolheu. Foi mais por convicção, e pelos ventos reformadores, que o povo o escolheu.
Na ficção.
Na vida real.


Aí Zé Leitão cometeu vários erros de julgamento. O povo não o elegeu por burrice, o povo o elegeu por falta de opção melhor e, nesse caso a maioria dos votos da periferia, porque olhando para uma pessoa cuja história era marcada por engajamento nas lutas sociais, identificou-se com esse perfil e, considerando o precedente positivo aberto pelo metalúrgico que se tornou presidente do Brasil, no calor de tais emoções, o demagógico chegou ao poder porque seu discurso encontrou espaço nos corações cansados das velhas oligarquias cujo poder centenário alijou muitos e matou outros tantos.

Outro erro do Mau-Mau foi de interpretação literária. Ele leu muito mal Maquiavel. Entendeu o texto pelo avesso e acreditou, pela má interpretação que fez, que podia ser mal tendo como único fim o seu próprio bem-estar pessoal.  Ele desconsiderou a conjectura atual, e assim fazendo, pensou que podia ser mal com o povo fazendo pequenas concessões ocasionais do tipo curativos na ferida, ou remendo na rede rasgada.

Qual foi o resultado de tudo isso? Rejeição quase absoluta à sua candidatura. Vivi cenas numa escola municipal de Morada Nova quase cômicas. Uma direção escolar municipal nomeada pelo Mau-Mau ao arrepio da Lei, que prescreve a gestão democrática e não a gestão imposta, o defendia como melhor prefeito que Marabá já conheceu. E era um discurso que, embora sem racionalidade argumentativa, quase convencia pela carga emocional. Esse grupo, somado aos demais apadrinhados e à grande família do prefeito Zé Leitão, é a base de apoio do Maurino hoje. Isso as pesquisas têm demonstrado ao apontar o grau de rejeição ao prefeito.

Então, consciente da impossibilidade de continuar metendo a mão o que o prefeito resolveu fazer? Resolveu meter a mão mais fundo ainda. Resolveu tirar o que era possível tirar. E esse fatozinho tão simples é que explica o misterioso fenômeno. É isso que explica às vésperas da eleição o Mau-Mau ficar pior ainda.

A mediocridade não é só do Mau-Mau.
Aí, como consequência dessa conclusão a que chegou o Zé Leitão, de que não ganharia mais quatro anos de mãos na botija, ele buscou cobrir o céu com a peneira e ajustar as contas ondes os furos são maiores. E, para ajustar, sempre é necessário apertar. Consequência disso, estamos apertados todos. Não tem mais Visa-Vale, que quase nada valia mas dava para o gás, arroz e feijão. Não tem salários em dia e o servidor tem que pagar tudo com juros e correções monetárias. Não tem mais nada. Não tem mais nada, só o compasso de espera.

Conheci um palestrante, capitão da PM de Goiás, que assustou-me porque fez um discurso cuja frase chave contrariava um preceito de esperança que me seguiu quase a vida toda. Aprendi com os ditados populares que "depois da tempestade vem a bonança"; e que "depois da noite escura, o sol brilha", o capitão, pelo contrário dizia que "tudo que é ruim, pode ficar pior ainda".

Se é verdade que "tudo que é ruim, pode ficar pior ainda" eu interpreto as práticas maquiavélicas do Mau-Mau mas me calo quanto a qualquer prognóstico futuro. Acredito que Marabá irá superar o jeito suíno de fazer política, mas não sei se o que virá ser muito melhor. Aí que vida!

MARABÁ, A CRISE SE GENERALISA: ALUNOS SEM MERENDA E PROFESSORES SEM SALÁRIO

Maurino, o Mau-Mau.
Marabá é, considerando a proporção de habitantes, um dos municípios com maior arrecadação do país. É um município rico com um povo pobre. Mais que isso, é um município que arrecada muito dinheiro e que não tem qualquer infra-estrutura de atendimento à população. Esse quadro já é grave por si só, mas o prefeito Zé Leitão, também conhecido como Maurino Magalhães, ou Mau Mau tem demonstrado, como ninguém tinha conseguido ainda, a forma de piorar tudo.


