terça-feira, 31 de julho de 2012

A UEG E A IDADE MÉDIA: CRÍTICA ESCRITA EM 2007, QUANDO AINDA ERA DISCENTE DA INSTITUIÇÃO

Embaixo dos sinos, embaixo da cruz, embaixo de tudo.. o saber que nada sabia.

A Universidade Estadual de Goiás tem sido tema dos meus discursos e escritos desde tempos anteriores ao meu primeiro contato com alguns professores e alunos que hoje formam o Fórum de Defesa da Ueg e que já em 2005, ocasião do nosso encontro, denunciavam, num seminário na Cidade de Goiás, as mazelas que hoje pretendem superar. Não posso dizer que sejam apenas discursos pessimistas porque florescem grandes figuras dentro dessa instituição que se opõem à forma orgânica como a UEG se dá às realizações masoquistas dos prazeres de seus mandatários.
Ingressei como estudante na UEG em 2004. Anterior a esse ingresso, que por imprecisão de um edital se fez em dois cursos: História na Unidade de Uruaçu e Pedagogia Plena Parcelada no então Pólo Universitário de Niquelândia, conhecia a UEG pelas visitas que fazia aos amigos acadêmicos no Pólo de Niquelândia. Já naquelas visitas me parecia absurdo perceber que muitos licenciandos, repito: muitos, na reta final do curso não tinham competência ou habilidade para, sequer, escrever um texto com alguma clareza, ou produzir uma redação com coesão entre parágrafos e objetivo inteligíveis. A decadência era, e ainda é, de forma tão flagrante que frases pronunciadas no estilo: “eu não ouvo bem” ressoam, sem a menor cerimônia nas salas de aula do curso de Pedagogia.  Isso me fez crer naquele período que a Universidade não estava produzindo o mínimo do que dela esperava a sociedade goiana, pelo menos que eu esperava. Hoje essa convicção deixou de ser impressão para tornar-se fato sentido e experienciado.
Já via desde aqueles tempos que os cursos conhecidos como “parcelados”, não falo só de Pedagoga, constituíam a decadência elevada à potência máxima. Agora, escrevo para comunicar um aditivo ao caso específico de Niquelândia que a mim, humilde participante da história e dela consciente, é uma prova de que a UEG conseguiu superar as fronteiras do tempo e ressuscitou o que havia de mais cientificamente desprezível na Idade Média: a academia regada a missa e cantos litúrgicos.
A administração municipal em Niquelândia sempre demonstrou boa vontade em firmar parcerias com a UEG. Nesse sentido tem disponibilizado espaço e custeado despesas com a universidade. Assim, por muito tempo as aulas da universidade foram ministradas no prédio da Escola Municipal São José que chegou a fechar o turno noturno para ceder todo o espaço para os cursos seqüenciais noturnos que vieram para Niquelândia com a ascensão do Pólo à categoria de Unidade.
Nomeada diretora, a senhorita de terceira idade, Lenir, católica fervorosa, cuidou em transferir a UEG para a sacristia da Igreja São José, de Niquelândia, na qual ela figura como beata. Tudo pareceu, pelo menos aos olhos dela, muito harmônico: a sala da direção, um mini-oratório ( com cantinho pra santo e tudo mais), do lado da sala a matriz e as recitações de terços, ensaio de cânticos, missa, casamentos, batizados, reuniões, etc. e cercado por tudo isso, sem ter como escapar, a ciência.
Dizer que a igreja é um mal para a educação está além do meu julgamento. Não posso dizer que tenha sido um mal nem mesmo na Idade Média quando ela, a igreja, tinha a posse da verdade e dizia quem e como se podia ter acesso a essa verdade. Não faço juízo sobre aquele período porque apesar do aprisionamento do saber é fato reconhecido que a tradição cristã superou a expectativa romana e germânica no que se refere à educação infantil criando espaços que se popularizaram como verdadeiros “jardins de infância” nos mosteiros, o que, naquele momento histórico era um progresso na educação. Houveram as bibliotecas, as primeiras universidades. A filosofia escolástica. Mas, reconhecido o mérito, é preciso pensar em quantos arderam na fogueira da inquisição por buscarem um conhecimento desvinculado dos mosteiros e ressuscitar a discussão sobre os propósitos da escolástica que sendo uma corrente filosófica interessava-se mais por responder às contestações dogmáticas que pelo conhecimento em si.
Não julgo, reflito. Humilde só me concebo o direito à reflexão, e isso considero importante. Olhando para os traços culturais da Idade Média eu não posso atribuir valores aos fatos, mas posso dizer que estamos bem próximos daquela antiga submissão da ciência à fé. E isso, fora daquele tempo, é lastimável.
Qualquer um pode dizer que os acontecimentos em Niquelândia são microscópicos considerando as dimensões da UEG, com suas dezenas de Unidades e milhares de alunos. Eu concordo. Mas, por outro lado, estamos diante de um fato que estrapola o limite da mera coincidência. Se o leitor pensar mais atentamente e ler as palavras sem pré-julgamento perceberá facilmente que as circunstâncias provam que assim como a igreja medieval defendia a ausência do espírito crítico em defesa de um consenso a seu favor, da mesma forma agem os mandatários da UEG. O perigo de alguém conhecer e se voltar contra as verdades dogmáticas corresponde ao risco de uma formação acadêmica com qualidade que resulte em discentes e docentes atuantes e contestadores à forma orgânica como a UEG se dá às decisões de seus senhores e donos.
Para os céticos ainda ponho a configuração geográfica de Niquelândia na correlação com a geografia urbana medieval no que diz respeito aos espaços que nos interessam, agora está tudo próximo: igreja, cemitério e academia.  
Para além de jogo de palavras e comparações é preciso se revoltar. É absurdo que seja o espaço acadêmico um exemplo de colaboração com a crescente alienação de uma sociedade que, contrário a isso, precisa cada vez mais se situar para reagir contra as injustiças, a degradação do meio ambiente, a degradação moral e intelectual e contribuir para a construção de um mundo mais equilibrado em muitos sentidos. Não serão, porém, as aulas entre-cortadas por sinos, cantos, pregações e demais ritos litúrgicos que irão cumprir esse papel.
Como eu tenho dito, questionar é preciso, aceitar não é possível.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