O orçamento da prefeitura de Marabá para o ano de 2012 chega a quase meio bilhão de reais, e se equacionarmos aos mais de 400 milhões de reais os repasses federais fixos, para a saúde e educação, essa cifra torna-se astronômica. O que pouca gente entende é, como tendo uma arrecadação milionária e ainda havendo os repasses do Governo Federal, o prefeito Mau Mau consegue arrebentar com o sistema de saúde municipal e deixar a educação quebrada num período que, para ele mesmo, é muito importante posto que é candidato à reeleição.

Os professores estão com os vencimentos atrasados, os alunos recebendo merenda escolar racionada porque o município não pode comprar merenda adequada em qualidade e quantidade e, de modo geral, os servidores em cada secretaria têm um rosário de reclamações dado o estado caótico em que se encontra o município.

MARABÁ, A CRISE SE GENERALISA: ALUNOS SEM MERENDA E PROFESSORES SEM SALÁRIO

terça-feira, 31 de julho de 2012

O MENSALÃO: UM MAL NECESSÁRIO?

Como são escolhidos os secretários? Como se vence uma licitação?
Quem já leu Maquiavel sabe que existem males necessários. O mensalão existiu, quem não sabe disso é porque não cresceu mentalmente. A falsa moral concorre para uma condenação do PT e do próprio Lula; mas, de modo geral persiste, na sociedade, uma conformação que na prática implica numa aceitação do “crime”. A estes conformados me junto, não porque concordo com a normatização do crime, mas porque penso que a culpa não foi do PT ou do Lula, mas de um Congresso Nacional viciado que só aprova ou desaprova de acordo com interesses que lhe são próprios, ou dos seus apaniguados.

Haveria, sem uma mesada em troca de aprovação aos projetos encaminhados ao Congresso Nacional, algum programa social símbolo da redução da desigualdade social iniciada no governo do Lula? Não tenho dúvidas que sem essa compra do Congresso o Brasil ainda seria aquele país do PSDB em que ao pobre cabia a miséria estamentária. Na verdade tínhamos estamentos, os pobres ficavam mais pobres e os ricos mais ricos. Havia pouca esperança porque nem mesmo ter uma profissão, como professor por exemplo, significava alguma coisa; o professor Fernando Henrique Cardoso nos ensinou isso.

Nesse início de agosto, às vésperas do período eleitoral, iniciam o julgamento do mensalão. Existe uma discussão política em torno do julgamento. Pouco importa o crime. A sociedade não dá a mínima porque já consagrou a normalidade do crime de colarinho branco e as autoridades porque nunca se preocuparam com a promoção da justiça, exceto quando é para derrubar algum adversário político. A discussão política também é pobre porque a essa altura os da direita já descobriram que não existe esquerda e que o povo brasileiro é amoral, exceto quando é para esculachar a filha ou o filho da vizinha.

Com créditos da professora Flávia, uma mulher que prefere saber.
De resto, sei que o texto que escrevi sobre o filme pornô da Xuxa vai continuar na lista dos mais lidos porque esse povo brasileiro de “Avenida Brasil” e de um fantástico que só exibe ninharias prefere mesmo saber sobre o par de crepúsculo a encarar a dura realidade de universidades caindo aos pedaços, hospitais sem leito e sem médicos, policiais executando pretos pobres e outras mazelas várias.

Existe uma conformidade que só a ignorância pode permitir. Mas a ignorância, para o grosso da população, não decorre do não poder saber, mas do desejo de não saber. Não saber é cômodo. Não saber é fundamental.  

Como são escolhidos os secretários de uma prefeitura? O que significa a fatia de cargos entre os partidos para formar uma base governinsta num Estado ou numa prefeiturazinha do interior do Brasil? O que é isso? Não seria isso também um mensalão, uma venda de um cargo público?

O que me deixa chateado é que, às vezes, me põem entre esse povo-massa que não sabe, e quando sabe ignora.