MP INVESTIGA IRREGULARIDADES NA SAÚDE EM MARABÁ

Caos na saúde em Marabá
Se vai dar em alguma coisa, tenho minhas dúvidas. Mas já era mais do que em tempo de o ministério público estadual do Pará toma providências relativas ao caos no sistema de saúde no município de Marabá. A ação teve o objetivo de apurar as reclamações dos pacientes, que relataram vários problemas no hospital, como falta de cirurgias eletivas (operações programadas, que não são de emergência), atendimento odontológico, vacinas, remédios e materiais de trabalho para atendimentos de urgência.
Segundo a promotora de justiça, Ana Maria Carvalho, todas as reclamações são procedentes. “Há mais de oito meses o HMM não realiza cirurgias eletivas por falta de material, os exames médicos deixam de serem realizados por falta de componentes das máquinas, os atendimentos de urgência e emergência, ficam paralisados por falta de luvas, de gesso, de seringa. A estrutura do hospital deixa a desejar, não tendo nem sala de isolamento”, revela.
Ainda de acordo com a promotora, Ana Carvalho, será feito um levantamento cuidadoso de todos os recursos que entraram para a saúde e verificar em que foram gastos. "para dificultar a fiscalização, o município deixou de usar o CNPJ do Fundo Municipal de Saúde e os recursos da saúde entram em uma conta geral", explica.
A população não pode ignorar, todavia, que já foi passado em muito o prazo que a mesma promotora deu ao município num ajuste de conduta assinado entre o órgão da justiça e a prefeitura. E o que aconteceu? Nada. A promotoria não tem poder de punir, isso é coisa de juiz, e prefeito, mala como é, vai fingindo que se compromete e o povo passando em banho-maria.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A MORTE DO PUBLICITÁRIO RICARDO PRUDENTE DE AQUINO

A morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino foi uma barbárie. Mas, esse fato por trágico que é nos permite refletir sobre uma realidade que a elite tenta esconder e os pobres parecem incultos demais para captar. A legalização da pena de morte sob o nome técnico de “resistência seguida de morte” aplicada a favelados, principalmente, favelados pretos e pobres.

Na mesma noite, 18 de julho, a imprensa registrou dois assassinatos praticados pelo Estado de São Paulo e quatro outras tentativas de assassinatos. Foram registradas as mortes de Bruno Gouveia Viana e de Ricardo Prudente de Aquino. Pouco se sabe sobre o estudante Bruno Gouveia. Ele trafegava num carro popular, Gol, e, pela pouca importância dado pelo Estado e pela mídia ao caso, deduz-se ser pobre ou de classe média baixa. A exigüidade de dados sobre a morte do estudante é tão notória que em algumas notícias vinculadas na mídia não nem mesmo informação sobre o nome da vítima. Ricardo Aquino, pelo contrário, tem nome de profissão, era publicitário. A Ricardo Aquino, independente de apuração, o Estado já se dispôs indenizar a família, a Bruno Gouveia coube um breve lamento do governador.
Pois bem, o tenente da PM Gilberto Evangelista desempenhou bem o seu papel ao pedir desculpas à família do empresário morto a tiros na quarta-feira por policiais após uma abordagem na Zona Oeste de São Paulo. Mas é claro! Onde já se viu a matar gente branca, e ainda por cima publicitário? Terá esse mesmo oficial visitado a família de Bruno Gouveia?
Ta tudo errado. Porem, me desculpem as famílias dessas vítimas, mas quem matou essas duas pessoas não foi a PM de São Paulo, foi a sociedade que considera normal a PM matar pobre, preto, favelado e qualquer outro desventurado que não componha a elite desse país. Se assim é, é muito natural que uma hora ou outra, por engano, respingue um pouco dessa prática sobre os pálidos e tranqüilos senhores que transformam profissões em pronomes pessoais.
Resistência seguida de morte é o nome técnico que se dá à pena de morte institucionalizada no Brasil, como no caso do publicitário Ricardo Aquino, executado em São Paulo e do jovem Bruno Gouveia. Mas quem liga pra isso quando acontece com moradores das favelas que, sem qualquer investigação o julgamento do tribunal supremo militar os condena à morte? Ninguém liga. Na verdade, a elite se sente até mais protegida. Arrisco a dizer, que essas mortes é um alívio às consciências incomodadas com tanta pobreza, pedintes, negros e outros seres cuja existência parece lhes estorvar.

Em Goiás tem esquadrão da morte dentro da PM, na verdade a polícia de elite, a ROTAM, é um esquadrão da morte. E quem se incomoda com isso? Desde que não mate um branco rico, tudo bem, a sociedade autoriza matar! Estiveram presos, haviam provas e voltaram aplaudidos pela sociedade.
O Brasil é um país extremamente injusto e segregado. Observem as propagandas, será que não existem pessoas negras para participarem de comerciais? Porque as pessoas que não se enquadram num determinado padrão estético – brancas e com características similares – não servem para as propagandas ou qualquer outro trabalho na mídia, exceto comédia? Será que dos negros, gordos e feios só podemos rir? Existe alguma coisa muito errada na nossa sociedade.
O trabalho da polícia é proteger a vida apenas de quem é publicitário ou empresário? Resistência seguida de morte só pode ser investigada em se tratando de alguém de nome? Será que as pessoas são tão burras a ponto de não entenderem o que está posto aí, embaixo de seus narizes?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

NOS LIVRAMOS DE 1, E OS OUTROS MUITOS?

Acredito que não existem dúvidas quanto ao envolvimento do ex-senador Demóstenes Torres. Ele, de fato, participou do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Foi cassado ontem. Legal! O Senado Federal cumpriu uma de suas atribuições. Muito bom isso. No entanto, fica a grande questão, diante da proteção que o próprio Cachoeira faz, com o seu silêncio, da rede de envolvidos, terá sido o Demóstenes um bode expiatório cuja condenação tem o fim de aplacar a ânsia por alguma expiação ante o grande dano que a sociedade parece perceber que tem sido vítima? Disso, desse sacríficio expiatório, não tenho dúvidas.

Dizer que ele, o Demóstenes foi oferecido em holocausto, não pode ser confundido com inocência. No caso dele a oferenda não era sagrada, muito menos santificada. Foi uma oferenda impura oferecida a um povo que ainda não sabe qual o caminho da redenção. De outro modo, se alguém, por qualquer razão destonasse do que digo, questiono, e o Marconi Perillo, governador de Goiás, qual será a sua pena? E o prefeito de Palmas? E o Ministro quase deus Gilmar Mendes? e os muitos outros que banharam na cachoeira?

É um avanço, mas não é o suficiente. O que precisamos é de um processo de investigação e punição eficiente. Mas a essa altura, a julgar pelo silêncio da cachoeira, é temeroso supor quantos ainda dos envolvidos estão no anonimato das informações. Hoje, por desconfiança, ando de lado, e a cada canto vejo um possível envolvido no esquema. Essa investigação mostrou ao Brasil uma rede criminiosa cujo alcançe ainda é desconhecido. E ainda tem os filhos dessa rede. As eleições municipais se aproximam, em Goiás, quantos são filhos desse casamento feito à margem da cachoeira?

O que todos sabem, e ninguém diz publicamente, é que gestão pública no Brasil tornou-se sinônimo de corrupção. É essa cultura, que é brasileira, que é o jeitinho brasileiro - para citar Roberto DaMata -que precisa mudar. Então, para o povo, que também é corrupto por conivência e conveniência, também para esse povo, Demóstenes foi um holocausto.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

OS PROBLEMAS AMBIENTAIS NO BRASIL

HÁ UMA TENDÊNCIA DE DIVÓRCIO ENTRE OS PROBLEMAS E A VIDA
As pessoas tendem pensar o problema ambiental como discurso, ou como realidade distante. O mais comum é relacionar a questão aos problemas ligados à Amazônia. É fato que na Amazônia a degradação ambiental constitui questão séria e problema que urge solução. No entanto, não se trata apenas de um problema amazônico. A problemática ambiental é um problema planetário. No caso do Brasil, eu diria que o desmatamento do Cerrado, principalmente em Goiás, é tão grave quanto o da Amazônia.
Lembro que no final de maio de 2010, penso que por ocasião da Semana do Meio Ambiente, havia em Níquelândia-GO um evento em que, a partir de uma parceria entre a Universidade Estadual de Goiás e a Secretaria Municipal de Educação, desenvolveu-se práticas ligadas à Educação Ambiental. Haviam cartazes, declamou-se poesias, apresentações teatrais e tudo mais. Foi um evento lindo.
FOGO NA SERRA. TODO ANO A MESMA CENA.
No entanto, enquanto as boas senhoras que conduziam o evento se esforçavam por mostrar a boa imagem da prefeitura de Niquelândia e da UEG, as serras que circundam a cidade ardiam em chamas. Pura malvadeza. Todos que conhecem Niquelândia sabem que naquelas serras ninguém planta nada. Ali ninguém cria gado, cavalo ou outro animal qualquer. Mas todos que moram em Niquelândia, ou que a visitam entre maio e setembro – principalmente em Agosto por ocasião do Muquém – sabem que todo ano aquelas serras ardem em chamas. E ninguém, no bem intencionado evento, falou das chamas que apagavam qualquer forma de vida que por ventura pudesse haver naquelas serras.
Então, o tratamento distante que as pessoas dão à questão ambiental é o maior problema que temos hoje.
Em que pese a ignorância do povo, os problemas ambientais de âmbito nacional, relacionados à degradação da diversidade biológica ocorrem desde a época da colonização, estendendo-se aos subsequentes ciclos econômicos, num modelo econômico sempre predatório.
Atualmente, os principais problemas estão relacionados com as práticas agropecuárias, o extrativismo vegetal e mineral e a má gestão dos resíduos urbanos.
O índice de desmatamento em nosso território é tão alarmante que chega a pontuar proporcionalmente o Brasil como o segundo país, atrás apenas da China, com maiores áreas devastadas em todo o mundo.
Isso atinge a Amazônia, reduzida em apenas 15% de áreas preservadas. Mas atinge também a biodiversidade do Cerrado e da Caatinga. Diante dessa situação degradante, é necessário que cada cidadão assuma uma postura crítica e responsável. Não basta cobrar de outros, é preciso que também nós, cada um, aprenda a lavar o próprio prato. Cada um precisa fazer a sua parte. O rapazinho ou a mocinha que vai deixando seu lixo pelo chão da própria casa, porque tem alguém que deve recolher, a empreguete, são monstrinho e monstrinha. E essa é a postura mais comum. Se deixa o lixo na rua, jogado de qualquer jeito, porque esse é um problema de quem o recolhe, o gari. Ninguém parece disposto a assumir o seu papel na construção de um mundo melhor.

FIM DO VOTO SECRETO DE PARLAMENTARES: O SENADO JÁ APROVOU


A DECISÃO DO SENADO É HISTÓRICA PORQUE ACABA COM UM
MECANISMO CORPORATIVISTA DE PROTEÇÃO DE PARLAMENTARES
CORRUPTOS. O VOTO ABERTO EXPÕE O PARLAMENTAR
O Senado Federal aprovou ontem (04/07), em dois turnos de votação, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 86/07, conhecida como PEC do Voto Aberto. Ela prevê o fim do voto secreto nas votações de processos de cassação de mandatos parlamentares. De autoria do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a PEC será agora encaminhada à apreciação da Câmara dos Deputados.

Na votação em primeiro turno, foram 56 senadores a favor e 1 contrário. Já na votação em segundo turno foram 55 votos favoráveis e 1 contra. Na próxima semana o plenário do Senado deverá decidir sobre o processo de perda do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), mas a emenda não valerá para o julgamento do senador goiano.

A PEC prevê apenas voto aberto nos casos de processo de cassação, ficando secreta as votações para aprovar autoridades como ministros de tribunais superiores, diplomatas, diretores do Banco Central, ministros do Tribunal de Contas da União, procurador-geral da República, vetos presidenciais e eleição dos membros das mesas diretoras da Câmara e do Senado.

Na Câmara tramita ainda uma PEC, que já foi aprovada em primeiro turno, que institui o voto aberto em todas as votações secretas no Congresso Nacional. No entanto, a votação do segundo turno da proposta vem se arrastando porque encontra resistência de vários partidos da Casa, inclusive do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), que defende que algumas votações devem ser mantidas secretas.

CASSAÇÃO DE DEMÓSTENES TORRES FOI APROVADA

SARÁ QUE DEMÓSTENES AINDA PENSA ASSIM?
Apesar do argumento da defesa do Senador Demóstenes Torres de que o processo contra o seu cliente era carregado de subjetividade, a Comissão de Constituição e Justiça, CCJ, do Senado considerou, de forma unânime, a constitucionalidade do processo de cassação de Demóstenes Torres. O pedido de cassação será encaminhado para conhecimento da Mesa Diretora do Senado. A cassação do mandato deve ser votada no plenário do Senado na sessão da próxima quarta-feira (11). No plenário, a votação dos parlamentares poderá ser realizada de forma secreta.

A senadora Marta Suplicy (PT-SP), afirmou que Demóstenes tentou "enganar" o Senado. "Por todas essas mentiras, essa personalidade que mostrou ter, eu realmente acredito [...] que o senador Demóstenes não tem lugar aqui nesta Casa", concluiu Marta Suplicy.

Os goianos devem recordar muito bem que a campanha eleitoral do Senador Demóstenes Torres, que utilizou todo tempo o relato de uma suposta mãe viciada em crak, fez-se a partir do jogo moral. Do homem político que ainda era depositário da moral num espaço amoral, o espaço político, e do Congresso por excelência. Ele personificava, em Goiás, o combate ao crime organizado, indo do tráfico de drogas à pedofilia. Agora a realidade se impõe. Será mesmo que o Brasil está politicamente podre?

Para que a cassação de Demóstenes seja aprovada em plenário, são necessários os votos favoráveis de 41 dos 81 senadores. Graças à televisão brasileira, esse pescoço não escapa da degola.

CPI DO CACHOEIRA: PAGOT E CAVENDISH DEPOEM

Cavendish, ex-diretor da Delta, na mira da CPI

Os integrantes da CPI do Cachoeira aprovaram nesta quinta-feira (5) a convocação do empresário Fernando Cavendish, ex-presidente e sócio da Delta Construções S.A, para prestar esclarecimentos sobre as atividades da construtora com o esquema de corrupção, chefiado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que envolvia políticos e empresários.

Também foi aprovada a convocação do ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antônio Pagot, e de mais cinco testemunhas: Adir Assad, Andréa Aprígio, Paulo Vieira de Souza, Paulo Moreira Lima e Raul Filho. As datas dos depoimentos ainda não foram definidas.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CONTAS SUJAS VÃO CONCORRER NO PRÓXIMO PLEITO ELEITORAL


Quero, mais uma vez, manifestar minha indignação com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que autorizou que os Contas Sujas concorram no próximo pleito eleitoral. De fato, se considerarmos que é exatamente a obrigatoriedade de prestação de contas que possibilita a identificação de mau uso, ou de desvio do dinheiro público, essa decisão, liberando aqueles em relação aos quais já existem indícios desse delito, essa vergonhosa decisão se torna mais grave.

Os políticos que tiveram contas de campanha rejeitadas pela Justiça poderão participar das eleições deste ano, segundo decidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite de hoje. Por maioria de 4 votos a 3, o tribunal desfez decisão da própria corte que impedia a candidatura dos chamados contas sujas.

O julgamento foi retomado com o voto vista do ministro Antonio Dias Toffoli, que desempatou o placar de 3 votos a 3. Para Toffoli, a apresentação das contas de campanha – independentemente de elas serem aprovadas ou não – é suficiente para deixar o candidato quite com a Justiça Eleitoral.

O ministro ressaltou, no entanto, que caso as contas sejam apresentadas sem documentos, “de forma fajuta”, a Justiça irá desconsiderá-las e o político será barrado. Durante a proclamação do resultado, o ministro Henrique Neves fez questão de ressaltar que a decisão diz respeito apenas a contas de campanha, e que os gestores públicos com a contabilidade reprovada por tribunal de contas continuam inelegíveis, conforme determina a Lei da Ficha Limpa.

Os ministros analisaram um pedido do PT e de mais 17 partidos para que o TSE reavaliasse a decisão de março deste ano que, por 4 votos a 3, passou a exigir a aprovação das contas de campanha para liberar candidaturas. A decisão tornou mais rigorosa a regra vigente até então – retomada esta noite – que pedia apenas a apresentação da contabilidade dos candidatos.

A inversão do placar foi possível porque, de março para cá, a composição do TSE mudou, com a entrada dos ministros Antonio Dias Toffoli no lugar de Ricardo Lewandowski e do ministro Henrique Neves substituindo Marcelo Ribeiro.

Toffoli seguiu a posição dos ministros Gilson Dipp, Henrique Neves e Arnaldo Versiani. Eles defenderam que o TSE havia extrapolado o que a lei exige ao cobrar a aprovação das contas. Na outra vertente, estavam os ministros Nancy Andrighi Cármen Lúcia e Marco Aurélio, para quem a intenção da lei é moralizar a atuação política, mesmo que isso não estivesse escrito expressamente no texto.

Volto a dizer, em tempo, que minhas esperanças num Brasil melhor são obstadas em tais circunstâncias. Já culpei muito a sociedade que elege políticos safados. Mas, veja bem o leitor, os ministros da justiça não são eleitos pelo povo.

Precisamos confiar na justiça. Mas a justiça, como já disse antes, se encontra muito comprometida com o crime de colarinho branco. Senhores, assim não dá.

domingo, 1 de julho de 2012

GRAVAÇÕES DA PF MOSTRAM QUE RAUL FILHO DO PT TO TAMBÉM SE ENVOLVEU COM CACHOEIRA

Mais que banhou na Cachoeira.

Embora o prefeito Raul Filho (PT) tenha afirmado que o requerimento que pediu a sua convocação e do ex-secretário de Governo e Meio Ambiente, Pedro Duailibe, à CPMI que investiga a relação de políticos e empresários com o contraventor Carlinhos Cachoeira, apresentado pela senadora Kátia Abreu (PSD), “atende a uma sugestão feita pelo próprio prefeito no dia 25 de maio”, gravações do Fantástico, Rede Globo, mostraram que ele também bebeu nas águas da cachoeira do Cachoeira.

A essa altura o brasileiro comum já deve estar se perguntando quem, no universo político, não tem relação com o Cachoeira. Eu, na minha indignação com o Supremo, acrescento ainda a necessidade de se analisar as relações que podem existir entre Cachoeira e o Ministro Gilmar Mendes. Aquele lá não me engana.

Não se trata de partido, PT ou PSDB, o que está em questão é a necessidade de freio na imoralidade que nos cerca. Mas, minha esperança se desespera quando vejo a justiça eleitoral liberando os ficha sujas naquilo que são mais sujos, as contas públicas.